SENADO



Apenas tenham cuidado! Tenham muito cuidado para que vocês nunca se esqueçam das coisas que os seus olhos viram; conservem-nas por toda a sua vida na memória. Contem-nas a seus filhos e a seus netos. (Deuteronômio 4.9)


Que essas memórias que contam brevemente um pouco da minha jornada ao Senado sirvam de testemunho do poder de Deus e da sua maravilhosa graça! Escrevi em tópicos apenas alguns episódios que me marcaram nesse processo todo.




O 1º Semestre de 2008 na UnB

Tive que pegar a matéria Técnicas de Pesquisa Econômica (TPE) com o Professor Jorge Nogueira. Essa matéria tinha fama de ser bem cansativa e trabalhosa, pois o professor exigia resenhas, resumos e fichamentos de textos em inglês a cada semana. O volume de leitura por semana era muito grande e os alunos deviam fazer pesquisas extensas. Como eu iria pegar 5 matérias no CEUB (ficando com a noite cheia), sobraria pouco tempo para eu me dedicar à monografia.

Acontece que 3 dias antes do início das aulas esse professor descobriu que um antigo problema de fungo nos olhos tinha voltado, podendo ele perder a visão se não tratasse com urgência. Ele então pediu afastamento geral; como ficou muito em cima da hora, não havia professor para substituí-lo. A saída foi que a professora chefe do Departamento de Economia teve que assumir a turma. Mas como ela já dava outra matéria no mesmo horário de TPE, decidiu-se que TPE seria, nesse semestre apenas, uma matéria não presencial. Para completar, não haveria qualquer conteúdo lecionado durante o semestre. Os únicos trabalhos impostos pela professora nessa matéria seriam escolher um professor orientador, apresentar um projeto de monografia e, por fim, apresentar o primeiro capítulo da monografia.

Foi dessa forma que devido a um acidente de última hora com um professor pude dedicar o primeiro semestre de 2008 para fazer o primeiro capítulo da monografia, já adiantando muito do meu trabalho. Esse foi um fator chave para que eu pudesse iniciar meus estudos para concurso bem mais cedo do que eu previa. O Professor se tratou e no semestre seguinte já estava dando aula na UnB.


Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8.28)





Professor Orientador

O orientador da minha monografia foi o Professor José Carlos de Oliveira. Ele não foi muito exigente e me deixou relativamente livre para fazer a pesquisa e escrever a monografia. Assim, aproveitei as férias de julho e conclui o segundo e o terceiro capítulo da monografia (o primeiro eu já havia terminado no fim do primeiro semestre de 2008). Quando as aulas voltaram, no meio de agosto, fui falar com ele, achando que o processo de corrigir erros, acrescentar informações e melhorar conclusões duraria pelo menos mais um mês, podendo eu apresentar a monografia no final de setembro. Ele deu uma olhada rápida, me mostrou alguns erros e algumas coisas que eu precisava mudar e me perguntou quando eu pensava em apresentar a monografia. Eu respondi que o mais rápido possível. Ele, surpreendentemente, falou para eu já marcar a data da apresentação e chamar o outro professor que comporia a banca de avaliação.

No dia 25 de agosto apresentei a monografia e fui aprovado com menção SS. Não sei se foi pela boa vontade, desinteresse, empatia ou preguiça do professor que pude apresentar a monografia com apenas 2 semanas de aula, mas o que quer que tenha sido, assim o foi pela vontade soberana de Deus.

No início do ano eu tinha planos de concluir a monografia no final de outubro, para em novembro já começar a estudar para concursos. No decorrer do ano, mudei minha perspectiva, achando que no fim de setembro eu já poderia concluir esse trabalho. Entretanto, pelos eternos propósitos do Senhor, eu concluí todo o trabalho já no dia 25 de agosto, podendo me dedicar integralmente aos estudos para concursos a partir de então. Eu percebi como as portas estavam se abrindo no meu caminho, e fui tomado de grande motivação, sentindo que aquela era a hora.


O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. (...)

Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos. (Provérbios 16.1 e 3)

TAPS

Além da monografia, eu precisava de mais quatro créditos para me formar. Matriculei-me na disciplina TAPS (Tópicos Avançados em Promoção da Saúde), uma vez que era uma matéria fácil e não presencial. Assim eu não precisaria mais ir a UnB e teria mais tempo para estudos. Porém, quando saiu o resultado da matrícula, eu não tinha sido matriculado. Fui com a Amanda preencher a lista de espera da disciplina e, mais uma vez, não fui matriculado. Já tinha me conformado com outra matéria que eu havia pegado para preencher esses quatro créditos quando soube, após uma semana de aula, que minha matrícula havia sido aceita! Graças a Deus pude fazer essa disciplina fácil, que me demandava pouca dedicação. Como apresentei a monografia bem rápido e consegui me matricular em TAPS, já estava praticamente livre da UnB no final de agosto. Devo ter ido à UnB umas três ou quatro vezes no segundo semestre de 2008 inteiro!


Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. (Provérbios 3.6)





A Demora do Edital

Um concurso esperado há mais de quatro anos por muitas pessoas, prometido para sair há muito tempo atrás. Saiu apenas em setembro de 2008, com provas marcadas para novembro. Isto é, exatamente no semestre em que eu me dedicava a estudos para concurso, no momento exato em que eu já me via livre da UnB. Coincidência? Não. Condução soberana de toda a história, todos os fatos e todos os acontecimentos por Deus!


07/10/2004 – Cespe/Unb organizará concurso do Senado Federal no ano que vem

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=12209/interna_noticia.shtml


24/11/2005 – Senado Federal promete concurso para os cargos de analista e técnico legislativo em 2006

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=14990/interna_noticia.shtml


09/01/2007 – Concurso do Senado sairá nos primeiros meses de 2007

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=17863/interna_noticia.shtml


08/01/2007 – Contagem Regressiva para o lançamento dos editais da Câmara e Senado

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=17856/interna_noticia.shtml


30/08/2007 – Concurso do Senado sairá do papel só em 2008

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=19100/interna_noticia.shtml


15/05/2008 – Briga por vagas em concurso do Senado cria impasse político

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=21181/interna_noticia.shtml


27/05/2008 – Concurso para o Senado terá quatro editais e prova em sete capitais

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=21277/interna_noticia.shtml


17/07/2008 – Senado Federal adia divulgação de organizadora

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=21729/interna_noticia.shtml


11/09/2008 – Erro em formatação do texto adia divulgação do edital do Senado em um dia

http://concursos.correioweb.com.br/htmls/interna_noticia,id_sessao=1&id_noticia=22187/interna_noticia.shtml




Todos os povos da terra são como nada diante dele. Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão ou dizer-lhe: “O que fizeste?” (Daniel 4.35)



Cursinho

Eu estava fazendo cursinho para o TCU às segundas, quartas e sextas no período da manhã. Esse cursinho tinha 11 matérias, sendo que apenas 3 aproveitavam ao Senado. No tempo em que estudei para o Senado, 2 dessas 3 matérias estavam sendo ministradas: Português e Direito Administrativo. Assim, continuei indo para o cursinho e aproveitando as aulas. A única matéria que não servia ao Senado era Controle Externo. Felizmente, faltando duas semanas para a prova, o professor de Controle Externo avisou que não daria a aula seguinte. Fui um tempo extra de estudo que tive na reta final dos estudos. O cursinho para o TCU, que poderia ser um empecilho nos estudos para o Senado, transformou-se em auxílio de grande valia no aprendizado.


É Deus quem me reveste de força e torna perfeito o meu caminho. (2 Samuel 22.33)



A Força

Desde julho eu havia entrado num ritmo intenso de estudos. Utilizei minhas férias de julho para fazer a monografia e estudar Direito Administrativo. Passaram-se três meses nesse mesmo pique, e meu corpo já começava a se cansar. Estudei praticamente em todos os fins de semana, senão em todos. Dormia sempre depois de 1 hora da manhã e acordava cedo no dia seguinte para estudar. E o momento a partir do qual meu corpo começava a dar sinais de fadiga era justamente o momento em que eu precisava me dedicar mais. Sempre orando em toda essa jornada, pedi a Deus que me revestisse de força e redobrasse meu ânimo para encarar essas últimas semanas. Pode parecer fantasia ou exagero, mas a cada manhã que eu acordava, me sentia mais forte que no dia anterior; tinha vigor e alegria, acordava rindo e disposto a enfrentar mais um dia de labuta. Era uma força sobrenatural, pois é certo que não advinha de nenhuma causa natural.


Ele fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.

(Isaías 40.30-31)


O Tempo

Do momento em que comecei a estudar especificamente para o Senado, tive 3 semanas e alguns dias. Pensei em desistir. Havia tantas pessoas estudando há tanto tempo. Pensei que não valia à pena estudar sem perspectivas de passar. E como havia outros concursos interessantes no momento, fiquei realmente sem saber o que fazer. Mas dentre todas as possibilidades de serviço, o Senado sempre era aquele que eu mais almejava. Vislumbrei que talvez não houvesse outra oportunidade dessa em minha vida, e fui me motivando a dar todo o fôlego nesse pouco tempo que me restava. Recebi, então, a confirmação de Deus ao ler a história de Gideão em Juízes 7:


E o Senhor disse a Gideão: “Você tem gente demais, para eu entregar Midiã nas suas mãos. A fim de que Israel não se orgulhe contra mim, dizendo que a sua própria força o libertou, anuncie, pois, ao povo que todo aquele que estiver tremendo de medo poderá ir embora do monte Gileade”. (...) O Senhor disse a Gideão: “Com os 300 homens que lamberam a água livrarei vocês e entregarei os midianitas nas suas mãos. Mande para casa todos os outros homens.”


Gideão teve à sua disposição 300 homens, eu tinha 3 semanas. Mas o pouco tempo de estudo que tinha à minha frente servia como testemunho a favor do poder de Deus, e não da minha força ou dedicação. A fim de que eu não me orgulhasse depois, achando que a aprovação tinha sido alcançada com o trabalho das minhas mãos, o Senhor me deu pouco tempo, o que evidenciava e deixava claro que tudo era fruto do Seu poder. Inspirado pela coragem de Gideão, que derrotou exércitos e reis com poucos homens, fui à luta, disposto a derrotar gigantes com o pouco tempo que me sobrara.


Não confio em meu arco, minha espada não me concede a vitória; mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam. (Salmo 44.6-7)


O Senhor é quem dá pobreza e riqueza; ele humilha e exalta. Levanta do pó o necessitado e do monte de cinzas ergue o pobre; ele os faz sentar-se com príncipes e lhes dá lugar de honra. Pois os alicerces da terra são do Senhor; sobre eles estabeleceu o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, mas os ímpios serão silenciados nas trevas, pois não é pela força que o homem prevalece.

(1 Samuel 2.7-9)

A Luz

Como já disse, o tempo era precioso, e cada minuto contava muito. Faltando duas semanas para a prova, eu estava dando todo o meu fôlego para os estudos, e aproveitando cada milésimo para estudar. Na segunda-feira 27 de outubro, fui para a aula do CEUB à noite. Tinha aula de Penal no primeiro horário e de Civil no segundo. Quando entrei no carro, começou a cair uma chuva torrencial. Chegando lá, esperei um tempo até a chuva diminuir, o que não aconteceu. Resolvi encará-la. Cheguei muito molhado à sala e, para minha surpresa e indignação, o professor havia faltado. Havia umas duas pessoas na sala, pois o resto da turma tinha ido assistir à aula de Direito Civil em outra turma (o professor e a matéria eram os mesmos). Como eu não sabia onde era a sala dessa outra turma e já tinha chegado atrasado, resolvi ficar estudando no primeiro horário e assistir a aula de Civil no segundo horário mesmo. Quando acabara de tomar essa decisão, me deparei com o professor de Civil e todos os alunos entrando na minha sala. O professor disse que a sala na qual ele estava dando aula tinha ficado sem luz, e que daria a aula na nossa sala, já que ela estava vazia em virtude da ausência do professor de Penal. Quando olhei, a sala da outra turma era uma sala em frente à minha, no mesmo andar. E o sobrenatural foi que todas as salas ainda estavam com as luzes acesas, todas, exceto aquela. Se eu não fui até a sala, a sala inteira e o professor vieram até mim, por uma falta de energia meticulosamente controlada. Assim, assisti à aula no primeiro horário e depois fui para a casa, tomei um banho – já que estava todo molhado da chuva – e tive ainda uma noite inteira para estudar.



Como são grandes os seus sinais, como são poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino eterno; o seu domínio dura de geração em geração. (Daniel 4.3)



Local de Prova

Orei muito pelo local de prova e pelas condições do dia da prova. No concurso da ABIN, fiz a prova no colégio Paulo Freire. Estava um dia extremamente quente e seco. Na sala da prova, a janela dava para um muro de uns dois metros de altura que ficava a menos de um metro da janela, o que deixava a sala ainda mais quente e mal arejada. O banheiro do colégio estava todo destruído. Não havia papel para enxugar as mãos. Não que sejam fatais para o sucesso ou o fracasso, mas todas essas condições no dia da prova influenciam muito, principalmente no estado psicológico. A prova do Senado foi completamente diferente. O dia estava bem agradável, nublado, quase chovendo. Fiz a prova no CEUB, numa sala tranqüila e confortável. Esses fatores favoráveis me deixaram mais calmo e me ajudaram a fazer uma boa prova.


Coloquei toda a minha esperança no Senhor; ele se inclinou para mim e ouviu meu grito de socorro.

(Salmo 40.1)



Gabarito

Como o resultado da prova objetiva iria demorar apenas uma semana para sair, resolvi que não iria conferir o gabarito, que saiu logo no dia seguinte à prova, dia 10 de novembro. No entanto, nesse dia, o qual eu reservei para descansar, assisti a um DVD evangélico chamado “A Virada”, que, dentre alguns temas, aborda o poder da oração e o cuidado de Deus para conosco. Fui tocado por esse filme e comecei a mudar de idéia quanto a conferir o gabarito. Por volta das 6 horas da tarde, vi que o gabarito já tinha saído, mas fiquei um pouco apreensivo. Fui levar a Bruna no cursinho pois estava chovendo muito. Chegando à minha quadra, parei o carro e fiquei orando por uns cinco minutos, pedindo a Deus que estendesse sua graça sobre mim e que desse paz quanto ao resultado, fosse ele qual fosse. Assim que cheguei em casa, ouvi um trovão estarrecedor, daqueles que fazem tremer as coisas e que fazem tocar alarmes de carros. Foi o sinal que eu precisava. Interpretei aquele fenômeno como se fosse Deus falando a mim através de sua natureza, mostrando sua força infalível e sua presença eterna. Fui tomado de paz, e me dirigi ao meu quarto para conferir a prova. Comecei a corrigir a prova de Português, e fui eliminado. Dei glória a Deus por aquele resultado, já que tudo estava nas mãos dEle. Mas para minha alegria, aquele era o gabarito da prova de um outro cargo. Comecei a corrigir com o gabarito certo então. Por pouco não fui eliminado em Português e em Conhecimentos Gerais. Mas fui muito bem em Conhecimentos Específicos, e percebi que esse já era um ótimo resultado. Fiquei intensamente animado.


Depois disto ruge uma voz; ele troveja com a sua voz majestosa; e ele não os detém quando a sua voz é ouvida. (Jó 37.4)

Caos

Os dias e as semanas seguintes à prova foram extremamente conturbados. Realmente o concurso havia sido mal organizado, dando margem a várias especulações. Iniciou-se um movimento pró-anulação do concurso. Alguns diziam que a prova fora feita para beneficiar determinados “protegidos” dos senadores. Os donos de cursinho reforçaram e auxiliaram o movimento pró-anulação, já que a anulação do concurso ensejaria novos alunos e novas turmas para o novo concurso do Senado. A mídia freqüentemente soltava informações incorretas, e confundia ainda mais os candidatos. Mas foi no meio dessa turbulência que pude exercer minha fé no Deus cuja autoridade se estende sobre toda a terra. Orando todo a dia e pedindo a Deus que me concedesse a graça da aprovação, não desanimei nenhum dia com as notícias que se sucediam. Estava certo de que o futuro desse concurso não dependia da vontade ou da falta de vontade de homens. Enquanto a maioria dos que fizeram o concurso se indignava e se desesperava com as notícias, eu permanecia firme, certo de que a aprovação não dependia da benevolência de um examinador ou da indicação e proteção de um senador, mas sim da vontade soberana do Deus cujos propósitos hão de se cumprir eternamente.


Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. (Colossenses 4.6-7)



Recurso

Após a boa notícia de que eu havia passado na prova objetiva, fiquei esperando o resultado da prova discursiva, a qual eu estava convicto de que não havia ido muito bem. Quando divulgaram a nota das provas discursivas, o fizeram individualmente, de modo que ninguém sabia quanto o outro candidato tinha tirado nem se a classificação original da prova objetiva tinha se alterado muito com as novas notas. Surgiu então a grande dúvida: fazer ou não recurso da correção? Se não fizesse, eu correria o risco de ser ultrapassado por outros candidatos e ficar de fora das vagas. Se fizesse, poderia ter minha nota diminuída e ser eliminado do concurso. Pesquisei se havia mesmo a possibilidade de a nota diminuir com o recurso e descobri que era possível e inclusive tinham ocorrido alguns casos assim no início do ano em provas da FGV. Fiquei realmente indeciso, e havia pouco tempo para tomar a decisão. Comecei a orar pedindo a direção. No mesmo dia à noite, li a Bíblia e tive a resposta clara e determinante ao meu coração. Li 2 Samuel 6.6-7, que dizia:


Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá esticou o braço e segurou a arca de Deus, porque os bois haviam tropeçado. A ira do Senhor acendeu-se contra Uzá por seu ato de irreverência. Por isso Deus o feriu, e ele morreu ali mesmo, ao lado da arca de Deus.


Uzá tentou conduzir por força humana aquilo que era guiado por Deus, e por isso acabou morrendo. Afinal, anos antes a própria arca do Senhor fora levada a Israel por uma carroça de vacas desgovernadas, sem condutor algum:


Então as vacas foram diretamente para Bete-Semes, mantendo-se na estrada e mugindo por todo o caminho; não se desviaram nem para a direita nem para a esquerda. (1 Samuel 6.12)


Foi então que eu percebi que estava prestes a agir como Uzá. Negligenciei a condução de Deus e quis tocar com minhas mãos naquilo que era obra dEle. Dei-me conta de que já havia sido imensamente abençoado, pois na correção da prova discursiva eu ganhei dois pontos que não merecia. Vi que os dias de oração pela boa disposição dos examinadores ao avaliarem minha prova tiveram efeito, vi que Deus continuava a derramar sua graça sobre mim. Era o momento de testar minha fé, de deixar de lado minha ansiosa solicitude pela vida e de deixar Deus terminar a obra que ele mesmo havia iniciado. Não fiz o recurso e fiquei aguardando o resultado.


Então eu lhes disse: Não fiquem apavorados; não tenham medo deles. O Senhor, o seu Deus, que está indo à frente de vocês, lutará por vocês, diante de seus próprios olhos, como fez no Egito. (Deuteronômio 1.29-30)


Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus. Eles vacilam e caem, mas nós nos erguemos e estamos firmes. (Salmo 20. 7-8)


Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá. (Salmo 37.5)


Jejum


No dia em que saiu o resultado da prova objetiva, eu iniciei um jejum com minha namorada Amanda. Fizemos um jejum de televisão. Já que eu estava de férias da faculdade e havia dado um descanso nos estudos do cursinho, passei quase todas as minhas tardes lendo a bíblia, estudando a palavra de Deus e orando. Foi um momento de grande crescimento espiritual na minha vida e na vida da Amanda.

De súbito, sem qualquer expectativa, o resultado final do concurso saiu às vésperas do ano novo. Fiquei sem reação no início, mas profundamente feliz depois. E para completar essa jornada de bênçãos, percebemos eu e ela que o período de jejum totalizara exatos 40 dias! Esse é um número emblemático na Bíblia e dá a noção de um tempo necessário para a preparação de algo que há de vir. O dilúvio durou 40 dias e 40 noites; Moisés ficou 40 dias no Monte Sinai; o povo de Israel vagou 40 anos no deserto; Jesus jejuou 40 dias no deserto e ficou 40 dias com seus discípulos após a ressurreição.

Fiquei surpreso ao ver a perfeição dos planos de Deus, que com tantos milagres e ações sobrenaturais concedeu-me uma vitória imerecida.



Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

(Efésios 2.21-22)



Não digam, pois, em seu coração: ‘A minha capacidade e a força das minhas mãos ajuntaram para mim toda essa riqueza’. Mas, lembrem-se do Senhor, o seu Deus, pois é ele que lhes dá a capacidade de produzir riqueza, confirmando a aliança que jurou aos seus antepassados, conforme hoje se vê. (Deuteronômio 8.17-18)