Comunicação e Jornalismo nos Novos Conteúdos Web (Palestra apresentada na Semana Cultural da Associação de Estudantes da Faculdade Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa)
Artur Filipe dos Santos (Mestre em Comunicação e Doutorando em Comunicação, Publicidade, Relações Públicas e Protocolo pela Universidade de Vigo, Galiza, Espanha)
Comunicação e Jornalismo nos Novos Conteúdos Web
Com o desenvolvimento das novas tecnologias, surgem novas plataformas Web de conteúdos de informação generalizada: não falamos só de páginas interactivas e mais personalizadas à imagem de cada utilizador, falamos da aposta dos meios de comunicação social na divulgação do seu produto através das suas páginas, falamos de páginas ligadas à comunicação externa e interna de empresas e organismos públicos, falamos também no crescimento de correntes de opinião on-line, veiculados através dos Weblogs, fóruns temáticos, páginas culturais, rádios e podcasts, foto-blogs, páginas de alojamento de vídeos e finalmente conteúdos ligados ao ensino e à investigação.
A Internet surge neste século como umas das maiores correntes de expressão. Seja essa expressão nada mais nada menos que puros devaneios de uma consciência individual que clama para ser ouvida, seja uma expressão que espelhe um esforço conjunto de grupos muito pequenos ou grupos representativos.
Na distância de um clique temos o mundo na mão e a informação ao lado, para contextualizar o que antes nos parecia exótico mas que nos surge agora tão familiar como um rumor surgido de dentro da nossa aldeia.
E se é de aldeia, essa aldeia global que falamos, como afirmava McLuhan, não é menos verdade, que na Internet, vivemos não os “Estados Unidos da Europa” como idealizava Churchill, mas sim um único Estado Unido do Mundo, muitas vezes sem rei nem roque, mas que para já não nos tolda o passo nem nos cala a opinião, mesmo quando esta se auto-implode por se mostrar difusa e incoerente.
Assim, surge-nos vários conteúdos, em que passo a dar alguns exemplos.
Se passarmos em revista os principais meios de comunicação social do país e mesmo do mundo, não podemos navegar à margem dos sítios on-line desse organismos. Havendo para todos os gostos e tipos, pagos ou gratuitos (muitas vezes exageradamente impregnados de publicidade), mais ou menos personalizados, esses mesmos sítios esforçam-se por demonstrar que o meio de comunicação abraça os novos tempos, permitindo que o utilizador expresse a sua opinião sobre o que acabou de ler ou visualizar, que dê o seu voto em qualquer inquérito, no sentido de hipoteticamente tornar a sociedade web num sociedade verdadeiramente democrática, servindo finalmente como exemplo para os governos do mundo real.
Não se pense que no mundo da comunicação se aborde só os exemplos da comunicação social. Veja-se com vivida atenção as páginas das empresas de publicidade, de marketing, de design, umas mais criativas do que as outras, verdadeiras expressões plásticas das tendências actuais da comunicação publicitária que se faz no mundo.
Espaço bem explorado ou nem tanto assim pelas empresas de variadíssimos ramos de actividades, estas páginas on-line são o espelho da comunicação que estas instituições desejam ter com o mundo virtual mas mais importante de tudo com o seu cliente, utilizador, consumidor ou utente.
As instituições públicas ou organismos governamentais ou internacionais vêem com bons olhos o avanço das plataformas on-line de informação, vendo nas suas páginas um veículo ideal para a difusão e sensibilização das suas mensagens, ou tão somente para aligeirar processos, acabar com filas de espera, centralizar serviços, ou abater processos burocráticos.
No que concerne aos organismo que têm por base a difusão de uma informação institucional, sensibilizando o utilizador para o conteúdo da mesma, são várias as instituições que vêm na Web uma forma de divulgação e e mesmo de fidelização. Senão vejamos: páginas tão diversas como as da UNESCO ou do Vaticano, da Cruz Vermelha ou da Greenpeace, da Organização Mundial de Saúde ou da Amnistia Internacional estão entre as páginas mais vistas da Web, segundo estudo da ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers).
Nestas páginas a mensagem conta.
Mas se meios de comunicação social, empresas e organismos públicos e privados beneficiaram com o desenvolvimento em massa dos formatos de comunicação on-line, mais a ganharam ficaram todos aqueles que ambicionavam por um veículo de expressão livre e global, sem barreiras ou minutos contados, limitação de carateres ou outras demarcações impostas.
Individualmente ou em grupo, anónimos ou conhecidos, jovens ou experientes, ignorantes ou intelectuais, políticos ou economistas, futebolistas ou cantores, estudantes ou investigadores, todos eles ganharam o seu espaço, para o usarem da maneira como quiserem: seja exprimindo opiniões, dar a conhecer aspectos da sua vida pessoal, apresentar considerações sobre o futuro da sociedade, dar a conhecer as suas criações ou a sua investigação no campo do saber. Até concursos cujo objectivos por vezes não se mostram como os mais relevantes têm lugar nesta esfera de valorização das opiniões anónimas: veja-se o caso dos concursos “Grandes Portugueses” e “7 Maravlhas de Portugal”.
Todos têm oportunidade de se mostrarem, terem os tais minutos de fama, que tanto merecem, seja para o bem, seja para o mal, já que as não fronteiras são habitualmente propícias para o flurescimento de sub-culturas paralelas, muitas vezes atentatórias ao ideal humanista que se que impor século XXI, verdadeiras aberrações sociais, infecções de um tempo desprovido de valores e heróis de outrora.
São Weblogs, os fóruns, os Podcasts, os foto-blogs, páginas de alojamento de vídeos, entre outros.
Blogs individuais, com fins políticos ou apenas de expressão de opinião, Blogs de uma turma que quer mostrar o que anda a fazer, de grupos que querem marcar um lugar na sociedade, são os fóruns de amigos ou de gente apenas solitária.
E de reflectir ainda que são nestes blogs que já nos surge o chamado jornalismo público, isto é, utilizadores comuns, que sem qualquer formação jornalística, se dedicam também a difundir as suas próprias noticias, do, bairro, da cidade ou do país, ao seu estilo e carácter num verdadeiro jornalismo personalizado em cada um de nós. Sem duvida um dos fenómenos mais marcantes da actualidade, cada vez mais estudado pelos comunicólogos que se dedicam sobretudo aos estudos jornalísticos, este do indivíduo comum vestir a pele de um autor de notícias.
Actualmente os blogues são também uma óptima ferramenta de trabalho. Ideal para a organização e difusão da matéria de quaquer investigador, um Weblog de Investigação é um óptimo instrumento de partilha e interacção do conhecimento académico, possibilitando ao investigador ou um aluno de um ciclo de estudos de Mestrado ou Doutoramento uma compilação documental mais abrangente e mais rápida. Em Portugal os PHDWeblogs são já uma referência marcada na organização das teses de Doutoramento, sobretudos nas que encontram ligadas às ciências sociais.
Vivemos, finamente, numa era em que o conhecimento já enche as nossas mão, e continuamente nos molda, como se já não houvesse razões para existir ignorância e preconceito, conservadorismos ou dogmas instalados.
Já podemos ver o mundo em 3D e o mundo diz-nos o que há para descobrir, as belezas que encerra, o futuro que paira sobre nós, a vontade de preservar o nosso património e a necessidade de conservar o que é genuinamente nosso. Já não precisamos de esperar receber aquela enciclopédia em 30 volumes que o avô nos prometeu como herança, mas também não precisamos plagiar o que já foi feito. Podemos nós próprios ser cultivadores desse conhecimento.
A comunicação já não tem barreiras, mas contudo novos desafios se levantam: poderemos um dia comunicar com as estrelas… ou com Deus?
Artur Filipe dos Santos