UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO















I N C L U S P

Programa de Inclusão Social da USP

(aprovado pelo Conselho Universitário em 23 de maio de 2006)

























São Paulo

Maio/2006

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO


Reitora: Profa. Dra. Suely Vilela

Vice-Reitor: Prof. Dr. Franco Maria Lajolo

Pró-Reitora de Graduação: Profa. Dra. Selma Garrido Pimenta

Pró-Reitor de Pós-Graduação: Armando Corbani Ferraz

Pró-Reitora de Pesquisa: Profa. Dra. Mayana Zatz

Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária: Prof. Dr. Sedi Hirano

Secretária Geral: Profa. Dra. Maria Fidela de Lima Navarro


O INCLUSP – Programa de Inclusão Social da USP –, aprovado pelo Conselho Universitário em sua reunião de 23 de maio de 2006, teve sua versão inicial elaborada por uma Comissão composta pela Pró-Reitoria de Graduação.


Selma Garrido Pimenta – Pró-Reitora de Graduação

Maria Amélia de C. Oliveira – Assessora - Pró-G - EE

Maria Isabel de Almeida – Assessora - Pró-G - FE

Antônio Joaquim Severino - FE

Antonio Luis de Campos Mariani - EP

Antonio Sérgio Alfredo Guimarães - FFLCH

Bernadete A. Gatti – Fundação Carlos Chagas

Bruno José S. de Melo – discente - EEFE

Elba Siqueira de Sá Barretto - FE

Flávia Inês Schilling - FE

Franco Maria Lajolo – FCF- Vice-Reitoria

Glaucius Oliva - IFSC

João Baptista B. Pereira - FFLCH

José Cippola Neto – ICB

Lucimar Rosa Dias - Doutoranda – FE

Maria Thereza Fraga Rocco - FUVEST

Mauro Bertotti – IQ - CoG

Milton de Arruda Martins – FM - CoG

Moacyr Domingos Novelli - FO

Oswaldo Baffa Filho – FFCLRP

Patrícia Junqueira Grandino - EACH

Quirino Augusto de C. Carmello - ESALQ - CoG

Renato P. Morgado – discente - ESALQ

Rosa Maria Fischer - FEA



SUMÁRIO


INTRODUÇÃO 4

I. PRESSUPOSTOS E DIRETRIZES 5

A desigualdade social como problema para a Universidade 5

O conceito de inclusão social 8

A USP e a inclusão social: responsabilidades, compromissos, possibilidades e limites. 9

A contribuição histórica da USP para a inclusão social 10

Objetivos do Programa 11

II. AÇÕES 11

Ações antes do ingresso 11

Ações no ingresso 17

Ações após o ingresso 20

Avaliação das ações 24

Outras ações 24

III. INDICADORES E RECURSOS: a serem detalhados 24

IV. GERENCIAMENTO DO PROGRAMA DE INCLUSÃO SOCIAL 25





INTRODUÇÃO



Este documento apresenta a versão sistematizada do Programa de Inclusão Social* que a Universidade de São Paulo se propõe a desenvolver nos próximos anos, mediante o qual buscará dar sua contribuição à tarefa nacional de superação da desigualdade que tão fortemente marca a sociedade brasileira, definindo e implementando sua política institucional nesse âmbito. Propõe-se a fazê-lo a partir de sua competência específica, qual seja, a da educação superior de alto nível, consciente das limitações do poder das instituições educacionais no que concerne ao enfrentamento e à superação dos problemas sociais abrangentes.

Com este Programa, a USP expressa sua preocupação com as barreiras socioeducacionais que dificultam o acesso a seus cursos de preferência e a permanência nestes de muitos jovens e buscará mecanismos de atuação junto com candidatos e alunos, mantendo sua finalidade específica de oferecer ensino, pesquisa e extensão, sempre investindo na qualificação da formação de seus estudantes em todas as fases desse processo. Reafirma também a importância social e acadêmica de ter, em todos os seus cursos, uma representação social, cultural e étnica mais consoante com a sociedade multicultural em que vivemos, assegurando que todas as opiniões se façam presentes ao longo da vivência acadêmica dos estudantes, bem como a diversidade na produção do conhecimento.

Para apresentar o Programa, este documento estruturou-se em três partes. Após uma introdução, na qual são apresentados os pressupostos e as diretrizes assumidos pela Universidade para sua atuação; a segunda parte apresenta metas e ações que se propõe a realizar, de modo emergencial ou permanente, em curto, médio e longo prazos. Para finalizar, são apontadas questões relacionadas ao gerenciamento do Programa.

A proposta de inclusão social que a Universidade entende ser de sua responsabilidade funda-se, prioritariamente, na maior democratização do acesso dos segmentos menos favorecidos da sociedade a seus cursos, sem comprometimento do critério de mérito como legitimador desse acesso.

Considerando que a maioria dos jovens pertencentes a esses segmentos realiza a formação básica na escola pública, o Programa de Inclusão Social da USP terá sua atuação direcionada ao planejamento de ações de apoio voltadas para o aluno do Ensino Médio da escola pública, antes, durante e após o processo seletivo para ingresso na Universidade.



I. PRESSUPOSTOS E DIRETRIZES

A desigualdade social como problema para a Universidade

A sociedade brasileira deste início do 3º milênio continua apresentando, no seio de sua população, um grave quadro de desigualdade social, que se expressa em todos os aspectos da sua existência real. Em que pese o significativo crescimento da renda do país com o desenvolvimento da economia, suas políticas públicas não conseguem distribuir essa riqueza de forma mais eqüitativa entre todos os segmentos da sociedade, visando assegurar aos menos favorecidos condições para que possam superar suas carências reais. O problema é abrangente e envolve todos os aspectos da existência humana no país, manifestando-se no universo do trabalho, na esfera das relações político-sociais e no âmbito da cultura simbólica.

Não há como desconhecer que a gravidade dessa situação, de caráter estrutural, deve-se fundamentalmente à ausência de uma política pública voltada para o desenvolvimento da educação nacional. O que se tem observado, década após década, são programas isolados e descontínuos, visando enfrentar problemas localizados em segmentos ou níveis de ensino, não contando o país com um projeto integral capaz de apresentar uma política institucionalizada e abrangente para assegurar a toda a população uma educação pública suficiente em quantidade e em qualidade, que torne desnecessárias ações compensatórias e assistencialistas que acabam agravando os problemas ao invés de solucioná-los de vez. Frente a esse quadro, ao assumir a responsabilidade que lhe cabe no enfrentamento da exclusão social, a USP reitera enfaticamente a necessidade de o poder público assumir, mediante políticas competentes e eficazes, o seu compromisso para o enfrentamento sistemático do problema socioeducacional brasileiro.

A exclusão social é problema para a educação em geral e para a educação superior em particular, apresentando-se de modo especialmente agudo para as instituições públicas. Embora o problema extrapole a capacidade das universidades para enfrentá-lo e superá-lo sozinhas, não há dúvida de que a elas cabe, pela função que desempenham no projeto político do país, assumir com lucidez e empenho, a partir da esfera de suas atribuições específicas, responsabilidades e compromissos com propostas e ações destinadas a contribuir, de forma positiva, para a construção de uma sociedade mais igualitária.

Desse modo, coloca-se como desafio para a instituição universitária pública democratizar o acesso aos seus cursos, adotando estratégias que favoreçam candidatos oriundos dos grupos sociais menos favorecidos, sem prejuízo dos critérios de mérito que devem presidir esse processo.

Diante da dimensão e da gravidade do problema, os posicionamentos das instituições e dos especialistas têm seguido diferentes orientações. Alguns entendem que o problema é de tal monta que escapa à responsabilidade da Universidade, que não deve se preocupar com ele. No máximo, caber-lhe-ia pesquisar cientificamente o assunto, produzindo esclarecimentos sobre o fenômeno e assim subsidiar os gestores do poder público no estabelecimento de políticas sociais amplas, as únicas aptas a resolver os problemas da exclusão social, com soluções que devem ocorrer e produzir seus efeitos fora do âmbito da Universidade.

Outros, face à magnitude do problema e suas características, entendem que a Universidade está relacionado a ele, mas avaliam que qualquer iniciativa para seu enfrentamento terá necessariamente resultados pouco expressivos, mais emblemáticos do que reais, de modo que as medidas tomadas nessa direção mais prejudicariam do que contribuiriam para melhorar o desempenho dos processos de acesso à Universidade pública.

Há ainda os que consideram que a gravidade da situação é tal que a única solução eficaz é aquela representada pelas ações afirmativas do tipo ‘cotas’ para os segmentos com desvantagens étnicas, sociais e culturais. Trata-se de postura radical que, em nome da grande dívida dos segmentos privilegiados para com os excluídos (negros, indígenas, pobres, abandonados etc.), subordina o mérito acadêmico a critérios de natureza social.

A Universidade de São Paulo reconhece seus compromissos com a questão e sua responsabilidade de contribuir para sua superação, entendendo que pode e deve tomar medidas específicas, intervindo nas condições de ingresso, considerando em seu vestibular as peculiaridades da formação oferecida pelo Ensino Médio na escola pública e apoiando candidatos desfavorecidos social e culturamente, antes, durante e após o ingresso. A USP tem clareza do alcance dessas medidas, mas tem igualmente certo que representam uma contribuição significativa para a ampliação e a democratização das possibilidades de ingresso, ao mesmo tempo que preservam os critérios de mérito, de modo que ingressem na Universidade aqueles candidatos com mais possibilidades de aproveitamento.

O fenômeno da exclusão que atinge os segmentos pauperizados da sociedade brasileira manifesta-se no âmbito do Ensino Superior de duas formas: pelo pequeno número de ingressantes que realizaram sua formação básica na escola pública e pela evasão dos poucos que conseguem ingressar na Universidade. Nesse sentido, a população universitária não reflete suficientemente a distribuição étnica de nosso país.

Para a USP, é evidente que o processo escolar contribui para a democratização do processo social e que a formação universitária tem uma contribuição significativa a dar para a consecução desse objetivo. Assim, buscará trabalhar a diversidade, reconhecendo a heterogeneidade das condições dos candidatos/alunos, buscando elevar o nível da formação com o objetivo de não reproduzir a desigualdade presente no ingresso.



O conceito de inclusão social

Nas condições históricas em que se encontra hoje a sociedade brasileira, marcada por graves níveis de exclusão, o conceito de inclusão social tem relação com a qualidade de vida que caberia assegurar a todos os brasileiros. Trata-se de uma referência de cidadania, pois proporcionar qualidade de vida é garantir a toda pessoa condições objetivas para a fruição de bens naturais, sociais e culturais, frutos da produção coletiva, mas que se encontram distribuídos de forma muito desigual.

Dessa perspectiva, a inclusão social realizar-se-ia mediante a garantia de trabalho, do qual resultassem recursos para obtenção dos bens naturais para a reprodução da existência, participação na tomada de decisões de interesse comum e na produção e no consumo dos bens culturais da sociedade.

Nesse contexto, tem-se em mente a efetividade da prática de um trabalho que não seja degradante, de uma vivência social que não seja opressiva e considere a dimensão multicultural da sociedade contemporânea, visando assegurar o usufruto das múltiplas contribuições culturais.

À educação cabe tornar-se investimento sistemático para garantir a todos, particularmente aos integrantes das novas gerações, as condições para que tal situação possa viabilizar-se historicamente.



A USP e a inclusão social: responsabilidades, compromissos, possibilidades e limites.

Como instituição pública de Ensino Superior, a USP é reconhecida como uma referência significativa para a sociedade brasileira. Com seu trabalho de ensino, pesquisa e extensão tem como finalidade contribuir significativamente para o desenvolvimento social, cultural e econômico do país, produzindo conhecimentos e preparando cidadãos que desempenhem papel de liderança intelectual e profissional. Isso significa envolver-se profundamente com o compromisso de ampliar e consolidar a inclusão social de seus alunos.

Nesse sentido, já vem empreendendo esforços , por meio da Coordenadoria de Assistência Social – COSEAS – e de outros atores na Universidade, para assegurar a permanência e o sucesso na vida acadêmica dos estudantes com necessidades socioeconômicas. No entanto, para ampliar a eficiência da resposta que vem sendo dada à necessidade de inclusão, tais ações precisam ser intencionalmente articuladas em um Programa capaz de combiná-las com outras de maior amplitude social.

Assim, a USP apresenta uma proposta que articula excelência acadêmica, autonomia universitária e inclusão social, presentes em todas as iniciativas de sua política de formação superior, expressa por meio de práticas e ações consentâneas, ao mesmo tempo em que reafirma seu compromisso de valorização da graduação, espaço prioritário para a efetivação dessa política.

Por considerar que o problema da exclusão/inclusão não é da alçada apenas das instituições de Ensino Superior, a USP reitera a necessidade de que projetos de alcance universal sejam igualmente implementados, a partir de compromissos e responsabilidades a serem assumidos por outros atores sociais.

Nesse sentido, a USP compromete-se a fazer a sua parte, no âmbito do microssocial, mas insiste na responsabilidade do Poder Público, em primeiro lugar, como representante legítimo que é da sociedade como um todo, em assegurar a qualidade na formação realizada na escola pública e implementar uma política pública de expansão das vagas no Ensino Superior público, forma mais eficaz e abrangente de combater a exclusão social na sua interface com a formação profissional de nível superior.



A contribuição histórica da USP para a inclusão social

A luta pela inclusão social não é preocupação recente da Universidade de São Paulo. Ao longo de seus 70 anos de existência, a USP, no desempenho de suas tarefas acadêmicas específicas, nunca perdeu de vista as peculiaridades da sociedade brasileira, marcada pela desigualdade social. Sua trajetória registra um amplo espectro de programas e ações orientados diretamente ao apoio aos alunos carentes e, indiretamente, à sociedade brasileira, contribuindo assim para a ampliação e consolidação de conquistas sociais relevantes por meio do Ensino Superior.

O Programa de Inclusão Social buscará dar organicidade, visibilidade e incremento às ações que vêm sendo desenvolvidas nas diversas unidades e instâncias da Universidade, articulando-as em um projeto comum, sob o signo de uma política institucional. Propõe-se ainda agregar, às ações existentes, outro conjunto de medidas voltadas para estudantes de escolas públicas, que também contribuirão para a inclusão pretendida e sobre o qual incidirão estratégias de acompanhamento para avaliar sua efetividade.



Objetivos do Programa

Com a finalidade de implementar uma política institucional de inclusão social, o presente Programa definiu como objetivos:

A implementação dessa política, que articula ações em desenvolvimento com novas ações, terá caráter processual e pressupõe o seu acompanhamento, visando à avaliação constante, bem como possíveis reorientações que se façam necessárias para assegurar o alcance de seus objetivos, que se desdobram em metas e ações previstas para antes, durante e após o ingresso do estudante na Universidade, como explicitado a seguir.



II. AÇÕES

Ações antes do ingresso

Dadas as situações objetivas de desigualdade social e de perfil econômico e cultural que penalizam em grande medida os estudantes que cursam o Ensino Médio na rede pública, a ampliação das possibilidades de acesso de alunos egressos da escola pública na Universidade de São Paulo e a garantia de sua permanência após o ingresso requerem ações sistemáticas de apoio ainda na fase anterior à sua participação no vestibular.

A intervenção da Universidade no período de formação que antecede o vestibular pode representar uma medida importante para que esses alunos possam superar as barreiras educacionais que têm dificultado seu ingresso nesta Universidade, bem como prevenir os índices de evasão registrados em alguns cursos. Trata-se, pois, de enfrentar as duas faces do fenômeno da exclusão educacional que, como é sabido, resulta do longo e difícil trajeto seguido pela escola pública brasileira. Atacar suas origens demanda medidas capazes de atingir, de forma positiva, os alunos antes do momento de ingresso na universidade.

Para tanto, planeja a implementação de medidas que instaurem mecanismos sociopedagógicos capazes de estimular, favorecer e respaldar a formação geral, bem como preparar especificamente os estudantes do Ensino Médio público para o vestibular. Tais medidas visam ampliar o número de ingressantes na Universidade oriundos da escola pública e devem efetivar resultados concretos que expressem a eficácia da política institucional de inclusão social desenvolvida pela Universidade no cumprimento de seus compromissos com a sociedade brasileira.

A partir do núcleo central da atuação da Universidade, que busca intensificar um relacionamento sistemático e permanente com a escola básica mantida pelo poder público, colocam-se os seguintes objetivos:

A fim de dar cumprimento a esses objetivos, são propostas as seguintes ações e medidas que devem ser viabilizadas na fase anterior ao ingresso dos alunos:



Ação 1. Introduzir o Sistema de Avaliação Seriada

Desdobramentos (para escolas que aderirem ao Sistema):



Ação 2. Considerar os PCNs como uma das referências para a elaboração do programa dos exames de ingresso na Universidade

Desdobramentos:



Ação 3. Promover ações voltadas para escolas e professores do Ensino Médio público

Desdobramentos para as escolas:

Desdobramentos para os professores:



Ação 4. Envolver discentes da USP em ações na escola pública

Desdobramentos:



Ação 5. Apoiar cursinhos preparatórios de caráter comunitário

Desdobramentos:



Ação 6. Aumentar a oferta de vagas em cursos noturnos

Desdobramentos:



Ação 7. Ampliar a presença da USP na cultura da escola pública

Desdobramentos:



Ação 8. Incrementar a divulgação para a sociedade das ações da Universidade.



Ação 9. Criar um Portal de Inclusão Social para divulgar ações realizadas pela Universidade de São Paulo na perspectiva da inclusão social



Ações no ingresso

A USP, consciente de sua missão institucional de formar lideranças intelectuais, sociais e econômicas, bem como de produzir conhecimento, inovação e ações nas comunidades nas quais se insere, tem o compromisso de eleger seus discentes os jovens com maior capacidade de aproveitamento das oportunidades de aprendizagem que a Universidade oferece. Assim, o processo de admissão à USP não pode se resumir em selecionar os que detêm o maior volume de conhecimentos acumulados até o momento do ingresso na Universidade, mas se deve pautar em identificar e admitir aqueles com maior potencial para se tornarem os melhores egressos para a sociedade.

Sem abrir mão de sua função precípua de prover ensino superior de qualidade, a USP não pode abster-se da responsabilidade de atuar como agente promotora da educação geral da sociedade, em especial no que se refere ao ensino público de qualidade, um direito essencial do cidadão e principal vetor de inclusão social e redução da desigualdade.

Assim, o Programa de Inclusão Social da USP deve ter como foco ações direcionadas à melhoria do ensino público fundamental e médio que, além de contribuir para a educação geral, permitam identificar os melhores talentos, independentemente de sua história social e econômica.

A USP tem também a responsabilidade de aprimorar a qualidade de seu sistema de seleção, em razão de seu grande impacto nos modos de organização do conhecimento e nas metodologias de ensino adotadas pelas escolas de Ensino Médio. Em particular, se praticar um exame de seleção que considere não só as informações acumuladas, mas também a capacidade de aprendizagem e de organização dos conhecimentos já incorporados, de maneira articulada com a realidade, a USP poderá induzir a uma perspectiva de formação mais ampla na educação básica.

Com isso, será possível minimizar a possível perda de talentos decorrente da perversa combinação de fatores negativos, como a deterioração da qualidade do ensino oferecido pela escola pública, e um sistema de admissão à Universidade que privilegia o acúmulo quantitativo da informação no momento do ingresso e não o potencial intelectual e criativo dos candidatos.

O Programa prevê um sistema de pontuação acrescida para os alunos da rede pública que, mesmo em condições desfavoráveis, logram se aproximar da nota necessária para aprovação no vestibular e que certamente devem ter bom potencial para o Ensino Superior. Com um pequeno fator de acréscimo de 3% na sua nota, os candidatos poderão atingir a pontuação requerida para convocação.

Simulações realizadas com dados da FUVEST de 2006 indicam que esse fator elevaria de 23,6% para 30% o número de ingressantes oriundos da escola pública. Esse impacto será maior nas carreiras de elevada procura (p. ex., medicina, direito, jornalismo), nas quais um pequeno acréscimo na nota representa o avanço de muitas posições na classificação geral.

Prevê-se ainda a instituição do Sistema de Avaliação Seriada para escolas de Ensino Médio da rede púbica que manifestem interesse de participar desse processo. Para tanto, será constituído um Grupo de Trabalho para, ao longo de 2006, propor a operacionalização da Avaliação Seriada que, quando implementada, poderá se combinar com o Sistema de Pontuação Acrescida, incluído nesta proposta em caráter emergencial e experimental.

Apresenta-se a seguir o conjunto de ações NO INGRESSO, que buscam ampliar o percentual de ingressantes provenientes da escola pública.

Ação 1. Implementar, em caráter experimental, o Sistema de Pontuação Acrescida, no qual um fator de acréscimo de 3% será aplicado às notas das 1ª e 2ª fases para alunos da rede pública

Desdobramentos:

Ação 2. Realizar modificações imediatas no Vestibular

Desdobramentos:

Ação 3. Implementar outras modificações graduais no vestibular

Desdobramentos:

Ação 4. Incluir o Sistema de Avaliação Seriada no processo de ingresso

Desdobramentos:



Ações após o ingresso

Uma política de inclusão social deve levar em consideração o oferecimento de múltiplos tipos de apoio indispensáveis aos alunos ingressantes, alvo dessa política, para que possam se manter no curso e completar com êxito seu trajeto escolar. Deve ainda assegurar apoio financeiro para que estes possam prosseguir seus estudos no curso escolhido, especialmente para os de período integral. Esse apoio basear-se-á em um Programa de Bolsas especialmente criadas para tal fim, que deverá incluir bolsas já existentes e ampliá-las numericamente.

Para dar cobertura institucional a essa proposta, será necessário criar um Fundo de Bolsas, do qual participem como gestores representantes de professores e alunos ligados às três áreas de conhecimento: exatas, biológicas e humanidades. Esse fundo deverá atender à Universidade como um todo, independentemente da origem dos recursos captados. A ele caberá a responsabilidade de captar, administrar e distribuir recursos destinados exclusivamente às bolsas acima referidas.

Os recursos poderão ser obtidos de diversas fontes: com o orçamento da USP; governos municipal, estadual e federal; agências de fomento (FAPESP, CNPq etc.); iniciativa privada – principalmente daqueles empreendedores instalados no campus, como é o caso dos bancos –; fundações que se beneficiam dos recursos humanos e materiais da USP; doações de ex-alunos e doações de maneira geral.

A permanência dos estudantes nos cursos requer ainda recursos de infra-estrutura, especialmente para os cursos noturnos, o que inclui investimentos em salas de aula (Programa Pró-Salas) e laboratórios (Programa Pró-Lab), salas Pró-Alunos, bibliotecas e serviços de apoio. O SIBi deve encontrar meios para garantir o atendimento dos usuários dos cursos noturnos durante todo o período das aulas e também aos sábados.

Nos diversos campi, será necessário aumentar o número de linhas de ônibus para atender um maior número de passageiros em menor espaço de tempo, dando ao aluno condições de voltar para casa após o término das aulas. Será necessário assegurar condições para que o aluno do período noturno possa se alimentar no campus. A segurança é outro ponto que deverá merecer especial atenção, bem como as condições específicas de ambiência e recursos que dizem respeito à moradia estudantil.

A formação cultural ampliada, de base humanística, será assegurada pela ampliação das oportunidades de convivência universitária que não se limite à área de formação específica. Ações serão empreendidas para promover maior divulgação e criação de novas possibilidades de participação em eventos artísticos e culturais, com a integração de museus, orquestras, cinemateca e outros institutos científicos e culturais para a ampliação do capital cultural dos alunos, buscando favorecer uma formação ampliada e interdisciplinar. Atenção especial será dada às ações culturais diretamente voltadas aos alunos que residem nas moradias estudantis.

Ação 1. Instituir um Fundo de Bolsas na USP



Ação 2. Implementar ações para reduzir a evasão

Desdobramentos:



Ação 3. Integrar ensino, pesquisa e extensão na graduação.

Desdobramentos:



Ação 4. Aprimorar a gestão acadêmica dos cursos visando favorecer o melhor aproveitamento pelo aluno



Ação 5. Ampliar as oportunidades de acesso dos estudantes a bens culturais oferecidos pela Universidade

Ação 6. Valorizar a convivência universitária a fim de concretizar a integração entre os campos do saber

Ação 7. Assegurar infra-estrutura compatível com as necessidades dos cursos, especialmente dos noturnos



Avaliação das ações

Apoiar, conduzir e financiar a realização de pesquisas sobre a implementação, o desenvolvimento e a avaliação dos resultados do Programa de Inclusão Social da USP.



Outras ações

Ação 1. Criar um Portal de Inclusão Social na Universidade de São Paulo

Ação 2. Implementar ensino a distância

III. INDICADORES E RECURSOS: a serem detalhados



IV. GERENCIAMENTO DO PROGRAMA DE INCLUSÃO SOCIAL

1. Constituir um FUNDO ESPECIAL para o financiamento do PROGRAMA. Para isso, criar linha específica no orçamento da USP, a ser significativa e progressivamente ampliada com recursos provenientes de diversas fontes, a saber:

2. Criar um GRUPO GESTOR do PROGRAMA.

* A Universidade de São Paulo desenvolve um conjunto de ações voltadas para o atendimento aos alunos com deficiências, em consonância com as diretrizes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Essas ações integram o presente Programa.