Parte da infância entrevista na parede do hospital, enquanto a pupila

compara o peso da espera

ao guindaste catando cáries na arcada quase escancarada

 

da paralisia; a vista em convulsão movimenta imagens que o crânio,

 

espantado, não consome nem repudia antes de poder lamber

ou apalpar. Caminhando pelo corredor será possível tropeçar,

 

primeiro, uma fala fraturada, depois, um silêncio de novo intoxicado

com desinfetante. (A mudez

condensa uma azia clinicamente intensa.) Quando o cérebro,

 

neste incêndio sem solidão, dilata um áspero pensamento, a testa

 

range de tão enferrujada mas não cala. Pelo contrário,

latejando, aceita ser difícil esquecer que alguma solidez ainda desespera.

 

 

de Mares inacabados