Adote um parágrafo - Instruções

Este é um experimento de tradução colaborativa do projeto Adote um Parágrafo -
http://adoteumparagrafo.pbwiki.com. Para participar, coloque o seu nome logo acima de um dos parágrafos. Isso servirá para sinalizar que o parágrafo já tem tradutor e também para você receber crédito pelo trabalho.

Não apague o texto original, escreva sobre ele e em negrito. Se tiver tiver alguma dúvida ou quiser deixar um comentário sobre a tradução, use letra MAIUSCULA.

Para facilitar o trabalho, você pode usar ferramentas de tradução online como http://translate.google.com para fazer a tradução literal e depois usar dicionários inglês-português abertos como o http://www1.uol.com.br/babylon ou o
http://dictionary.reference.com para tirar dúvidas sobre palavras e termos específicos.

Quando você quiser explicar um termo específico, ao invés de usar nota de roda-pé, insira um link para o verbete na Wikipedia -
http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page

Quando várias pessoas estiverem trabalhando simultaneamente no documento, escolha um parágrafo mais afastado para não correr o risco de fazer trabalho repetido.

Faça o melhor que você puder, mas não gaste mais do que 10 minutos com isso, do contrário, a colaboração se torna um peso e o projeto perde o sentido.

Obrigado! Juliano - http://adoteumparagrafo.pbwiki.com

Atenção: Esta tradução está encerrada e logo será publicada. Em breve haverá um novo documento à disposição para quem quiser ajudar a traduzir. Obrigado!

(*) @penas OBS: Atenção, todo o artigo, excelente,  é baseado em mitologia da TV que não repercute em nossos cérebros brasileiros. "A Ilha dos Birutas" passou no Brasil recentemente no canal TCM de velharias no cabo, enquanto nos USA representa a série maxima de sessão da tarde, que todo mundo viu, em reprise permanente desde 1964. Isto nos deixa sem contexto e talvez, apenas balançando a cabeça, fazendo de conta que faz sentido. É dificil *traduzir* deste modo e valer a pena. Este artigo merece um resumo em portugues, direto à conclusão, talvez mencionando novelas ou desenhos do picapau.... #prontofalei #sensocritico

@JULIANO - PENAS, TIVE ESSA SENSAÇÃO AO LER O ARTIGO, MAS ME ANIMOU O FATO DELE: 1) RESPONDER DE MANEIRA PROVOCATIVA UM TEXTO MUITO CONHECIDO DO SHIRKY (NAO É PARA QUALQUER UM) E 2) LEVANTAR A QUESTAO DA TECNO-UTOPIA. QUERIA PROPOR UMA SOLUÇÃO PARA ESSE IMPASSE: FAZERMOS AS DUAS COISAS. O TEXTO É BEM CURTO. TERMINANDO A TRADUÇÃO, 1) TRABALHAMOS EM UMA VERSÃO CONDENSADA E 2) NA VERSAO INTEGRAL, INCLUIMOS UM PARÁGRAFO INTRODUTÓRIO BASICAMENTE CONTENDO O SEU APARTE ACIMA. QUE TAL?

@penas Ok, esta é uma boa discussão. Até para ajudar numa distancia critica minima sobre tudo que lemos o dia inteiro em ingles, balançando a cabeça...é disso que se trata...!

@juliano a proposito, o titulo proposta é muito bom!

Gilligan's web por Nicholas Carr- http://www.roughtype.com/archives/2008/05/gilligans_web_1.php

A Web dos Birutas... (*)

1. JULIANO SPYER
Despite the party-pooperism of the Deletionists, the true glory of Wikipedia continues to lie in the obscure, the arcane, and the ephemeral. Nowhere else will you find such painstakingly detailed descriptions of TV shows, video games, cartoons, obsolete software languages, Canadian train stations, and the workings of machines that exist only in science fiction. When I recently felt an unexpected pang of nostalgia for the animated canine inventor Mr. Peabody and his Wayback machine, I knew exactly what to do: head to Wikipedia. Among the gems I unearthed: the Wayback machine was actually the WABAC machine ("a play on early computers such as UNIVAC and ENIAC"), Sherman was Mr. Peabody's adopted son, Mr. Peabody was not only a genius but "arguably a polymath," and Sherman's "personality was that of a naive but fairly bright, energetic young boy." Whatever else it may be, Wikipedia is a monument to the obsessive-compulsive fact-mongering of the adolescent male. (Never has sexual sublimation been quite so wordy.)

Apesar da mentalidade estraga prazeres dos Apagacionistas, a verdadeira glória da Wikipédia continua a se manifestar nas coisas obscuros, misteriosas e efêmeras. Em nenhum outro lugar você encontrará descrições cuidadosamente detalhadas de programas de TV, video games, desenhos animados, linguagens de programação obsoletas, estações de trem canadense, bem como o funcionamento das máquinas que só existem na ficção científica. Quando eu senti recentemente uma dor inesperada de nostalgia para o inventor animado canino Sr. Peabody* e sua máquina Wayback**, eu sabia exatamente o que fazer: direto para Wikipedia. Entre as jóias que eu desenterrei: a máquina Wayback foi efectivamente o máquina WABAC ( "um jogo de palavras com os nomes dos primeiros computadores como o UNIVAC e o ENIAC"), Sherman foi o filho adotivo do Sr. Peabody, o Sr. Peabody era não apenas um gênio, mas "possivelmente um sábio ", e a personalidade de Sherman "era de um rapaz ingênuo mas bastante brilhante e cheio de energia". Independentemente das outras coisas que ela for, a Wikipedia é um monumento ao comportamento obsessivo-compulsivo do adolescente masculino de guardar informação inútil.
*
http://en.wikipedia.org/wiki/Mr._Peabody
** http://en.wikipedia.org/wiki/Wayback_machine

2 BIANCA HAYASHI
My favorite example is the Wik's wonderfully panoramic coverage of the popular sixties sitcom Gilligan's Island (*). Not only is there an entry for the show itself, but there are separate articles for each of the castaways - Gilligan, the Skipper, the Professor, Mary Ann, Ginger, Thurston Howell III, and Eunice "Lovey" Howell - as well as the actors that played the roles, the ill-fated SS Minnow, and even the subsequent TV movies that were based on the show, including the 1981 classic The Harlem Globetrotters on Gilligan's Island. Best of all is the annotated list of all 98 of the episodes in the series, which includes a color-coded guide to "visitors, animals, dreams, and bamboo inventions." (I need to pause here to point out that some nebbish of a Deletionist - pardon the redundancy - has put at the top of the main entry for Gilligan's Island a notice saying that "this article resembles a fan site" and calling on wikipedians to "please help improve this article by removing excessive trivia." Fie on you, you wikifascist! Fie, I say!)

Meu exemplo favorito é a maravilhosa cobertura panorâmica na Wikipedia da série popular dos anos 60, "A Ilha dos Birutas". Não apenas tem um verbete para o programa, mas artigos separados para cada um dos personagens do elenco - Gilligan, o Skipper, o Professor, Mary Ann, Ginger, Thurston Howll III e Eunice "Lovey" Howell - assim como os atores que interpretaram os papéis, o azarado SS Minnow, e até mesmo filmes para TV subsequentes baseados no programa, incluindo o clássico de 1981, The Harlem Globetrotters on Gilligan's Island. O melhor de tudo é a lista dos 98 episódios da série, que inclui um guia colorido para "visitantes, animais, sonhos e invenções de bambu". (Preciso de uma pausa aqui para avisar que algum pobre coitado apagacionista - perdão pela redundância - colocou no topo da página principal do verbete de a "Ilha dos Birutas" uma nota dizendo que "este artigo tem aparência de um site de fã" e convocando os wikipedianos: "por favor, ajude a melhorar o artigo removendo os detalhes não importantes". Vergonhoso, seus wikifascistas! Eu digo: isso é uma vergonha!)

3 BIANCA HAYASHI
It goes deeper than Wikipedia, though. Gilligan's Island has been a great motivator of user-generated content across the breadth of the web. Check out this YouTube take on the eternal question "Mary Ann or Ginger?":

E eu penso que isso vai mais fundo do que a Wikipedia. "A Ilha dos Birutas" tem sido um grande motivador de conteúdo gerado pelo usuário em todos os cantos da web. Veja este vídeo no YouTube com a eterna questão "Mary Ann ou Ginger?":


4.JOANA MENDES
In fact, if I were called in to rename Web 2.0, I think I'd call it Gilligan's Web, if only to underscore the symbiosis between the pop-culture artifacts of the mass media and so much of the user-generated content found online.

Na verdade se eu fosse chamado para dar um novo nome para a Web. 2.0, eu a chamaria de a Web dos Birutas, somente para ressaltar a simbiose entre os artefatos pop culturais da midia de massa e os o conteudo gerado pelos usuários encontrados online.

5. JOANA MENDES
So imagine my bewilderment when, a few days ago, I read a transcript of a recent speech that the new-media scholar Clay Shirky gave to a big Web 2.0 confab in which he argued that Gilligan's Island and Web 2.0 are actually opposing forces in the grand sweep of human history. Whoa, nelly. Is Professor Shirky surfing a different web than the rest of us?

Entao, imagine minha supresa quando, há alguns dias, eu li uma recente transcrição do discurso do academico de novas mídias Clay Shirky deu em uma grande conferencia sobre Web 2.0 em que ele argumenta que a Ilha dos Birutas e a Web 2.0 são forças opostas nesta grande mudança da história humana. Estará o professor Shirky surfando em uma web diferente da nossa?

6. CAROLINA MAIA
To Shirky, the TV sitcom, as exemplified by Gilligan's Island, was "the critical technology for the 20th century." Why? Because it sucked up all the spare time that people suddenly had on their hands in the decades after the second world war. The sitcom "essentially functioned as a kind of cognitive heat sink, dissipating thinking that might otherwise have built up and caused society to overheat." I'm not exactly sure what Shirky means when he speaks of society overheating, but, anyway, it wasn't until the arrival of the World Wide Web and its "architecture of participation" that we suddenly gained the capacity to do something productive with our "cognitive surplus," like edit Wikipedia articles or play the character of an elf in a World of Warcraft clan. Writes Shirky:

Para Shirky, o sitcom televisivo, como exemplificado pelo programa A Ilha dos Birutas, foi "a tecnologia crítica para o século XX". Por quê? Porque sugou todo o tempo de sobra que as pessoas repentinamente tinham em suas mãos nas décadas após a Segunda Guerra Mundial. O sitcom "funcionava essencialmente como uma espécie de dissipador de calor, dissipando pensamentos que de outra forma poderiam ter se organizado e feito com que a sociedade superaquecesse". Não estou exatamente certo do que Shirky quis dizer com "superaquecimento da sociedade", mas, de qualquer forma, não foi antes do surgimento da Rede Mundial de Computadores e sua "arquitetura de participação" que nós subitamente adquirimos a capacidade de fazer algo produtivo com nosso "excedente cognitivo", como editar artigos da Wikipédia ou interpretar o papel de um elfo num clã de Wolrd of Warcraft. Shirky escreve:

7 carolina maia
    Did you ever see that episode of Gilligan's Island where they almost get off the island and then Gilligan messes up and then they don't? I saw that one. I saw that one a lot when I was growing up. And every half-hour that I watched that was a half an hour I wasn't posting at my blog or editing Wikipedia or contributing to a mailing list. Now I had an ironclad excuse for not doing those things, which is none of those things existed then. I was forced into the channel of media the way it was because it was the only option. Now it's not, and that's the big surprise. However lousy it is to sit in your basement and pretend to be an elf, I can tell you from personal experience it's worse to sit in your basement and try to figure if Ginger or Mary Ann is cuter.

Você chegou a ver aquele episódio de A Ilha dos Birutas em que eles quase conseguem sair da ilha e então Gilligan faz algo errado e então eles não escapam? Eu vi. Eu vi aquele episódio muitas vezes quando eu estava crescendo. E cada meia hora que eu assistia era meia hora em que eu não estava postando no meu blog ou editando a Wikipedia ou contribuindo numa lista de discussões. Agora, eu tenho uma boa desculpa para não ter feito essas coisas, que é o fato de que nenhuma delas existia naquela época. Fui forçado ao canal da mídia como ela era porque era a única opção. Hoje não é, e essa é a grande surpresa. Não importa o quão ridículo seja sentar em seu porão e fingir ser um elfo, posso garantir por experiência própria que é pior sentar em seu porão e tentar decidir quem é mais bonita, se Ginger ou Mary Ann.

8 RAFAEL PARENTE
Shirky's calculus seems to go something like this:

    Spending a lot of time watching Gilligan's Island episodes: bad

    Spending a lot of time watching Gilligan's Island episodes and then spending a lot more time writing about the contents of those episodes on Wikipedia: good

O cálculo de Shirky é algo assim:

     Gastar muito tempo assistindo os episódios de A Ilha dos Birutas: ruim

     Gastar muito tempo assistindo os episódios d
e A Ilha dos Birutas e depois gastar muito mais tempo escrevendo sobre o conteúdo desses episódios assistidos na Wikipédia: bom

9. JOANA MENDES
But that's not quite fair, because Shirky is making a larger argument about society and its development. He's got bigger fish to fry than Gilligan and his quirky mates. Scott Rosenberg does a nice job of summing up Shirky's argument:

Mas isto nao é justo, porque Shirky está defendendo um argumento mais importante a respeito da sociedade e seu desenvolvimento. Ele tem mais o que fazer do que se importar com o Gilligan e seus amigos esquisitos. Scott Rosenberg faz um bom trabalho ao resumir os argumentos de Shirky:

10 RAFAEL PARENTE
    In brief, he suggests that [during the early years of the Industrial Revolution] the English were so stunned and disoriented by the displacement of their lives from the country to the city that they anesthetized themselves with alcohol until enough time had passed for society to begin to figure out what to do with these new vast human agglomerations — how to organize cities and industrial life such that they were not only more tolerable but actually employed the surpluses they created in socially valuable ways.

Resumidamente, ele sugere que (durante os primeiros anos da Revolução Industrial) os ingleses estavam tão chocados e desorientados pelas mudanças em suas vidas da área rural para a cidade que eles se auto-anestesiaram com álcool até que tempo suficiente tivesse passado para a sociedade começar a entender o que fazer com essas enormes novas aglomerações humanas - como organizar cidades e a vida industrial, tanto que eles não só seriam mais tolerantes, mas realmente utilizavam as sobras do que eles criavam em coisas de valor social.

11 RAFAEL PARENTE
    This is almost certainly an oversimplification, but a provocative and fun one. It sets up a latter-day parallel in the postwar U.S., where a new level of affluence created a society in which people actually had free time. What could one possibly do with that? Enter television — the gin of the 20th century! We let it sop up all our free time for several decades until new opportunities arose to make better use of our spare brain-cycles — Shirky calls this “the cognitive surplus.” And what we’re finally doing with it, or at least a little bit of it, is making new stuff on the Web.

Isso é, quase com certeza, uma enorme simplificação, mas também é uma afirmação provocativa e divertida. Ela estabelece uma paralelo futuro com o EUA do pós-guerra, onde um novo nível de riqueza criou uma sociedade na qual as pessoas tinham, de fato, tempo livre. O que as pessoas podiam fazer com ele? Veja a televisão - a bebida alcóolica do século 20! Nós a deixamos ficar com todo nosso tempo livre por várias décadas até que novas oportunidades apareceram para fazer melhor uso dos nossos ciclos cerebrais disponíveis - Shirky chama isso de "o excedente cognitivo". O que nós estamos finalmente fazendo com nosso tempo livre, ao menos com um pouco dele, é criando novas coisas na internet.

12 BIANCA HAYASHI
What Shirky is doing here, in essence, is repackaging the liberation mythology that has long characterized the more utopian writings about the Web. That mythology draws a sharp distinction between our lives before the coming of the Web (BW) and our lives after the Web's blessed birth (AW). In the dark BW years, we were passive couch potatoes who were, in Shirky's words, "forced into the channel of media the way it was because it was the only option." We were driftwood, going with whatever flow "the media" imposed on us. We were all trapped in Shirky's musty cellar.

O que Shirky está fazendo aqui, em essência, é re-empacotar a mitologia da libertação que há muito tempo caracteriza os textos mais utópicos sobre a Web. A mitologia faz uma distinção clara entre nossas vidas antes do advento da web (AW [antes da web]) e nossas vidas depois do nascimento divino da web (DW [depois da web]). Nos anos obscuros dias AW, nós nos sentávamos passivamente no sofá e estávamos, nas palavras de Shirky, "forçados ao canal da mídia do jeito que era, porque era nossa única opção".  Nós éramos pedaços de madeira flutuando, indo com a corrente que o rio da mídia nos impusesse. Estávamos presos ao porão mofado de Shirky.

13 - MÁRCIO GOMES
The Web, the myth continues, emancipated us. We no longer were forced into the channel of passive consumption. We could "participate." We could "share." We could "produce." When we turned our necks from the TV screen to the computer screen, we were liberated:

A Web, prossegue o mito, nos emancipou. Nós já não éramos empurrados passivamente para o canal de consumo. Podiamos "participar". Podiamos "compartilhar". Podiamos "produzir". Quando viramos nossos pescoços da tela da TV para a tela do computador, fomos libertados:


14 - MÁRCIO GOMES
    Media in the 20th century was run as a single race - consumption. How much can we produce? How much can you consume? Can we produce more and you'll consume more? And the answer to that question has generally been yes. But media is actually a triathlon, it 's three different events. People like to consume, but they also like to produce, and they like to share. And what's astonished people who were committed to the structure of the previous society, prior to trying to take this [cognitive] surplus and do something interesting, is that they're discovering that when you offer people the opportunity to produce and to share, they'll take you up on that offer.


A mídia no século 20 foi tratada como uma corrida única - consumo. Quanto é que podemos produzir? Quanto você pode consumir? Podemos produzir mais e vocês vão consumir mais? E a resposta a essa questão tem sido geralmente sim. Mas essa mídia é na verdade um “triathlon”, são três eventos separados. As pessoas gostam de consumir, mas também gostam de produzir, e elas gostam de compartilhar. E o que tem espantado as pessoas que estavam comprometidas com a estrutura da sociedade anterior, antes de tentar aproveitar este excedente [cognitivo] e fazer algo interessante, é que elas estão descobrindo que quando você oferece às pessoas a oportunidade de produzir e de partilhar, elas aceitam esse desafio.


15 BIANCA HAYASHI
I think we'd all agree that the Web is changing the structure of media, and that's going to have many important ramifications. Some will be good, and some will be bad, and the way they will all shake out remains unknown. But what about Shirky's idea that in the BW years we were unable to do anything "interesting" with our "cognitive surplus" - that the "only option" was watching TV? That, frankly, is bullshit. It may well be that Clay Shirky spent all his time pre-1990 watching sitcoms in his cellar (though I very much doubt it) but I was also alive in those benighted years, and I seem to remember a whole lot more going on.

Acho que todos concordamos que a web está mudando a estrutura da mídia e isso terá muitas ramificações importantes. Algumas serão boas e algumas serão ruins, e a forma como elas acontecerão permanece desconhecida. Mas e a idéia de Shirky de que nos anos antes da web nós éramos incapazes de fazer algo "interessante" com o nossa "cognitiva excedência" - que a "única opção" era assistir TV? Isso, francamente, é bobagem. Pode ser que Clay Shirky tenha passado todo seu tempo antes de 1990 assistindo séries em seu porão (embora eu duvide muito) mas eu também vivi nesses anos obscuros e lembro de muito mais coisas acontecendo.

16 BIANCA HAYASHI
Did my friends and I watch Gilligan's Island? You bet your ass we did - and thoroughly enjoyed it (though with a bit more ironic distance than Shirky allows). Watching sitcoms and the other drek served up by the boob tube was certainly part of our lives. But it was not the center of our lives. Most of the people I knew were doing a whole lot of "participating," "producing," and "sharing," and, to boot, they were doing it not only in the symbolic sphere of the media but in the actual physical world as well. They were making 8-millimeter films, playing drums and guitars and saxophones in bands, composing songs, writing poems and stories, painting pictures, making woodblock prints, taking and developing photographs, drawing comics, souping up cars, constructing elaborate model railroads, reading great books and watching great movies and discussing them passionately well into the night, volunteering in political campaigns, protesting for various causes, and on and on and on. I'm sorry, but nobody was stuck, like some pathetic shred of waterborne trash, in a single media-regulated channel.

Meus amigos e eu assistíamos a "Ilha dos Birutas"? Pode apostar que sim - e nos divertíamos muito (embora com uma perspectiva um pouco mais irônica do que Shirky permite). Assistir séries e outros enlatados servidos pela televisão certamente era parte de nossas vidas. Mas certamente não era o centro de nossas vidas. A maioria das pessoas que eu conheci estavam fazendo muito de "participação", "produção" e "compartilhando" e não apenas na esfera simbólica da mídia, mas no mundo físico também. Eles estavam fazendo filmes de 8 milímetros, tocando baterias e guitarras e saxofones em bandas, compondo músicas, escrevendo poemas e estórias, pintando, fazendo impressões em madeira, tirando e entregando fotografias, desenhando quadrinhos, encerando carros, construindo linhas de trem elaboradas, lendo ótimos livros e assistindo grandes filmes e discutindo-os apaixonadamente pela noite, sendo voluntários em campanhas políticas, protestando por diversas causas, e muitas, muitas outras. Me desculpe, mas ninguém estava parado, como alguns pedaços de lixo no rio, em apenas um canal da mídia.

17 penas
Tom Slee, in a trenchant review of Shirky's new book, Here Comes Everybody, strips some of the bright varnish from the Net's liberation mythology. In the book, Shirky describes, with great intelligence and clarity, the social and economic dynamics of virtual communities. But he also, as Slee notes, indulges his enthusiasm for the Web in a way that draws, once again, an overly bright line between BW and AW:

Tom Slee, em sua penetrante critica do livro novo do Shirky, Here Comes Everybody, arranca um pouco do verniz brilhoso da mitologia de liberação da Net. No livro, Shirky descreve com clareza e inteligencia as dinâmicas sociais e economicas das comunidades virtuais. Mas, como o Slee nota, ele se entrega em seu entusiasmo pela web de um jeito que novamente cria uma linha exageragamente marcada entre o antes e o depois.


18 FLAVIA PENIDO
    Clay looks at the Internet and sees lots of groups forming (and things are easy to see on the Internet because even our most casual utterances get stored on someone's servers for posterity to investigate) and he concludes that the world is alight with a new groupiness, the likes of which we have never seen ... While Clay is telling us all about the use of digital technology to spark innovative forms of protest in Belarus, which is a fascinating story, we really need ... to ask why, with all these group-forming tools at our disposal and despite the documented disillusionment with the war in Iraq, there is so little coherent protest happening compared to previous wars? Is it really the case that society now is becoming, thanks to the internet, more democratic, more collaborative, and more cooperative than before? I am not convinced.

Clay olha para a Internet e vê vários grupos se formando (e as coisas são fáceis de se ver na Internet, porque mesmo as nossas verbalizações mais corriqueiras ficam armazenadas no servidor de alguém para serem investigadas na posteridade), e conclui que no mundo está a todo vapor uma nova forma de agrupamentos, de uma forma que nunca vimos antes... Enquanto Clay está nos contando tudo sobre o uso da tecnologia digital para desencadear novas formas de protesto na Bielorrússia, que é uma fascinante história, nós realmente precisamos ... perguntar por quais motivos, com todas estas ferramentas de agrupamento à nossa disposição e, apesar da comprovada desilusão com a guerra no Iraque, há tão pouco protesto coerente acontecendo, se os compararmos com as guerras anteriores? Será realmente que agora, graças à Internet a sociedade está se tornando mais democrática, mais colaborativa, e mais cooperativa do que antes? Eu não estou convencido.


19 SIMONE VOLLBRECHT

As Slee suggests, the liberation mythology evaporates when you actually take a hard look at history. It's worth remembering that Gilligan's Island originally ran on television from late 1964 to late 1967, a period noteworthy not for its social passivity but for its social activism. These were years not only of great cultural and artistic exploration and inventiveness but also of widespread protest, when people organized into very large - and very real - groups within the civil rights movement, the antiwar movement, the feminist movement, the folk movement, the psychedelic movement, and all sorts of other movements. People weren't in their basements; they were in the streets.

Como Slee sugere, a mitologia da libertação evapora quando você observa cuidadosamente a história. É válido lembrar que "A ilha dos birutas"originalmente passou na televisão do fim de 1964 ao fim de 1967, um período notório não por sua passividade social, mas sim por seu ativismo social. Estes foram anos não apenas de grande exploração e inventividade cultural e artística mas também de amplos protestos, quando pessoas organizadas em gigantescos - e reais - grupos dentro do movimento de direitos civis, o movimento anti-guerra, o movimento feminista, o movimento folk, o movimento psicodélico, e todas os outros. As pessoas não estavam em seus porões; elas estavam nas ruas.

20 Daniel Rezende
If everyone was so enervated by Gilligan's Island, how exactly do you explain 1968? The answer is: you don't, and you can't.

Indeed, once you begin contrasting 1968 with 2008, you might even find yourself thinking that, on balance, the Web is not an engine for social activism but an engine for social passivity. You might even suggest that the Web funnels our urges for "participation" and "sharing" into politically and commercially acceptable channels - that it turns us into play-actors, make-believe elves in make-believe clans.

As for the bigger question: Mary Ann.

 
Se todos foram tão anestesiados pela Ilha de Birutas, como você explica exatamente 1968? A resposta é: não explica, você não consegue.

 

De qualquer maneira, se você começa a comparar 1968 e 2008, você pode até se pegar pensando que, na média, a Web não é um motor de ativismo social, mas sim de passividade social. Você pode até sugerir que a Web aglutina os nossos desejos de "participação" e "compartilhar" em canais aceitos politica e comercialmente - que isso nos torna atores de teatro, elfos de faz-de-conta em clãs de faz-de-conta.
 
E sobre a questão mais importante [sobre quem é a mais bonita de A Ilha dos Birutas]:
Mary Ann.