O futuro do e´learning
O último seminário que come CREMIT nós organizamos junto aos amigos da equipe TIC do IUFP nos levou a refletir sobre muitas questões interessantes inerentes à relação entre TIC e formação: sistema de monitoramento e avaliação dos sistemas de e-learning, análise psicopedagógica dos fóruns (aqui a nossa especialista é Simona Ferrari), estratégias e políticas para a redução da exclusão digital.
Não entro no mérito nem da reconstrução do debate ativado pelas comunicações (muito rico e articulado), nem da complexidade de questões que a mesma tem aberto. Antes de tudo, são reflexões sobre o perfil e as competências do e-tutor, sobretudo em relação ao seu dever "clínico" nos confrontos da comunicação mediada que é produzida nas classes virtuais. Me limito a retomar apenas uma observação, trazida da discussão com Giorgio Comi. Giorgio notava como na passagem da comunicação presencial a uma comunicação mediada por computador, especificamente no fórum, se registre a passagem de um modelo de discussão narrativo a um classificatório: realmente, quando discutimos em presença, tendemos a nos recontar, enquanto no e-learning a discussão se torna muito mais voltada e direcionada para se fechar-se em um ângulo.
O que Giorgio observa é verdade. Mas é necessário enquadrar um outro tipo de processo, aquele que vê o ingresso cada vez mais insistente dos instrumentos da Web 2.0 dentro dos processos de formação online. Este ingresso, para se tornar cópia narrativa-classificatória, provavelmente redefine os equilíbrios levado de novo do eixo classificatório ao narrativo, ou, quando menos, favorece solda de todos os dois (como quando utilizamos um blog para ativar a aula). Mas a redefinição vai além das modalidades de discussão. Me limito a indicar outras duas linhas de tendência interessantes.
A primeira diz respeito ao perfil do formador. Depois que o e-learning redefiniu seu papel em termos distribuídos, no sinal do staff, a Web 2.0 parece trazer de novo a direção da formação ao formador "costurando de novo" em alguma maneira a distinção entre docente e tutor do e-learning.
A segunda tendência é relativa à plataforma. Senhora-marco do e-learning está vivendo uma crise: os responsáveis por isso são os ambientes wiki, mas também Google Apps Education, dos quais sabemos que muitas universidades (como a Arizona State Univeersity, por exemplo) já estão utilizando como plataforma alternativa às "clássicas" do e-learning. Se trata de um processo destinado a mudar muitas coisas, na formação e nas organizações. Menos custo, mais flexibilidade, uma interface mais fácil, integração total com a Web, nenhum problema de administração. Seria bom discutir tudo isso...