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Diogo Mainardi
O empresário Nassif
"O
empresário Nassif lucra com o patrocínio
oferecido por uma empreiteira ao seu site.
O jornalista Nassif elogia a empreiteira em
sua coluna, citando-a como exemplo de
'gestão inovadora' "
É bom brigar. É um
prazer brigar. Prefiro brigar quando não tenho razão. Quando não tenho
argumentos. No caso de minha briga com Luis Nassif, colunista da Folha
de S.Paulo, estou coberto de razão. Estou cheio de argumentos. Não
preciso enfiar dedo no olho. Não preciso recorrer a golpes baixos. Quase
não tem graça brigar com ele.
Quem começou tudo foi
Nassif. Ele me recriminou porque dedurei uma fonte. Respondi na coluna da
semana passada, desmerecendo sua autoridade moral. Na última terça-feira,
ele fez a bobagem de retomar o assunto, num artigo intitulado "O caso
Mainardi". No artigo, ele me define como um "showman", um
parajornalista. Não sei como definir Nassif. Ele é jornalista, mas é também
dono de um site de economia. A função de jornalista não é inteiramente
compatível com a de empresário. O empresário Nassif lucra com o patrocínio
oferecido por uma empreiteira ao seu site. O jornalista Nassif elogia a
empreiteira em sua coluna, citando-a como exemplo de "gestão inovadora".
O empresário Nassif recebe dinheiro de um banco oficial para seu site. O
jornalista Nassif defende o banco oficial em sua coluna.
No artigo da semana
passada, acusei Nassif de reproduzir informações fornecidas por uma fonte
suspeita. No caso, Luiz Roberto Demarco, que usou Nassif para defender seus
interesses contra Daniel Dantas. Nassif copiou integralmente uma mensagem
que Demarco mandou a vários outros jornalistas, sobre as negociações entre
o banco Opportunity e a Portugal Telecom.
Demarco:
Participaram das
negociações pelo lado do Opportunity, Daniel Dantas, Carlos Rodemburg,
Artur Carvalho, Veronica Dantas, Francisco Mussnich. Pelo lado da Portugal
Telecom, entre outros, Carlos Vasconcellos, o chefe mundial de
investimentos da PT, Eduardo Amaral Lyra Neto, ex-presidente da PT Brasil,
e Shakaf Wine, atual presidente da PT, e na época advisor de investimentos.
Nassif:
Pelo lado do
Opportunity, participaram das negociações Daniel Dantas, Carlos Rodemburg,
Arthur Carvalho, Verônica Dantas, Francisco Mussnich. Pelo lado da Portugal
Telecom, entre outros, Carlos Vasconcellos, chefe mundial de investimentos
da PT, Eduardo Amaral Lyra Neto, ex-presidente da PT Brasil, e Shakaf Wine,
atual presidente da PT e na época "advisor" de investimentos.
Para provar que Nassif
copiou a mensagem de Demarco sem conferir seu conteúdo, chamei atenção para
o fato de que ambos grafaram errado o nome de Shakhaf Wine. Se for para ser
implicante, se for para enfiar o dedo no olho, digo que eles grafaram
errado também o nome de Carlos Rodenburg. Pior: chamaram o então presidente
da Portugal Telecom, Eduardo Correia de Matos, de Eduardo Amaral Lyra Neto.
Nassif garante que consultou a Portugal Telecom antes de publicar seu
artigo. Duvido. A Portugal Telecom teria corrigido ao menos o nome de seu
presidente.
Nassif deu a entender
que minha coluna estava relacionada a um encarte publicitário de uma
empresa de Dantas, veiculado "com exclusividade" em VEJA. Na
verdade, o encarte foi veiculado também pelo jornal Valor, cujo dono
é o mesmo da Folha de S.Paulo. A mensagem de Demarco, diligentemente
copiada por Nassif, acusa Dantas de usar Marcos Valério para repassar
dinheiro ilícito à camarilha que apóia o governo Lula. Nesse ponto
só nesse ponto o empresário endividado num banco oficial Nassif preferiu
ignorar sua fonte. Deve ser uma questão de ética jornalística.
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