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LIGAÇÕES PERIGOSAS
Liminar havia beneficiado fundos
Juíza acusada pelo Opportunity é inocentada em processo no TJLUCIANA BRAFMAN DA SUCURSAL DO RIO
A ação movida pelo grupo Opportunity que pedia o impedimento da juíza Márcia Cunha de Carvalho, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, foi julgada improcedente pela 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça. Por unanimidade, os três desembargadores encarregados do caso entenderam que a decisão da juíza foi imparcial no caso que envolve a disputa entre Opportunity e fundos de pensão pelo controle da operadora Brasil Telecom. A juíza disse à Folha que a decisão da 8ª Câmara Cível lhe traz conforto. Segundo ela, a repercussão e os boatos envolvendo a ação deixaram uma "marca horrorosa" em sua vida. O Opportunity entrou com o pedido de exceção de impedimento com base no fato de a filha da juíza ter sido estagiária de um escritório de advocacia que representava os interesses dos fundos. A decisão contestada -uma liminar que suspendeu o acordo de acionistas que dava ao Opportunity o poder de votar em nome dos fundos e, conseqüentemente, controlar a Brasil Telecom- é contrária aos interesses do grupo de Daniel Dantas. Enquanto o impedimento de exceção era julgado, a juíza afirmou que um representante do Opportunity teria procurado seu marido, dono de um escritório de advocacia, com a proposta de pagar a ele um salário fixo por mês. A juíza Márcia Cunha afirma que chegou a adoecer com as acusações de parcialidade. "É um peso incomensurável. Fiquei doente. É horrível porque você constrói uma carreira passo a passo, ano a ano e, de repente, um "nada" vira um negócio que foge ao controle e causa uma ofensa moral, porque as pessoas lêem jornal e vão acreditar no que está ali. O que mais dói é ser comparada aos verdadeiros patifes. Isso é uma marca horrorosa que nunca vai se apagar da minha vida, por mais que eu venha a ser absolvida." A juíza disse que não pensou em largar o caso. "Não há motivo para isso. Estou segura da minha imparcialidade nesse e em qualquer outro processo." Como conseqüência do questionamento do Opportunity, a juíza ainda responde a um processo administrativo no Órgão Especial do Tribunal de Justiça. É como uma reclamação disciplinar, com a alegação de que a juíza deveria ter se abstido de decidir porque estaria impedida de fazê-lo em razão do emprego da filha. Com o impedimento de exceção julgado improcedente, a representação disciplinar contra a juíza não é anulada automaticamente. Com a manutenção da juíza, o processo volta agora à 2ª Vara para que saia, então, a sentença. Márcia Cunha vai reavaliar o processo, já que há novas argumentações e novos réus. Ela acredita que, até o início do ano que vem, dará sua sentença -que pode confirmar ou não a liminar. "Seja qual for a decisão, tenho certeza de que haverá recursos. É a maior disputa societária da história do país. São R$ 15 bilhões. É muito dinheiro", declarou a juíza.
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