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ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ GUERRA DAS TELES
Afirmação está em carta enviada à Justiça dos EUA, onde banco tem litígio com Citibank
Grupo Opportunity acusa PT de persegui-lo por negar propina
JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
Documento enviado pelo Opportunity à Justiça dos Estados
Unidos afirma que o grupo foi
procurado pelo PT, em 2002 e
2003, e recebeu um pedido de
propina de "dezenas de milhões
de dólares".
O texto -uma carta assinada
pelos advogados americanos do
Opportunity- foi apresentado
ontem na CPI dos Bingos durante
o depoimento do ex-secretário do
PT Silvio Pereira. O presidente do
PT, Ricardo Berzoini, negou a veracidade das acusações do documento.
"O ódio e a perseguição relacionados ao Opportunity começaram com a
recusa do banco, em 2002 e 2003, de aceitar a sugestão do Partido dos
Trabalhadores de pagar dezenas de milhões de dólares ao partido, para
evitar pressões governamentais sobre o Opportunity", diz o escritório
de advocacia Boies, Schiller & Flexner, signatário do documento.
De acordo com a versão do Opportunity, a abordagem petista foi
informada ao Citibank -então
associado ao banco brasileiro-,
na época em que ocorreu por
meio de várias conversas. Ao saber da tentativa de aproximação
do PT, o Citi, ainda segundo o
Opportunity, concordou com a
sugestão do banco brasileiro e negou o repasse. Procurado pela Folha, o Citi não confirmou as informações.
A carta apresentada ontem pelo
líder do PSDB no Senado, Arthur
Virgílio (AM), não diz quem teria
procurado o Opportunity. A Folha apurou que o controlador do
grupo, Daniel Dantas, não foi
abordado diretamente e que mais
de uma pessoa ligada ao PT mandou recados a outros executivos
sobre doações. A insinuação era
que uma contribuição entre R$ 90
milhões e R$ 110 milhões poderia
aplacar o clima de guerra do governo contra o banqueiro.
Procurado pela reportagem,
Dantas recusou-se a comentar a
carta. Interlocutores dizem, no
entanto, que ele está disposto a falar sobre o assunto no Congresso,
se for chamado, e que tem documentos sobre o tema.
Juiz
A carta na qual o Opportunity se
refere ao suposto pedido de propina foi protocolada no último
dia 13 na Corte de Nova York, sob
o número 315, e encaminhada ao
juiz Lewis Kaplan. O acesso ao documento, que integra ação judicial movida pelo Citi contra o Opportunity desde 2005, é público.
Entre 1998 e 2003, o Opportunity foi gestor dos recursos usados pelo
Citi para investir nas privatizações brasileiras. O dinheiro, US$ 700
milhões, foi alocado em um fundo de investimento chamado
CVC/Opportunity, controlador da Brasil Telecom, operadora de telefonia
fixa das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte que é alvo da maior disputa
societária ocorrida no Brasil.
As empresas romperam em
2003. O Citi acusa o Opportunity
de chantagem, fraude, negligência, conduta profissional indevida
e quebra de contrato. Pede US$
300 milhões como indenização.
A defesa do grupo de Dantas
afirma que todas suas decisões foram tomadas com anuência dos
americanos e que o governo do
PT empreendeu uma cruzada para afastar o banqueiro da administração do CVC/Opportunity.
Até a apresentação da carta de
Nova York, os motivos da suposta
perseguição não haviam sido esclarecidos pelo Opportunity.
A Brasil Telecom é disputada
por quatro sócios: Citigroup, fundos de pensão, Telecom Italia e
Opportunity. Os dois primeiros
formam um bloco contra os demais. Italianos e Opportunity tinham outro acordo entre si, mas
ele expirou no último dia 29.
O processo que corre em Nova
York é apenas um dentre várias
ações judiciais referentes à BrT.
Pela lei americana, os litigantes
são obrigados a apresentar aos
advogados contrários todos os
documentos que possam ser usados como provas nos autos.
Há correspondências, e-mails,
contratos e documentos assinados pelo Opportunity e pelo Citi
sendo esquadrinhados desde fevereiro. A maior parte desses papéis está sob sigilo processual.
Um dos e-mails, porém, foi citado na carta divulgada. Funcionários do Citi teriam afirmado a Verônica Dantas, irmã de Daniel
Dantas e então, uma das gestoras
do CVC, que "o governo do Brasil
-[o presidente] Lula, [o então
ministro da Fazenda] Palocci e [o
então ministro da Casa Civil] Dirceu- odeiam Daniel Dantas e
vão promover uma guerra para
afastá-lo da administração [do
fundo CVC/Opportunity]".
Dantas é considerado desafeto
da ala petista ligada ao movimento sindical bancário e aos fundos
de pensão, liderada por Luiz Gushiken. Coordenador da campanha presidencial do PT em 2002,
Gushiken afirmou publicamente
que o partido não aceitaria doações do Opportunity.
Mais tarde, o nome do banqueiro apareceu ligado ao do empresário Marcos
Valério e ao do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, amigo de
José Dirceu. Ambos tiveram negócios com a Brasil Telecom quando o
Opportunity administrava a empresa. Roberto Teixeira, compadre de Lula,
também foi contratado pela Brasil Telecom na época.
Colaborou LEILA SUWWAN,
de Nova York
Leia a íntegra do documento
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