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LUÍS NASSIF
O assessor do chefe
Não está fechando a história de que Marcos Valério visitou o presidente da Portugal Telecom, em Lisboa, como representante do presidente da República. Que ele foi, a empresa confirmou. E confirmou o tema da viagem: tratar da venda da Telemig para a Portugal Telecom. Ora, Valério trabalhava para a Telemig. A razão óbvia para sua ida a Portugal Telecom, em Lisboa, era conversar acerca da venda da Telemig, empresa controlada pelo banco Opportunity. Entre novembro de 2004 e janeiro de 2005, o Opportunity tentou vender a Telemig Celular à Portugal Telecom. As negociações se deram no 15º andar do Edifício Plaza Iguatemi, na avenida Faria Lima, em São Paulo, em frente ao shopping Iguatemi. O escritório -da Portugal Telecom- fica dois andares distante dos do Opportunity em São Paulo. Pelo lado do Opportunity, participaram das negociações Daniel Dantas, Carlos Rodemburg, Arthur Carvalho, Verônica Dantas e Francisco Mussnich. Pelo lado da Portugal Telecom, entre outros, Carlos Vasconcellos, chefe mundial de investimentos da PT, Eduardo Amaral Lyra Neto, ex-presidente da PT Brasil, e Shakaf Wine, atual presidente da PT e na época "advisor" de investimentos. A negociação durou três meses e, apesar de a Portugal Telecom estar disposta a pagar um preço bem acima do de mercado -porque a compra lhe daria abrangência nacional-, as negociações não prosseguiram. Por que não? Essa é a chave da questão para resolver esse enigma. Depois que houve o impasse, Valério entrou em cena, procurando o ex-ministro de Obras Públicas António Mexia, a quem foi apresentado pelo presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Valério se apresentou como representante do presidente da República do Brasil. Há inúmeros pontos que podem ser verdade ou mentira. Tanto Lula pode ter indicado quanto não; tanto Dirceu pode ter apresentado ou não. O único fato irrefutável é que Valério trabalhava para Dantas e foi a Portugal tratar da venda da Telemig Celular -logo após ter ocorrido o impasse nas negociações no Brasil. Não é difícil chegar ao final do novelo. Primeiro, basta saber dos negociadores da venda no Brasil -e os nomes estão mencionados- e onde ocorreu o impasse. Houve pedidos inaceitáveis? De que natureza? Problemas de valor ou problemas legais? Depois, explicar qual o papel de Valério para tentar reabrir as negociações. Especialmente, entender quem convenceu António Mexia de que Valério poderia se apresentar como assessor da Presidência da República. Não se sabe a quem Valério serve. Mas é possível saber: basta identificar quem ele está fulminando e quem ele está poupando.
Karina Houve leitores que não entenderam adequadamente. Mas a capa da "Revista da Folha" com a secretária Karina é uma obra-prima do jornalismo sarcástico, tanto texto quanto produção de fotos. Um clássico à altura de Joel Silveira.
E-mail - Luisnassif@uol.com.br
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