01/11/2007 15:05
Tendência norte-americana
Alguns analistas financeiros apontam que a coincidência de índices econômicos anunciados ontem nos Estados Unidos são antagônicos, deixando clara uma tendência de posição no Fed (banco central dos EUA).
Logo pela manhã foi anunciado que o crescimento do PIB norte-americano no terceiro trimestre deste ano, em fatores anualizados, foi de 3,9%.
O índice pegou o mercado - que baliza e governa a economia (e a política por suposto) americana - de surpresa. Surpresa positiva, pois mostrou que, bem no terceiro trimestre, quando eclodiu a crise nos mercados financeiros centrais, o crescimento do país se sustentou em índices elevados.
Colocou um pouco de lado as previsões de uma recessão da economia norte-americana no curto prazo.
Em seguida o Fed anunciou corte de 0,25% na taxa básica de juros dos EUA, baixando à 4,5% ao ano. A explicação virá na próxima semana, mas se antecipou que foi mais um sinal da autoridade monetária à favor de um arrefecimento da crise, tornando o crédito mais barato e, principalmente, estimulando opções mais arriscadas, como investimentos em ativos financeiros e ativos internacionais.
É nesse ponto que entra o Brasil, com o juro real mais alto do mundo.
O erro está em prever que o dado positivo do PIB trimestral anulará quedas subsequentes nos juros, como um sinal de aquecimento desmedido, que pode provocar inflação.
De fato a inflação deverá aumentar levemente, graças aos altos preços do petróleo e os importados mais caros, agora que o dólar está desvalorizado.
Mas a impulsão (também leve) nos termos de troca, isto é, nas exportações, será suficiente para manter o crescimento sem inflação.
Os juros podem ou não cair. Mas o que vai definir é a crise financeira, não a economia real.
02/11/2007 13:00
São Paulo Campeão - Brasileiro 2007 1º Turno
Como ferrenho são-paulino, não poderia deixar de homenagear a campanha do clube no Campeonato Brasileiro de 2007. Foi o quinto título do São Paulo Futebol Clube na história do Campeonato, se igualando ao Flamengo como o maior campeão do Brasileiro.
Aqui os jogos-chave do primeiro turno do Campeonato (disputados entre 12 de maio e 11 de agosto).
São Paulo 2 x 0 Goiás - 12/05/2007 - Jogo de estréia, disputado num Morumbi fechado, sem presença de público respeitando punição por invasão no Paraná, no final do ano passado. O time tinha acabado de ser desclassificado da Libertadores, e a vitória serviu de estímulo para o time.
Santos 0 x 2 São Paulo - 24/06/2007 - Após um empate insosso contra o Palmeiras, o segundo clássico no certame foi contra o Santos, campeão paulista, na Vila Belmiro. Jogando melhor o tempo todo, venceu o rival em seus domínios (mais uma vez) com gols de Aloísio e Dagoberto, numa época de críticas ao ataque tricolor. Foi também uma das últimas partidas de Ilsinho com a camisa do São Paulo, destaque da lateral-direita na conquista do Brasileiro de 2006.
Cruzeiro 1 x 2 São Paulo - 22/07/2007 - Numa fase ainda intranquila, o time continuava jogando melhor fora de casa. Venceu o Cruzeiro no Mineirão, de virada, com golaço de Hernanes, que começava a se firmar, com as ausências de Josué, constantemente convocado pela Seleção Brasileira.
Botafogo 0 x 2 São Paulo - 08/08/2007 - O São Paulo tinha acabado de tomar a liderança do Botafogo, o que por si só, tornava a partida no Maracanã (mais uma fora de casa) uma final antecipada do primeiro turno. Pelas circunstâncias e pelo que se viu em campo, a partida acabou virando um dos símbolos do que depois se consumaria no título.
São Paulo 2 x 0 Atlético PR - 11/08/2007 - Três dias após a batalha vencida no Maracanã o São Paulo recebia o rival Atlético PR (nos últimos anos peça-chave das conquistas tricolores) para a última partida do primeiro turno. Jogando melhor matou o jogo no primeiro tempo, conquistando o turno.
A simbologia carregada na conquista do primeiro turno (todo liderado pelo Botafogo) foi um ataque eficiente nos imaginários dos principais rivais pelo título. Como campeão de 2006, O São Paulo era largamente apontado como o time à ser batido.
A partida contra o Atlético Paranaense acabou sendo a última de Josué com a camisa do São Paulo, vendido ao Wolfsburg da Alemanha. Este Blog abordou a perda de Josué na época. O texto "Até logo, Josué" pode ser lido clicando aqui.
02/11/2007 13:40
São Paulo Campeão - Brasileiro 2007 2º Turno
Como ferrenho são-paulino, não poderia deixar de homenagear a campanha do clube no Campeonato Brasileiro de 2007. Foi o quinto título do São Paulo Futebol Clube na história do Campeonato, se igualando ao Flamengo como o maior campeão do Brasileiro.
O segundo turno ainda em disputa, afinal o Campeonato só termina em 3 de dezembro. Mas já tem seu campeão desde quarta-feira última (31 de outubro) com a conquista matemática do bi-campeão São Paulo F.C.
A seguir os jogos-chave do segundo turno (ainda não concluído, repito), que possibilitaram a conquista do Brasileiro 2007.
Palmeiras 0 x 1 São Paulo - 29/08/2007 - Logo no início do segundo turno o São Paulo embalava, mas a imprensa ainda dava que o embate contra o rival Palmeiras poderia mudar a sorte do campeonato. A partida foi disputada no Parque Antártica, e como em outras oportunidades recentes, o São Paulo bateu o rival em seus domínios.
Rogério Ceni e Edmundo - Lance sintomático do que foi o duelo entre São Paulo e Palmeiras no Parque Antártica.
São Paulo 6 x 0 Paraná - 01/09/2007 - Jogando em casa para públicos crescentes, o time ganhava ritmo e jogava bonito. Goleou o Paraná por seis a zero, na maior goleada no Campeonato Brasileiro de 2007. Começava a isolar na liderança.
Vasco 0 x 2 São Paulo - 08/09/2007 - Quando o Vasco começava a apontar como distante rival pelo título (como Cruzeiro, Santos e Palmeiras) a coincidência da tabela permitiu o confronto entre ambos em São Januário. Nova vitória tricolor, que permanecia sem levar gols, e mais, vencendo dentro e fora de casa.
Internacional 1 x 2 Sâo Paulo - 30/09/2007 - Um dos grandes jogos do Campeonato. O Internacional fez ano medíocre, sem disputar nada a sério, mesmo sendo o atual Campeão do Mundo e contando com excelente elenco. Pela rivalidade recém adquirida entre os dois times, o confronto no Beira-Rio teve ares de final. A virada histórica do São Paulo sobre o Inter em sua melhor partida no ano praticamente matou o Brasileiro de 2007.
Fluminense 1 x 1 São Paulo - 13/10/2007 - Após bater o Internacional o São Paulo teve duas recaídas. Embora a distância para o segundo colocado (Cruzeiro) permanecesse enorme, o time dava sinais de cansaço. A partida contra o Fluminense, no Maracanã com 59 mil pagantes foi simbólica por apresentar um São Paulo cheio de desfalques (incluindo Rogério Ceni) buscar o resultado e sair com bela apresentação.
São Paulo 1 x 0 Cruzeiro - 21/10/2007, com 60.378 pagantes no Morumbi a final antecipada do segundo-turno, e consequentemente do campeonato, reservou ao São Paulo a chance de bater o Cruzeiro, vice-líder durante boa parte do segundo-turno. A vitória por um a zero (gol de Jorge Wagner) selou o título são-paulino, ao abrir uma distância de 15 pontos sobre Palmeiras e Santos, que passaram a dividir a segunda colocação. Matematicamente ainda não tinha terminado, mas moralmente estava estabelecido.
O jogo do título, disputado na quarta-feira 31 de outubro, São Paulo 3 x 0 América RN, com 69.989 pagantes no Morumbi será discutido em texto posterior.
03/11/2007 12:11
BNDES e os incentivos aos bens de capital
Entre os alicerces da nova política industrial, que está sendo planejada pelo BNDES e o Ministério do Desenvolvimento, os bens de capital tomam espaço principal.
Os técnicos do Ministério e os economistas do banco elegeram o setor como protagonista para a manutenção de um crescimento econômico sustentável. O economista André Nassif, do BNDES, desenvolveu trabalho ("Estrutura e competitividade da indústria de bens de capital brasileira") que servirá de linha mestra para a política de incentivos ao setor.
O primeiro passo foi a setorização desses incentivos, com o objetivo de obter maior avanço dos setores em que a produção doméstica já tem uma boa taxa de produtividade em relação aos bens importados e que podem aumentar suas exportações.
Quer dizer, haverá incentivos para as empresas com escala sedimentada no mercado interno com interesse em exportar; para empresas que competem exclusivamente no mercado interno; e para empresas que necessitam de estímulos para começarem a disputa contra os importados.
O setor de bens de capital apresenta grande déficit comercial, pois se importa mais do que se exporta. A produção nacional ainda é pequena, pouco estimulada porque muito dependente de grande capital. Segundo aponta o trabalho de André Nassif, de 1989 a 2006, as máquinas e os equipamentos tipicamente industriais representaram 54,99% das importações e apenas 37,43% das exportações.
O estudo promoveu uma classificação dos setores a fim de avaliar os que mereceriam maior apoio do BNDES. Os que exibem maior potencial de crescimento são: o de máquinas e equipamentos para extração mineral, para construção e para a agricultura; o de equipamentos de telefonia e transmissão de televisão e rádio; o de máquinas e rodoviárias; e o de equipamentos aeronáuticos.
Há também largo espaço para motores, bombas e equipamentos de transmissão, geradores e equipamentos de energia elétrica.
05/11/2007 20:42
Nota sobre o público-privado financeiro
Carlos Kawall deixou o governo em janeiro deste ano. Menos de cinco meses mais tarde assumiu o cargo de gestor de fundos do banco de asset Rio Bravo Investimentos, de Gustavo Franco e Winston Fristch. Mais cinco meses e Kawall acaba de anunciar sua saída da Rio Bravo.
Agora as pontuações. Kawall foi, durante oito anos, economista-chefe do Citibank, antes de assumir um cargo no setor público. Chegou ao BNDES para trabalhar na diretoria financeira e de mercado de capitais no final de 2004. Permaneceu até abril de 2006, quando substituiu Joaquim Levy (atualmente Secretário da Fazenda do Rio de Janeiro) como Secretário do Tesouro Nacional. Ficou até o final do ano passado.
A Rio Bravo Investimentos é das maiores gestores de fundos do mercado nacional, atuando fortemente em fundos imobiliários, carteiras da ações de empresas do Novo Mercado da Bovespa, fundos de participação (“private equity”) e fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs), os chamados fundos de recebíveis.
Seus fundadores e sócios, Gustavo Franco e Winston Fristch, trabalharam durante anos como diretores do Banco Central. Estavam no BC no período seminal de implantação do Plano Real, tendo, ambos, participação discricionária. Franco, inclusive, chegou a presidir o BC na fase final do câmbio fixo, entre 1997 e janeiro de 1999.
Kawall foi contratado pela Rio Bravo para iniciar e desenvolver a área de fundos multimercados (“hedge funds”), instituindo o fundo Rio Bravo Macro, que operou até agora com capitais próprios.
Gustavo Franco assumirá a responsabilidade pela gestão do fundo, dando início à captação de recursos junto a investidores institucionais e à estruturação de parcerias de distribuição para pessoas físicas.
05/11/2007 22:52
Ocupação da reitoria da PUC-SP
Recebo por e-mail mensagem de colega de Universidade sobre ocupação da reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, agora à noite, após audiência pública organizada pela Comissão do Redesenho Institucional.
"Escrevo para informar que a reitoria da PUC-SP acaba de ser ocupada. Com um redesenho institucional a toque de caixa, previsto para aprovação no Consun dia 12 de dezembro, período sem aula, com a universidade vazia, a Comissão de Redesenho realizou uma audiência pública hoje, 19h, em que não respodeu as demissões de professores e funcionários, nem o corte de bolsas.
Cerca de 300 estudantes se retiraram no fim da audiência e realizaram uma assembléia em frente ao teatro da universidade. Saíram em ato e ocuparam a reitoria.
A primeira assembléia está começando agora".
06/11/2007 07:00
O ajuste do dólar e a diplomacia
O Valor Econômico de ontem publicou artigo de Lawrence Summers, professor da Universidade de Harvard. Summers apresenta uma interessante visão sobre o declínio do dólar como moeda forte, como base para as reservas soberanas.
O economista destaca que o processo de declínio de uma moeda não é novo, muito menos surpreendente pelas circunstâncias que o provocam. A economia americana vêm caindo, com taxas de juros de curto prazo em queda e tensões financeiras em alta. Além disso, há um enorme déficit na conta corrente norte-americana.
E é neste ponto que reside a surpresa pelo processo. Há anos que a conta corrente americana vem financiando consumo, e não investimento, sendo que o financiamento se origina cada vez mais a partir de endividamento em vez da participação acionária e de dívida de prazo mais curto, em vez de mais longo.
Esse financiamento externo decorre das reservas que os bancos centrais têm acumulado. Historicamente os títulos do tesouro norte-americano são o alvo das aplicações que os países aplicam suas reservas. Esses títulos são considerados os mais seguros do mundo, por variados fatores, mas especialmente porque numa situação irreal de “corrida bancária” contra os títulos americanos, os Estados Unidos podem simplesmente emitir mais dólares para honrar todos seus títulos.
Na nova geografia mundial – iniciada na década 2000 – o países donos das maiores reservas são emergentes, com a China à frente, com reservas de US$ 1,3 trilhão. Todo esse dinheiro têm mantido a economia americana funcionando, a base de consumo (porque estes mesmos países encharcam os EUA com seus produtos importados), desde, principalmente a crise de setembro-outubro de 2001.
Esses dólares são acumulados através das intervenções dos respectivos bancos centrais, que adquirem as divisas que entram em seus países como parte das políticas de câmbio depreciado, que torna suas exportações mais baratas. Se, por um lado o dólar é visto como uma moeda com taxa flutuante, por outro, partes críticas e importantes da economia mundial operam com moedas lastreadas a paridades com o dólar ou, no mínimo, são administradas com elas em mente.
Como resultado dessas distorções, o dólar vêm lentamente se depreciando frente às moedas de seus principais parceiros comerciais - o euro alcançou recentemente sua maior cotação frente à moeda americana.
Ao mesmo tempo que o Fed (banco central americano) corta a taxa de juros básica americana (hoje valendo 4,5% ao ano), que baliza o rendimento dos títulos ofertados por seu tesouro. Com isso os fundos de riqueza soberana (SFW, siglas em inglês) têm crescido e ganhado forças para influir ainda mais sobre os EUA.
Agora não apenas se financia a economia com o dinheiro aplicado nos títulos públicos. Os SFW têm comprado participação acionária em empresas de todo o tipo, sendo os países donos desses fundos, donos de partes de empresas americanas.
Nesse ponto Lawrence Summers considera a política americana para reversão do quadro atual equivocada. A abordagem norte-americana com os chineses se dá no campo diplomático, com seu secretário do tesouro, Henry Paulson clamando por uma valorização do câmbio chinês, que corrigiria parte do gigantesco déficit comercial dos Estados Unidos com a China.
“Manter a estabilidade financeira global e o papel do dólar requer uma abordagem mais estratégica – uma tarefa que, considerando-se o calendário político, provavelmente recairá sobre o próximo governo dos EUA”. Segundo o economista americano deve-se mudar o enforque da discussão. Adepto das teorias de uma “boa globalização”, Summers acredita que a nova abordagem deve estar baseada numa economia global integrada e vistosa que beneficie os cidadãos de todos os países, não no conceito de que economistas ou políticos possam calcular taxas de câmbio “justas”.
Defende o multilateralismo para tratar da questão, formando um grupo – semelhante ao formado pelos países da União Européia nos primeiros anos de implantação do euro – que deve se reunir com freqüência e incluir dirigentes dos bancos centrais.
06/11/2007 13:15
90 anos da Revolução Russa
"A Revolução Russa culminou no dia 25 de outubro de 1917, no calendário russo (juliano), ou 6 de novembro, no nosso (Gregoriano). Vão-se portanto, 90 anos desde que o proletariado, unido aos camponeses pobres e aos soldados, organizado em sovietes (conselhos) e dirigido pelo Partido Bolchevique, tomou o poder da burguesia e instaurou o Estado operário".
"A revolução emergiu em plena guerra imperialista, encabeçada pela Alemanha e pela Inglaterra, que despedaçava a Europa e impunha miséria às massas. A Rússia se distinguiu do restante do continente europeu por ter um partido marxista profundamente enraizado na classe operária".
"Lênin demonstrou, em várias ocasiões, o perigo que corria a revolução devido ao isolamento e ao cerco econômico e militar impostos pelas potências. A derrocada da burguesia russa teria de ser continuada em outros países, sem o que a nova economia não teria como sobreviver".
"A constituição de duas tendências - a de Stálin e a de Trotsky - logo após a morte de Lênin, em 1924, se deu justamente sobre essa questão estratégica. O processo de restauração capitalista e desintegração da União Soviética deu razão a Trotsky".
"Nesses 90 anos, vimos o quanto a Revolução Russa marcou inteiramente o século XX. Foi necessário que, nas entranhas da própria revolução, se gerasse e desenvolvesse o germe da contra-revolução. A burocratização e a degeneração do Partido Bolchevique pela condução de Stalin, que sequer admitiu a preservação de Trotsky no exílio e que fez dos processos de Moscou (1934-1938) uma das maiores ignomínias da história, foram condições fundamentais para promover o termidor".
"O programa e os fundamentos da revolução de Outubro (Novembro) de 1917 mantêm-se intactos e atuais".
Erson Martins de Oliveira, em editorial para a Revista PUC Viva - Publicação acadêmica e informativa trimestral dos professores da PUC-SP.
06/11/2007 16:00
Questões políticas do noticiário
No entra-e-sai da reitoria da PUC-SP, ocupada por seus estudantes desde ontem à noite:
Indiscutível a falta de tino político do deputado petista Devanir Ribeiro, que estimula um plebiscito popular no ano que vem que decidirá se Lula deve ou não produzir nova emenda constitucional que permita nova reeleição.
Mas estão fazendo um bafafá danado, não apenas da proposta infeliz, mas também do próprio governo. Embora seja evidente que membros do alto escalão sejam favoráveis à um continuísmo lulista, é também evidente que a idéia é suicida.
Muito provavelmente Lula obteria o apoio popular necessário. Pode também não conseguir. A questão não é essa. Fato é que a discussão tomou proporções maiores que o esperado, mesmo com Lula negando sempre que pode.
Outro ponto supervalorizado pela mídia é em relação à política expansionista militar da Venezuela. Os jornalões de hoje trazem matérias e entrevistas com estudiosos e membros da área militar do governo brasileiro para tratar de um suposto acirramento bélico na região, estimulado por Hugo Chávez.
Entrevistado, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, foi sintomático: a situação do país, do ponto de vista de defesa aérea, não é confortável. Mas a campanha da Venezuela também não pode ser considerada uma ameaça.
Vale ressaltar o precioso artigo de Eliane Catanhêde, publicado na Folha de hoje, tratando do apagão aéreo - devido à falta de recursos desviados para o pagamento de juros, além de erros de gestão - e de como é deficiente o acompanhamento de certos temas.
07/11/2007 07:00
Sem pressão inflacionária à vista
Analistas de mercado e economistas de bancos têm insistido em comparar o atual crescimento da economia brasileira com o experimentado em 2004. Com isso esperam justificar o fim dos cortes nos juros Selic, que o Banco Central mantém em 11,25%. Na ponta, a intenção é até promover um aumento em algum momento do ano que vem.
A explicação para isso é que o atual crescimento é baseado, como em 2004, em um surto de demanda, que pressionaria a produção interna, que, por apresentar altos índices de ocupação, não acompanharia. Esse movimento geraria uma aceleração inflacionária no médio prazo, que seria estancada com novos aumentos nos juros.
Foi esse medo que proporcionou à ortodoxia implantada no Banco Central subir os juros à partir de setembro de 2004. Estavam em 16,25% ao ano, e o BC aumentou até parar em 19,75%. Essa decisão matou o desenvolvimento da economia brasileira pelos dois anos seguintes, apenas voltando à acelerar em 2007.
Daí que impressiona o estudo recém divulgado da equipe de macroeconomia do Credit Suisse no Brasil, chefiada por seu economista-chefe, Nilson Teixeira, que prova que o atual ritmo de expansão da demanda não é inflacionário.
O que o estudo do Credit Suisse fez foi dividir o IPCA (principal índice de inflação) em três grupos: alimentos e bebidas, serviços e preços livres (produtos industrializados excluindo a indústria de alimentos). Juntos, esses três grupos representam 69% di IPCA. Deixaram de fora apenas os preços administrados.
A inflação de alimentos e bebidas aumentou de junho de 2006 até setembro de 2007, por questões já discutidas por este Blog – quebras de safras, deslocamento de fins (alimentos se tornando biocombustíveis), etc. O índice de outubro já verá pequena queda, que deverá ser amplificada no restante do ano.
O segundo grupo, de serviços, após breve repique em agosto, começou a recuar em setembro e o Credit Suisse prevê 0,28% em outubro. A grande dúvida está no terceiro grupo, o dos preços industrializados, que representam um quarto do IPCA. Nesse grupo costuma-se analisar apenas a relação capacidade ociosa da industria e a demanda. Mas há mais fatores em jogo.
O principal deles é a taxa de câmbio. Como se sabe o real supervalorizado (abaixo dos R$ 1,75 por dólar) torna as importações mais baratas, em tempos de inundação de importados chineses. Ao mesmo tempo que estimula as importações, o preço baixo nos termos de troca torna as exportações mais caras, perdendo mercado externo para os mesmos produtos chineses, que chegam em larga escala em todos os mercados. E em grande quantidade.
Esse ponto é crucial para entender e prever uma inflação contida no médio prazo, ou enquanto durar essa política cambial do Banco Central. O aumento de demanda é atendido por uma gama cada vez maior de produtos importados.
E aí está posta outra discussão: até quando o setor de transformação nacional agüenta essa disputa.
08/11/2007 15:03
Instrução 450 e os interesses nacionais
Em março último a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em companhia de estudos do Banco Central (BC) publicou a Instrução 450, que autoriza fundos de varejo e fundos multimercados à aplicarem parte do dinheiro em ativos fora do país.
Essa internacionalização foi muito bem recebida pelo mercado em geral, especialmente o mercado de fundos, que há tempos fazia pressão para que instrução do tipo fosse aprovada.
É um passo lógico na liberalização financeira instituída no Brasil desde o governo Collor (1990), que começou à seguir a cartilha do Consenso de Washington.
Critiquei a medida aqui no Blog. As condições estavam (e estão) cada vez mais propicias ao investimento produtivo, seja direto através de fábricas e empresas, seja através de ações, que inflam o capital das empresas. A sequência de cortes nos juros básicos brasileiros trazia a nossa Selic para "patamares civilizados", destituindo a fonte de vida dos rentistas.
A Instrução 450 se antecipou à tal mudança de investimentos, ao permitir que fundos de varejo aplicarem até 10% no exterior, sendo de 20% o percentual para o caso dos multimercados (hegde funds). Há ainda estudos da própria CVM de possibilitar a criação de fundos que apliquem 100% no exterior.
Com isso, parte das aplicações financeiras nacionais passam a ser alocadas em ativos no exterior. É o suprassumo da exportação de capitais produtivos.
A visão dos profissionais do setor, lógico, continua a melhor possivel da medida. Vice-presidente executivo do Itaú e presidente da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid), Alfredo Setúbal, considera a medida ótima por permitir ao Brasil uma maior inserção na economia global.
Em entrevista à revista Capital Aberto afirmou que "do ponto de vista da indústria, vai permitir novas alternativas ao gestor, que poderá direcionar mais facilmente uma fatia do capital que administra para investimentos no exterior. Com mais produtos à disposição, o gestor poderá atender melhor o cliente. Além disso, os gestores serão obrigados a entender como funciona o mercado internacional, o que vai garantir a competitividade da indústria no longo prazo. Quem ganha com tudo isso é o investidor".
E pergunto aos 13 fiéis leitores, quem, mais uma vez, perde com tudo isso?
11/11/2007 12:52
Escrutínio das gestões ministeriais
O Ministério do Planejamento começa a preparar estudo – com previsão de conclusão para o primeiro trimestre do ano que vem – que traça um panorama do funcionalismo público. O objetivo é notar como são geridas as 38 pastas ministeriais, o que há em excesso, o que falta. O responsável pelo estudo é Francisco Gaetani, secretário de Gestão do Ministério do Planejamento (chefiado por Paulo Bernardo).
O foco principal está em perceber as diferentes gestões implantadas, e mais, as diferentes “portas de entrada” para os ministérios.
Os ministérios de Minas e Energia (do interino Nelson Hubner, já que o titular Silas Rondeau se afastou) e dos Transportes têm carência de pessoal nas funções estratégicas e excesso em atividades-meio, como agentes de portaria e administrativos. Já as pastas de Esportes, Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social, por exemplo, não possuem carreira estruturada e são compostos em boa parte por pessoas nomeados para cargos de confiança.
Já a pasta da Saúde demonstra o desnível gerencial público, parte por abandono, parte por ideologia, parte por irresponsabilidade. Do total de 9.928 servidores lotados na administração central (inclui os núcleos nos Estados), nada menos do que 3.638 são temporários e terão de ser substituídos por determinação do Ministério Público. Ou seja, mais de um terço não têm vínculo permanente com o órgão.
A secretária-executiva do Ministério da Saúde, Márcia Bassit, defende o fim da terceirização na pasta, na busca de profissionalizar a gestão com quadros permanentes. O trabalho de Márcia é contratar gestores. São apenas 25 especialistas em políticas públicas e gestão governamental.
Para Gaetani, responsável pelo estudo do Planejamento, é preciso profissionalizar a máquina estatal reduzindo o espaço para cargos de confiança, muito utilizados para nomeações políticas, e pondo fim à terceirização em áreas estratégicas do governo.
12/11/2007 07:00
Demanda recorde por aço
A queda nos juros (de 19,75% para 11,25% ao ano) e o início de implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm estimulado a demanda interna por materiais de infra-estrutura. O dinheiro está mais barato (pelos juros mais baixos, embora ainda exorbitantes) e a demanda existe, não apenas pelo consumidor na ponta, mas também pelas obras e projetos contratados pelo governo.
Com isso, o consumo interno de aço passou pelo maior crescimento de sua história em 2007, ainda a um mês do fim do ano. A expectativa é de um crescimento entre 15% e 18% sobre o ano passado. Fabricantes, distribuidores e clientes confirmam que a demanda doméstica está bastante aquecida. A demanda no país vem de quase todos os setores que usam aço, mas principalmente da indústria automotiva, da construção civil, de bens de linha branca, de máquinas pesadas, de equipamentos industriais, de tubos e de implementos agrícolas.
E a análise de nossa balança comercial permite notar que a queda constatada na exportação do produto é realocada para o mercado interno. Os despachos no mercado doméstico cresceram 14,7%. Em contrapartida, as exportações baixaram 14,8%. Cerca de 1,2 milhão de toneladas de material deixou de ser embarcado no período ao exterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).
Em tempos de preços internacionais alcançando patamares recordes, graças à demanda chinesa, que se industrializa rapidamente, importando aço em grandes quantidades, mesmo com produção interna elevada.
As siderúrgicas nacionais estão capitalizadas pelo boom dos últimos cinco anos, e seus reinvestimentos têm proporcionado ganhos de escala combinados à fusões e aquisições, como manda a regra do jogo. Daí que mesmo com embargues elevados para o exterior - com exportações de 10 milhões de toneladas – ainda atenderá a demanda interna brasileira, que consumirá 22 milhões de toneladas de aço no ano. Recorde da siderurgia do país.
Esses tempos de recordes da siderurgia nacional são resumidos pelas estimativas de Rinaldo Campos Soares, presidente do grupo Usiminas, maior fabricante de aços planos do país, e também presidente do IBS. Em entrevista ao Valor da última quarta-feira, Soares resumiu: “Se o PIB for de 4,5% a 5%, vamos crescer mais 10%, pelo menos, no próximo ano”.
12/11/2007 14:35
O escândalo e a concentração no leite
O recente “escândalo do leite” deverá acelerar a concentração no mercado do produto longa vida. Há algumas semanas atrás uma operação da Polícia Federal desbaratinou uma fraude de duas cooperativas de leite longa vida de Minas Gerais, que adulteravam o produto através da mistura com soda cáustica ou água oxigenada.
Os lucros oriundos de uma produção artificialmente inflada (afinal os milhões de litros produzidos e comercializados não eram só leite) foi em cima da intoxicação por soda cáustica.
Além de práticas ilegais de comércio, as cooperativas praticaram crime.
A concentração no mercado de longa vida já vêm de longe, mas deve ser acelerada com os iminentes ganhos de eficiência na fiscalização do Ministério da Agricultura. Acredita-se que muitas empresas baseiam sua competitividade na adulteração do leite.
Conforme reportagem do jornal Valor apontou, na edição deste final de semana, o retorno no segmento é baixo. Só a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado. A margem no longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro.
Atualmente são cerca de 140 marcas e aproximadamente 70 empresas. A conta fácil permite concluir que, na média, são duas marcas por empresa.
Sinais da concentração: No primeiro semestre a Eleva, que produz o leite Elegê, comprou os ativos da Paulista em Goiás. Recentemente a própria Eleva foi adquirida pela Perdigão, dona da marca Batávia.
12/11/2007 20:15
A governança corporativa no mercado acionário brasileiro
enviado por Adriane Piscitelli
A governança corporativa pode ser explicada como uma série de boas práticas a serem exercidas por empresas que pretendem se encaixar no mundo corporativo atual da boa governança. Essas práticas de gestão vieram à tona pois a sociedade como um todo buscou e continua a buscar por medidas de transparência na gestão empresarial. Logo, a solução da governança veio no momento certo para uma sociedade mais ética e moralmente gerida.
As boas práticas de governança possuem o intuito de ampliar valor perante à sociedade, de contribuir com o fácil acesso ao capital da empresa e de colaborar cada vez mais para que essas sejam ações contínuas.
Os principais pontos apresentados pela governança corporativa são: a transparência, a prestação de contas – accountability e a igualdade no tratamento dos acionistas da empresa.
Muitas vezes também é citada a responsabilidade socioambiental das empresas, no entanto, essa não seria uma das questões que sustente as boas práticas de gestão.
Dessa forma, a transparência diz respeito à comunicação entre empresa e o seu público, ou seja, as informações necessitam ser de fácil compreensão, como, por exemplo, através da execução de assembléias gerais.
São tratados diversos assuntos, desde eleições para o conselho administrativo da empresa, até fusões, cisões e incorporações. Se os acionistas possuírem ações ordinárias (ON) poderão exercer o direito ao voto, pois tais ações têm esse direito, já com as ações preferenciais (PN) não se pode votar, porém existe a prioridade no recebimento dos dividendos das empresas.
A prestação de contas – accountability - é feita por meio da divulgação dos balanços. É necessário que haja um conselho fiscal para controlar todos os atos administrativos. Assim como, a existência de um comitê de auditoria para que não haja erros na contagem dos balanços.
No Brasil, as companhias passaram a adotar a formação de tais comitês e também a utilização de auditorias independentes para a confirmação dos dados.
Além disso, ficou decretado pela Lei das Sociedades Anônimas, criada em 1976 no Brasil, que será obrigatória em toda companhia de capital aberto, a existência do conselho de administração, que é o órgão regulamentador da empresa. Não é possível que façam parte do conselho funcionários que já possuam cargos executivos dentro da companhia.
Enquanto que para assegurar a igualdade no tratamento dos acionistas das empresas, o artigo 254-A da Lei das S.As conferiu convergência dos interesses tanto dos controladores quanto dos minoritários com o tag along. Ou seja, nos casos de substituição do controle acionário da empresa, o requerente deve pagar, no mínimo, 80% pelas ações ON da companhia.
Há ainda casos que esse valor seja de 100% sobre as ações. Esse procedimento garante que os minoritários não saiam perdendo quando da transferência de poder das empresas.
Por fim, as boas práticas de governança corporativa ganharam força no Brasil aproximadamente há uns dez anos e vêm se aprimorando cada vez mais. No final de 2000, a Bovespa dividiu o grau de governança das empresas em três níveis, para que, desse modo, ficasse mais fácil tanto para os investidores, quanto para as próprias companhias que buscam se ajustar aos novos modelos de gestão do novo mercado.
Assim, a evolução da governança corporativa no Brasil acompanha a transformação e o desenvolvimento do mundo empresarial brasileiro. Tudo isso se deve também ao rápido crescimento e profissionalização das médias empresas brasileiras, além, é claro, dos programas de privatizações, que precisam de uma boa gestão e para isso recorrem às boas práticas de governança corporativa.
12/11/2007 22:05
Frase da semana que se inicia
"O Congresso é permissivo no trato da verba pública e pudico com os costumes; o contrário seria melhor".
Do jornalista Fernando de Barros e Silva, em sua coluna de hoje na Folha. Parafraseou o acadêmico alemão Theodor Adorno para tratar da censura às imagnes da travesti Rogéria, que faziam parte de exposição do fotógrafo Luiz Garrido no Salão Negro da Câmara.
13/11/2007 07:00
Debacle CMN x Mercado de volta à baila
O Conselho Monetário Nacional (CMN) é, segundo a hierarquia – e principalmente, a teoria – o órgão máximo da política monetária nacional. É formado pelo Ministro da Fazenda (Guido Mantega), do Planejamento (Paulo Bernardo), e pelo presidente do Banco Central (Henrique Meirelles).
É o CMN quem define os parâmetros que depois serão perseguidos pelo Banco Central, que, na prática, executa a política monetária (juros e câmbio) balizada pela meta de inflação definida pelo Conselho. Em junho produziu acertada decisão de manter a meta de inflação brasileira em 4,5% para os próximos dois anos. Mesmo contra a gritaria dos analistas do mercado, que pautam parte dos jornalistas de economia. O presidente do BC foi voto vencido – queria rebaixamento da meta para 4%, conforme o mercado indicava.
Agora no final de novembro nova reunião do CMN será decisiva para tornar algumas dinâmicas do sistema bancário nacional mais adequadas.
Entre as pautas da reunião estão a extinção da taxa de liquidação antecipada (TLA) de operações de crédito e um grau maior de transparência na cobrança das taxas de abertura de crédito (TAC) e será divulgada uma lista padronizada com as tarifas que os bancos poderão cobrar dos clientes, para facilitar a comparação entre valores. Novas tarifas só poderão ser criadas por instituições financeiras com autorização do BC.
Novamente o Conselho deverá se isolar do lobby do mercado, especialmente do setor bancário que têm em sua federação, a Febraban, sua linha de condução nas negociações. A prática da conduta bancária já demonstrou que a auto-regulação nestes pontos não funcionou.
13/11/2007 12:10
Espionagem internacional nas telecomunicações brasileiras
Segundo a revista italiana L’Espresso, citando documentos obtidos por ela, funcionários da Telecom Itália investigaram, no período 2003-2005, a Embratel, a Telefônica, a Vivo, a Telemar (Oi) e Brasil Telecom (BrT).
Especulava-se que se tratava de uma operação apenas focada na Brasil Telecom. A Telecom Itália era acionista da BrT e disputava com os outros sócios o controle da companhia nacional. A espionagem teria ocorrido durante as negociações.
De acordo com a L’Espresso, a espionagem da operadora se estendia da Europa até a América do Sul. Entre as empresas que estariam sendo investigadas estão a britânica Vodafone e a Vivo – ambas da espanhola Telefônica, a segunda em parceria com a Portugal Telecom – e a Telmex e a Embratel (do mexicano Carlos Slim).
Slim e a Telefônica disputavam, desde 2005, a aquisição de participação na companhia italiana, que é dona da TIM no Brasil. O negócio, anunciado em abril deste ano, foi vencido pela espanhola.
As informações obtidas pela L’Espresso fazem parte do pedido de prisão de três ex-funcionários da Telecom Itália que foram detidos na segunda-feira, em Milão. Eles seria integrantes do “Tiger Team” (Equipe Tigre), um gurpo de hackers que supostamente espionava as rivais da empresa.
13/11/2007 18:32
Petrobras e as turbulências de mercado
A queda nas ações da Petrobras não guardam relação alguma com a "economia real", muito menos com a situação da companhia. Depois da cavalar valorização dos papéis após a descoberta de reservas recordes de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, na semana passada, os investidores resolveram embolsar o lucro e passaram a vender.
E aí se dá o efeito manada. Já que há movimento de venda, para não esperar cair mais, outros detentores das ações da Petrobrás resolvem vender também.
E a forte queda puxa o índice Ibovespa, e a própria Bolsa, junto. Ambos acumularam quedas ontem.
E nada mudou, de um dia para outro, de uma semana para outra, no país ou na empresa que determinasse tal movimento. Foi pura especulação de mercado.
14/11/2007 07:00
Os EUA de 2007 e o Japão de 1990
Após solavancos em maio de 2006 e março de 2007, os excessos do mercado financeiro norte-americano de securitização de dívidas hipotecárias de alto-risco (subprime) geraram a crise, que explodiu na terça-feira 24 de julho.
Com fortes intervenções dos principais Bancos Centrais emprestando dinheiro à torto e à direito a todo o sistema bancário, a crise foi quase totalmente estancada com o corte de 0,5% nos juros americanos, em 18 de setembro.
A partir daí deu-se um movimento de subida, com o sistema aos poucos voltando ao normal. O crédito voltou a rolar, os negócios de arbitragem internacional retomaram com vigor e os movimentos de capitais se restituiu.
Sinal disso foi a cotação da moeda brasileira. Fortemente dependente dos dólares que entram na conta financeira, para aplicações em juros e câmbio no mercado futuro, e em ações, a moeda brasileira saiu de R$ 1,83 para R$ 2,09.
Com a forte recuperação a partir da segunda metade de setembro, chegou à alcançar valores ainda mais baixos que o pré-crise: R$ 1,73.
No entanto a irracionalidade sofreu alguns pequenos solavancos de realidade. Os balanços trimestrais dos integrantes do sistema financeiro mundial (especialmente o americano) começaram a demonstrar as enormes perdas oriundas da fanfarra sem critérios no mercado de derivativos de hipotecas.
O BC americano (o Fed de Ben Bernanke) cortou os juros mais uma vez, estimulando ainda mais o crédito barato e as especulações internacionais, em busca de uma remuneração maior. Ao mesmo tempo desestimulando as aplicações internas em dólar, derretendo ainda mais seu valor no mercado internacional.
Em artigo publicado na revista Exame recentemente, Bill Emmott trata dos encaminhamentos da crise. Para Emmott a crise está longe de terminar, e pior, esta apenas começando à se disseminar na economia real norte-americana.
"O clima de hoje se parece muito com o do começo da década de 90 no Japão, meses antes de a crise começar. Naquela época, era claro que um trauma financeiro estava ocorrendo: os preços das ações despencaram num ritmo sem precedente, mas a chamada economia real não parecia atingida pelos mercados financeiros. De fato, o Japão continuou desfrutando de um crescimento econômico bastante saudável por dois anos inteiros até o fim de 1992."
"Nesse ponto, porém, a economia financeira e a real se religaram. O crash das ações se espalhou para os preços dos imóveis, e os bancos se viram obrigados a cortar seus empréstimos e executar garantias de muitos tomadores. Na turbulência atual, o drama financeiro aconteceu inicialmente no mercado de imóveis residenciais dos Estados Unidos, e depois, mais amplamente, em mercados de crédito."
"Mas, à medida que o tempo passa, desde que o drama se tornou visível, no começo de agosto, o que está ficando mais claro é que, como aconteceu no Japão, os principais protagonistas são os bancos comerciais. E é por isso que o ânimo se tornou mais sombrio".
16/11/2007 07:00
Para não perder de vista
A correlação sociedade-cinema está mais do que afinada. Teremos eleições presidenciais nos Estados Unidos, ano em que se discutirão as plataformas de mudanças de muitas questões erradas da política George Bush.
O caos do sistema de saúde norte-americano já é centro do debate para questões internas. O filme-documentário Sicko, de Michael Moore vai no cerne da discussão, ao apontar as excrescências de um sistema totalmente privado, que deixa 40 milhões de americanos sem qualquer cobertura médica.
O sistema público alcança apenas idosos e ainda assim é deficiente. Diante do crescente aumento nos custos o sistema se torna cada vez mais elitista, porque caro. E mudanças no sistema são dificílimas, graças ao fortíssimo lobby dos laboratórios e dos planos de saúde, que financiam campanhas, projetos e a política nacional do setor.
O filme de Moore teve breve exibição na recente 31ª Mostra Internacional de Cinema, mas ainda carece de lançamento em salas nacionais.
Para questões internas-externas, o debate preponderante é acerca do etanol, o combustível do futuro. Especialmente em tempos de explosão nos preços do barril do petróleo.
Em 2002 o barril de petróleo leve, mais negociado, era cotado à US$ 20. Fechará o ano cotado à US$ 100.
O etanol estadunidense é oriundo do milho, de produção mais cara que a cana de açucar, base do etanol brasileiro, que além de mais barato agride menos o meio ambiente.
Outra problemática é a questão de tornar o milho mais vantajoso para produção de etanol que para alimentação. E o milho é a base de sustentação da alimentação norte-americana, 99% de comida industrial. Michael Pollan, professor de Jornalismo da Universidade de Berkeley, afirma que:
"Se você pegar uma refeição no McDonald's, você não vai se dar conta, mas estará comendo milho. Carne vem de bois alimentados com milho. Refrigerante é milho. Até as batatas fritas são fritas em óleo de milho. Ou seja, tudo no prato é milho".
O referido milho contido nos refrigerantes é o HFCD, adoçante de milho, que substitui o açucar - fortemente taxado nos EUA. A produção desse adoçante está concentrada em apenas quatro empresas: ADM, Cargill, Staley Manufacturing e CPC International, que detém 85% do mercado norte-americano.
O poder de lobby dessas indústrias é enorme, desde financiando campanhas até indiretamente, afinal sustentam a indústria de alimentação, outra gigante do lobby governamental.
O documentário King Corn, também inédito no Brasil, analisa esta concentração.
23/11/2007 09:31
Esquema do "mensalão mineiro-tucano"
Com representação do Ministério Público após denuncia criminal do Procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza, ao STF, o "esquema do mensalão" do PT ganhou vida no PSDB.
A denúncia estava posta há anos. Fez sinal que explodiria em setembro. Demorou um pouco, mas foi.
A história, o "esquema", nasceu em 1998, durante as eleições para o governo do estado de Minas Gerais. O então governador pelo PSDB, Eduardo Azeredo, candidatava-se à reeleição contra o ex-presidente Itamar Franco (PMDB).
O jogo foi formado da seguinte forma. O comando da campanha seria formado pelo governador Azeredo, seu vice Walfrido dos Mares Guia, líder do comitê pela reeleição; e Cláudio Mourão da Silveira, secretário de Administração e coordenador financeiro da campanha.
Do outro lado estava a empresa de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, Ramon Hollerbach Cardoso e Cristiano de Mello Paz. O elo que ligava o PSDB à SMP&B era Clésio Soares de Andrade (PFL), sócio de Valério na empresa de publicidade e candidato à vice na chapa de Azeredo.
No comando do governo, Azeredo, Mares Guia e Mourão eram encabeçados dos desvios de recursos públicos, intermediados por Marcos Valério. Os recursos foram desviados de empresas e órgãos do governo de MG, como a Copasa (saneamento), Comig (mineradora) e Bemge (Banco do Estado).
A agência de publicidade SMP&B, mobilizada por Valério e Clésio Andrade era contratada para gerenciar patrocínios estatais, fictícios e superfaturados. Em paralelo, empréstimos também fictícios à agência eram providenciados pelo Banco Rural para cobrir os valores supostamente despendidos no evento, que segundo a denúncia do Procurador-Geral, aportavam nas contas da campanha PSDB-PFL.
Além dos coordenadores de campanha e dos publicitários, foram denunciados também os diretores e gerentes das empresas estatais (Copasa, Comig e Bemge) que permitiram o desvio de verbas que financiariam o esquema. Todos denunciados por peculato e lavagem de dinheiro. A exceção foi Eduardo Guedes, então secretário de comunicação do governo de Minas no primeiro mandato Aécio Neves, que também esteve envolvido no "mensalão mineiro". Guedes foi denunciado "apenas" por lavagem de dinheiro.
23/11/2007 11:30
A política de Walfrido e José Múcio
Tão logo foi apresentada a denúncia criminal do Procurador-Geral da República contra os envolvidos no esquema do "mensalão mineiro-tucano", o Ministro das Relações Institucionais, walfrido dos Mares Guia, deixou o cargo.
Walfrido era o chefe do comitê da campanha de reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. O esquema de financiamento da campanha é o alvo da denúncia do Procurador-Geral.
Sua saída do governo Lula foi o passo político lógico. Walfrido era dos mais importantes ministros do segundo governo Lula, líder das negociações entre governo e oposição para aprovação da emenda que prorroga a CPMF e a DRU no Legislativo.
Tivesse permanecido no cargo seria alvo de todo o tipo de ataques e pressões da mídia durante o final de semana. Por ser a ponte entre o esquema tucano e o atual governo do PT, Mares Guia seria o mais forte vínculo para os ataques.
Seria outra forma indireta de ataque ao governo Lula.
Em seu lugar apontou José Múcio (PTB), que já assumiu a pasta ministerial. Múcio era o líder do governo na Câmara. Sua biografia já foi analisada por este Blog, e deve ser recontada. É instigante, caro leitor.
Entre 1992 e 1993, José Múcio presidiu o PFL, partido ao qual era filiado. Durante a campanha eleitoral pela presidência em 1994, a aliança PSDB-PFL chegou a cotar seu nome para vice de Fernando Henrique Cardoso.
Em 1997 chegou ao Congresso Nacional a emenda constitucional que permitia a reeleição do presidente. Foi Múcio quem escreveu o projeto, aprovado no final daquele ano.
Mudou do PFL para o PSDB, elegendo-se deputado federal em 2002. Durante o primeiro governo Lula (2003-2006), mudou para o PTB, passando assim à compor a base aliada do governo petista.
No início de 2007, segundo governo Lula, assumiu a liderança do governo na Câmara.
E veja, ontem mesmo, no Senado, a bancada do PTB deixou o bloco de apoio ao governo Lula para atuar de "forma independente".
Seja como for, há outro ponto relevante na biografia de José Múcio. Nas CPIs de 2005 e 2006, o ex-ttesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri revelou à Polícia Federal que Múcio manteve reuniões com o ex-presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson, com Delúbio Soares e outros petistas para tratar de dinheiro para cobrir gastos petebistas de 2004.
José Múcio é o novo Ministro das Relações Institucionais.
26/11/2007 07:00
Notícia da semana
Em sua edição de ontem O Globo conta que as terras pertencentes à traficantes de drogas serão destinadas para os sem-terra.
Um convênio entre a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) permitirá a compra das fazendas e seu repasse aos sem-terra. No total, são 56 áreas.
"Atualmente, a legislação destina à reforma agrária apenas as terras onde a polícia encontra plantações de maconha. A lei se esqueceu das áreas usadas pelo tráfico. Por isso, elas seguem para a Senad, órgão pouco estruturado e sem condições de tomar conta das propriedades. As áreas pertencem ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), única fonte de recurso da secretaria. A Senad não poderia doar as terras ao Incra, assim chegou-se à solução de venda".
As fazendas e propriedades rurais usadas para atividades como refino e comércio de cocaína serão incorporadas à União, depois repassadas para os programas de redistribuição de terras. As primieras destinadas aos assentamentos estão em Goiás e pertenciam à Fernandinho Beira-Mar. Vinte e três famílias serão alojadas nestas terras.
27/11/2007 07:00
Moeda decidida pelo mercado
Em pouco mais de 40 dias o câmbio entre o real e o dólar saltou dez centavos, sem que nada de alarmante tenha ocorrido na conta comercial. Embora a tendência de declínio no saldo comercial continua firme, o ingresso de dólares oriundos das exportações permaneceu estatisticamente intacto.
O governo anunciou que estuda medidas para aliviar a supervalorização do real, que inviabiliza a exportação de manufaturados ao mesmo tempo em que torna os importados mais baratos.
Está em discussão o aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada do capital especulativo e a volta da cobrança de Imposto de Renda (IR) para investidores externos.
Ainda assim são apenas discussões na área econômica do Executivo, restrita apenas a Fazenda. E há de se relativizar toda a diferença entre estudar medidas e de fato colocá-las em prática.
Nada de novo ocorreu no front comercial, no campo político ou no empresarial.
Ainda assim o dólar passou de R$ 1,72 para fechar cotado ontem valendo R$ 1,82. E o leitor se pergunta, o que ocorre então?
Esse movimento evidencia a constatação de que a forma mais eficiente da valorização do real nos anos recentes é a especulação financeira.
Foi o joguinho entre especuladores externos e Banco Central que manteve o real fixo no primeiro governo FHC, foram os investidores que explodiram a moeda em janeiro de 1999, e são eles, novamente aliados ao governo (terceirizado no BC) quem trouxeram o dólar de R$ 4,00 para R$ 1,72 em cinco anos.
Como funciona essa especulação internacional?
O nome do jogo é "carry trade", conforme já explicado em colunas anteriores. Essas operações consistem em tomar dinheiro emprestado em países de juro baixo (por exemplo o iene japonês com juros de 0,5% ao ano) e aplicar em países com juros mais altos (o Brasil é o alvo principal porque paga 11,25% ao ano).
O ganho dos rentistas é amplificado com a valorização cambial. Suponha que um investidor tenha tomado dinheiro emprestado no final do ano passado e aplicado em títulos públicos brasileiros em 1º de janeiro de 2007, quando o dólar valia R$ 2,13.
Através do jogo financeiro na Bolsa de Futuros (BM&F) e outras dinâmicas (como o próprio saldo comercial) a moeda derreteu até R$ 1,72. O investidor então desmonta suas posições financeiras no país, lucrando os juros do período (algo como 9%) mais a variação cambial (com o real mais apreciado ele compra mais dólares que na entrada).
Lucra-se em meses no Brasil o que se lucraria em anos, tivesse aplicado esse dinheiro em investimentos produtivos ou mesmo em títulos do governo americano (mais seguros). E mais: tudo isso com dinheiro emprestado.
Esse recente repique na cotação, de R$ 1,72 para os R$ 1,82 de ontem foi justamente isso. Com aumento da aversão ao risco pela crise financeira nos Estados Unidos os investidores internacionais resolvem tirar suas aplicações daqui. Desde o dia 8, a venda líquida de real no mercado futuro dos não-residentes atingiu US$ 2,8 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões na última semana.
27/11/2007 19:59
Frenética rotina
Final de semestre é corrido em todos os campos e todos os 18 leitores deste espaço sabem o quanto o signatário deste Blog sofre por não saber dizer 'não'.
Entro em uma infinidade de projetos - todos de meu interesse, bom que se diga - e quando vejo, estou a tal ponto sobrecarregado que não consigo dar conta do trivial.
Ainda assim me orgulho que mesmo depois do período recente - em que, por uma série de fatores e projetos não pude atualizar o Blog como gostaria - este endereço permaneceu funcionando com textos do dia-a-dia e firme com sua missão número 1: fomentar o debate de temas de interesse nacional.
Estamos nos aproximando do aniversário de um ano deste Blog.
27/11/2007 20:12
Arrecadação brasileira privilegia classe abastada
Tive acesso ao trabalho de pós-graduação do pesquisador Marcelo Wanderlind Bitencourt, pelo Complexo de Ensino Superior de Tubarão. Trata-se de analisar a tributação como medida de intervenção do Estado no domínio econômico. É uma monografia para o curso de pós em Direito e gestão tributária.
O trabalho é, antes de mais nada, um apanhado econômico e político da evolução da intervenção estatal na economia. O cerne da monografia é o Direito tributário, mas está no aspecto político seu ponto mais importante.
Vejam que excelente descrição da carga tributária brasileira:
"Há, hodiernamente, um sentimento social de que o Estado brasileiro impõe a sociedade civil um ônus imenso ao arrecadar em impostos uma boa parte da riqueza nacional, não revertendo esse montante em benefício do bem comum.
A propaganda massiva dos meios de comunicação de necessidade de diminuição do Estado e aprofundamento da acumulação privada provoca no censo comum, a falsa impressão de que para a maioria a população a mitigação da atuação estatal é a solução para os problemas e mazelas da sociedade brasileira.
O apelo neo-liberal é tão forte que a ideologia do capitalismo irrestrito abarca adeptos até nas camadas mais pobres da população, que em caso da opção neoliberal, seriam definitivamente excluídas do partilhamento da riqueza nacional.
Entretanto, a experiência brasileira da década de 1990, mostrou que a opção pela globalização irrestrita, causou ao Estado brasileiro danos irreparáveis, dentre os quais, o desaparelhamento do Estado, explosão da dívida pública, aprofundamento da concentração de renda e a explosão da violência social.".
E uma explanação de como deveria ser e de como de fato funciona o sistema de tributação no Brasil
"Deve a base arrecadatória de um país basear-se principalmente sobre a renda, que é a forma mais correta da auferir riqueza; desonera-se o consumo, aumenta-se a produtividade e mitiga-se a concentração de renda.
Entretanto, o desenho da arrecadação brasileira privilegia o interesse das classes mais abastadas (que ao contrário dos países centrais capitalistas, no Brasil, não preserva a identificação com o país) , ao estabelecer faixas de arrecadação de renda que não exprimem a real capacidade de pagamento do cidadão, equiparando segmentos sociais que possuem um abismo entre a renda, penaliza excessivamente, dessa forma, determinada classe social e praticamente isenta àqueles com maior capacidade de pagamento.
A forma de constituição da arrecadação brasileira vem ao encontro do desejo da política liberal de desoneração da renda e de sua transferência, impede o controle pelos estados da real alocação do capital e o real faturamento das empresas de grande porte."
28/11/2007 14:17
Situação na PUC-SP
Em reunião do Conselho Universitário (Consun) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), foi anunciado o fim das renegociações das dívidas da instituição com o FGTS.
A PUC-SP penava para honrar as parcelas mensais de R$ 458 mil ao fundo. Após renegociação com os bancos, as parcelas foram diminuidas para R$ 166 mil ao mês, e o prazo estendido para 20 anos.
Foi divulgado o balanço de pagamentos esperado para 2008. O processo continua muito pouco transparente. A organização das despesas e receitas foi depositada em uma tela de power point, em itens lacônicos.
Crêe-se que o aumento no número de alunos matriculados (o vestibular deste ano viu leve aumento nos inscritos) e menor margem de manobra para concessão de bolsas será suficiente para aumentar a receita. Há, nisso tudo, algo mais implícito. Um aperto nos investimentos internos, com realocação de recursos para amortização de dívidas será provavelmente o caminho.
Na rúbrica das despesas foram anunciados os gastos de manutenção de aparelhagem, laboratorios, pesquisas e outros tantos de funcionamento da Universidade. O ponto principal está ai. Com a demissão de professores ocorrida no final de 2005, os resttantes tiveram sua carga de trabalho aumentada sem aumento nos salários.
Esses gastos de custeio (que incluem a manutenção da Universidade, desde aparelhos até salários de professores e funcionários) permanecerão constantes, sem aumentos reais ou organização da relação horas-aula.
Os principais itens de "despesa" são justamente as parecelas mensais de dívida, do FGTS, dos bancos privados e também de orgãos públicos, uma vez definido o aporte do BNDES.
O principal ponto político, acerca do Redesenho Institucional que mudaria o organograma de diversas carreiras (mais especificamente ligadas à humanidades) viu um tendência de cancelamento da reunião de 12 de dezembro do CORI (órgão da reitoria que discute o redesenho).
A reunião deverá ser postergada para 26 de março depois que uma série de atividades ligadas aos movimento estudantil - a mais simbólica sendo a ocupação da reitoria por seis dias no início de novembro - defendia que a reunião de 12 de dezembro não era democrática.