01/12/2007 12:23

Jornais e imóveis

No início da semana uma nota no caderno "Dinheiro" da Folha dava conta de que 2007 seria o ano em que as receitas oriundas da publicidade seriam mais significativas para os jornais. Segundo o levantamento isso se dava pelo boom no mercado imobiliário e aos números recordes do setor automotivo.

A edição de hoje da mesma Folha é um exemplo pronto disso. O jornal alardeia um número recorde de páginas e cadernos. Mas com uma simples "passagem de olhos" é possivel perceber o número cavalar de anúncios de corretoras de imóveis, com uma sucessão sem igual de lançamentos.

Após as condições criadas pelo governo a partir do primeiro semestre de 2006, as construtoras e imobiliárias tiveram dois anos de capitalização, indo à Bolsa, contraindo empréstimos externos e internos - sob condições mais favoráveis. Os resultados começaram a pipocar neste final de 2007, mas será durante os dois próximos anos a grande chuva de empreendimentos.

Este Blog já anuncia: as perspectivas para 2008 são de um aumento desenfreado nas páginas de seu jornal caro leitor.

 

02/12/2007 09:01

A pressa pela TV Digital

A 25 de março de 1950, os funcionários da RCA (Radio Corporation of America) foram ao porto de Santos para retirarem os novos "equipamentos" - a televisão - adquiridos pelo presidente da empresa, Assis Chateaubriand.

Alguns dias mais tarde, no 3 de abril, a televisão estreava no Brasil, com apresentação de Frei José Mojica (nada a ver com o nosso Zé do Caixão), padre cantor mexicano.

Naquela oportunidade, um engenheiro de câmera afirmou que existiam mais pessoas atrás das câmeras que à frente do aparelho receptor. Ninguém tinha televisão no Brasil.

Foram mais de 20 anos para que uma parcela significativa da população brasileira tivesse acesso ao aparelho, com o boom dos anos 70. No abril de 1950, apenas os presenteados por Chateaubriand - entre eles Roberto Marinho, quem diria - puderam assistir a estréia.

A Televisão Digital estréia logo mais no Brasil. Como antes, haverá mais gente por trás dos estúdios que à frente dos receptores.
enviada por João Villaverde

 

03/12/2007 13:58

Desconstrução do Telejornalismo

Trabalho final de semestre para disciplina do segundo ano de Jornalismo da PUC-SP.

Jornal da Noite

03/12/2007 19:04

Recife sem luz

Segundo planilha dos Ministérios da Justiça e da Saúde, Recife é a segunda cidade mais perigosa do Brasil. A sangria social tem uma série de explicações, cada qual com seu grau de importância na composição do quadro.

Como se não bastasse, um grave problema energético deixa a capital praticamente sem luz. É quase que um empurrãozinho por parte do setor público e privado para um melhor aproveitamento criminal.

Pior. A situação também não é nova. Os desmandos e a leniência vêm de longe.

Em 2003 o governo do estado divulgou o programa Reluz - Iluminação para todos. O projeto organizava uma série de medidas para reativar os investimentos públicos (através da empresa de energia elétrica do estado, a Celpe) e alterar o quadro de calamidade.

Foram quatro postergações. A última foi recente, que passou a ativação do projeto para 2008. E Recife continua sem luz.

 

03/12/2007 22:08

Tributação e equidade, segundo Jatene

A edição de hoje da Folha traz dois artigos de dois grandes personagens públicos brasileiros. Adib Jatene e Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Jatene usa a discussão em torno da CPMF (imposto criado por ele quando Ministro da Saúde em 1996) para explicar sua teoria de tributação e justiça social.

"Quando ocupei a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (1979 a 82), era difícil entender que os municípios do interior, com 49% da população do Estado, tivessem 549 centros de saúde -quase a totalidade- em prédios especialmente construídos, e a Grande São Paulo, com 51% da população, tivesse 257, dos quais só 54 especialmente construídos. Os demais ocupavam casas alugadas, totalmente inadequadas, na periferia da capital e em cidades-dormitório."

"A perplexidade começou a se desfazer quando resolvi atender a convites para ir a assembléias populares, convocadas pela população, apoiadas nas comunidades eclesiais de base. Eram reuniões agressivas e difíceis, mas me ensinaram aquilo que todo homem público deve incorporar. Ficou claro, para mim, que os pleitos eram simples e legítimos, como ter onde vacinar seus filhos -e não tinham!"

"
Foi a partir daí que criei a frase: "O grande problema do pobre não é ele ser pobre, é que o amigo dele também é pobre!". Ele não tem amigo que fale com quem decide, que marque uma audiência, que o ajude a elaborar um projeto, que negocie financiamento.
Ele está confinado em áreas pobres, com deficiência de saneamento básico, problemas de segurança, transporte, educação, saúde, lazer etc.
"

"A discussão sobre a prorrogação da CPMF mostra claramente isso. A parcela mais bem aquinhoada da sociedade -a que financia as campanhas políticas e sustenta a mídia- lança mão de todos os recursos para subitamente constranger o governo a abrir mão de cerca de R$ 40 bilhões, quase a metade destinada ao SUS, e não se constrange de induzir pessoas que dependem desses recursos a assinar listas e mais listas, convencendo-os de que estão sendo explorados."

"Não tenho dúvida de que o chamado excesso de arrecadação ocorre porque a eficiência da Receita, nos três níveis de governo, graças à informática e aos cruzamentos possíveis, está resgatando parte da sonegação, que permitiu a escandalosa concentração de renda existente no país."

"Quero crer que a luta pela extinção da CPMF, isoladamente, não tenha relação com o fato de ser um eficiente indicador de sonegação, mas esteja vinculada à idéia -para mim, equivocada- de que a carga tributária é muito elevada e toda redução é bem-vinda. Sou dos que acreditam que a carga tributaria é elevada para os que ganham pouco e baixa para os que têm muito, daí a concentração de renda."

"Nunca é demais lembrar que todas as convulsões sociais na história da humanidade ocorreram quando a desigualdade se tornou aguda. A distribuição de leitos hospitalares na cidade de São Paulo é exemplo gritante dessa desigualdade, melhor dizendo, dessa desumanidade para com os mais pobres."

 

03/12/2007 22:13

Venezuela e Democracia, segundo Bresser

No caderno "Dinheiro", Luiz Carlos Bresser-Pereira trata de outro tema da vez, acerca da existência de democracia ou não na Venezuela.

"Não estou seguro se Hugo Chávez será afinal um bom ou um mau presidente da Venezuela. Político de esquerda e nacionalista dotado de personalidade forte, foi fortalecido pelo alto preço do petróleo e por várias eleições."

"Indignado com a participação do governo dos Estados Unidos na tentativa de golpe que sofreu em 2002, vem fazendo críticas duras e desabridas ao presidente George W. Bush. Seus excessos de fala e seus grandes gastos em armamentos são boas razões para que muitos brasileiros discordem dele, como também seu nacionalismo, os grandes gastos que vem realizando na área social e sua coragem são razões para outros brasileiros o apoiarem."

"Respeito as duas posições, mas considero absurdo o que vem fazendo a direita brasileira em relação à Venezuela e à sua candidatura ao Mercosul. Ao procurar rejeitá-la no Congresso porque a Venezuela não seria uma democracia, está confundindo personalidade autoritária com instituições autoritárias. Chávez tem uma personalidade autoritária, mas, segundo a definição que hoje existe em qualquer bom livro de teoria política, o regime político existente na Venezuela é democrático. Ali há o Estado de Direito, a liberdade de pensamento e de imprensa e eleições livres -os três requisitos essenciais de uma democracia."

"Depois da transição democrática, a qualidade da democracia de cada país corresponde aproximadamente a seu grau de desenvolvimento econômico e social. A democracia existente na Venezuela está longe de ser a democracia ideal, como é possível ver pelas contínuas tentativas de golpe de uma oposição corrupta e aliada aos Estados Unidos que não promoveu o desenvolvimento do país e só se interessou pelas rendas do petróleo."

"A tese de que a Venezuela não é uma democracia porque lhe falta qualidade para tal é uma tese autoritária de direita muito semelhante à tese autoritária que a esquerda latino-americana usava nos anos 1950 e 1960 para desclassificar as democracias então existentes no continente."

"Essas democracias seriam, segundo essa tese autoritária, democracias "formais", não substantivas. Argumentar contra essa tese foi fundamental na luta pela redemocratização depois de 1964. Agora, é a direita latino-americana que adota tese semelhante sob inspiração da grande imprensa do Norte -desse Norte rico que Chávez está incomodando. Ao Brasil não interessa hostilizar esse Norte, mas não interessa também a ele se subordinar."

 

05/12/2007 21:04

Geopolítica da dependência

A coluna de amanhã trata do artigo do professor José Luís Fiori, publicado no Valor, que discute a partir das idéias de Nicholas Spykman, a hegemonia norte-americana e a geopolítica necessária para implantar e disseminar as idéias na América Latina.

Para enriquecer o debate, a coluna traz informações do Brasil de 1964, quando da reviravolta direitista, que emplaca um golpe militar que devolve aos Estados Unidos o controle soberano brasileiro.

A obra "Dialética da dependência - Uma antologia da obra de Ruy Mauro Marini" serviu como base para a discussão de Brasil'64.

 

05/12/2007 21:22

Fragilidade econômica nacional

Ao projetarem o déficit em conta corrente para 2008, os analistas de mercado e os economistas consultados não deixam de bater na tecla de que o balanço de pagamentos permanecerá positivo.

Mas devem atentar que, embora parte substancial das variáveis que compõem o balanço de pagamentos - a principal conta a ser honrada anualmente por um país - a conta corrente não é autônoma.

A defesa de uma maior inserção do Brasil em uma economia globalizada, com maior dependência do capital externo - que passaria a financiar o déficit em conta corrente - deixaria o balanço de pagamentos sensibilizado em pouco tempo, mesmo que uma crise internacional não ocorra.

Isso porque uma parte dos investimentos estrangeiros que entram no país se referem à projetos privados autônomos, não necessariamente à investimentos de longo prazo, ou de participação societária em empresas.

Esses investimentos privados autônomos têm sua fase de maturação, para depois começarem à gerar os lucros. Como o dono do capital não entra no país - apenas seu dinheiro - o lucro é tirado do Brasil, entrando na conta de remessas de lucros ao exterior, que compõem a conta corrente. Essa rúbrica tende a aumentar constantemente.

Mas isso em caso de permanência do status quo atual. Na eventualidade de uma crise financeira mais grave, uma parte relevante dos dólares externos que entram para financiar a cada vez mais debilitada conta corrente nacional saíriam, como saíram aos primeiros sinais de crise em agosto-setembro (quando o dólar pulou de R$ 1,81 para R$ 2,09).

 

06/12/2007 07:00

Hegemonia e aceitação, ontem e hoje

O artigo deste mês de José Luís Fiori para o Valor mantém a sequência do autor em estender a discussão de seu mais novo livro (o excelente "O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações"), no que se refere as noções de geopolítica e a relação com critérios de hegemonia das grandes potências.

Fiori se utiliza de examinar o trabalho de Nicholas Spykman, estrategista geopolítico dos Estados Unidos no pré-Segunda Guerra. "Geopolítica não é uma ciência, é apenas uma disciplina que estuda a relação entre o espaço e a expansão do poder, antecipando e racionalizando as decisões estratégicas dos países que exercem o poder fora de suas fronteiras nacionais".

O cerne das idéias de Spykman sobre poder hegemônico, e da geopolítica necessária para tal, é de quem tem o poder mundial não é quem controla o "coração do mundo" (segundo Halford Mackinder, situado mais ou menos entre Berlim e Moscou), mas quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria e seguem fazendo até os nossos dias.

Sobre as relações entre o dono do poder hegemônico (no caso, os Estados Unidos) e os países da América Latina, Spykman separou a região em duas partes. Uma primeira, "mediterrânea", que incluiria México, América Central e o Caribe, além da Colômbia e da Venezuela, é definida como uma zona em que a supremacia dos Estados Unidos não pode ser questionada.

Donde, qualquer ameaça à hegemonia americana na América Latina deverá vir do segundo bloco delimitado por Spykman, em particular da Argentina, Brasil e Chile.

Spykman escreveu que "os países situados fora da nossa zona imediata de supremacia, ou seja, os grandes Estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile), podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum ou através do uso de influências de fora do hemisfério".

"Uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério terá que ser respondida através da guerra", conclui o geopolítico, morto em 1943.

Suas idéias pautaram muito dos esforços geopolíticos norte-americanos no pós-Guerra. E veja, a ameaça do segundo bloco latino-americano acabou forçando a "guerra" preconizada como saída por Nicholas Spykman. O avanço das esquerdas na região do ABC (Argentina, Brasil e Chile) provocou a contra-ofensiva do poder hegemônico, através dos militares (Gautieri, Médici e Pinochet, para ficar em alguns).

Tão logo os militares tomaram o poder no Brasil, Castelo Branco colocou o chanceler Vasco Leitão da Cunha para assumir o Ministério de Relações Exteriores, em tempos de grave crise geopolítica entre Brasil-EUA.

Leitão da Cunha rechaçou a idéia de uma política externa independente, invocando razões geopolíticas, que vinculariam estreitamente o Brasil ao mundo ocidental e, particularmente, aos Estados Unidos, e declarou que o conceito básico da diplomacia brasileira era o da interdependência continental.

Foi assim adotada uma doutrina que vinha da Escola Superior de Guerra, sob a responsabilidade do general Golbery do Couto e Silva, diplomado pelo escola norte-americana de Fort Benning e chefe "mini-CIA", o Serviço Nacional de Informações (SNI).

Essa doutrina foi lançada por Couto e Silva em seu "Aspectos geopolíticos do Brasil" (livro de 1957) e parte do pressuposto que, por sua própria posição geográfica, o Brasil não pode escapar à influência estadunidense.

 

07/12/2007 07:00

Humanizando os serviços

O governo baixou duas medidas oportunas para o consumidor brasileiro. Através da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), determinou que as TVs por assinatura não poderão mais cobrar pelo ponto extra.

Os serviços de instalação e manutenção do ponto extra serão agora facultativos ao assinante, que pode optar por contratar os serviços de uma empresa especializada para a atividade. Se optar pela mesma operadora de TV por assinatura os serviços deverão vir discriminados na cobrança.

Outra medida - mais importante, por tratar de setor mais estratégico e mais disseminado pela população - é a nova regulamentação das tarifas cobradas pelos bancos e instituições financeiras.

A partir de 1994 e 1995 as tarifas bancárias tiveram seus preços aumentados de maneira cavalar, ao mesmo tempo em que eram criadas mais e mais tarifas. A situação chegou no ponto atual, em que parte expressiva do faturamento - recorde - dos bancos é oriunda da cobrança de tarifas.

Através de seu Conselho Monetário Nacional (CMN) - constituído por Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central) - o governo anunciou que o fornecimento de cartão de débito não será mais cobrado do cidadão que tem conta bancária. Além disso, todo mês, ele terá direito, gratuitamente, a dez folhas de cheque, dois extratos de conta, realização de até quatro saques, inclusive com cheque, duas transferências entre contas e consultas pela Internet.

Foram aprovadas três resoluções que aperfeiçoam a regulamentação da cobrança de tarifas bancárias e o custo de operações de crédito. Também fica vedada a cobrança de tarifa quando não houver saldo em conta corrente suficiente para pagamentos. Ou seja, o saldo em conta corrente não poderá ficar negativo por conta da cobrança da tarifa.

A primeira resolução - mais importante - trata da padronização da nomenclatura, periodicidade de reajuste e criação do extrato anual de tarifas. Os serviços foram classificados em quatro categorias: essenciais, prioritários, especiais e diferenciados. Os serviços essenciais estão relacionados com a conta corrente e de poupança de pessoas físicas.

Essa humanização das relações de negócios têm seu porém: não entram em vigor agora. As medidas do CMN, de maior regulamentação bancária, só entrarão em vigor a partir de 30 de abril de 2008. E as medidas da Anatel apenas a partir de 6 de julho.

 

10/12/2007 07:00

Internacionalização das empresas nacionais

A recente supervalorização do real, a partir do segundo semestre de 2004 (quando a cotação caiu de R$ 3,00 para os atuais R$ 1,77), somada ao boom do mercado de capitais brasileiro e a farta liquidez mundial (fenômeno correlacionado ao anterior), permitiram uma enorme disseminação do processo de internacionalização das empresas brasileiras.

É fácil entender. Com a enorme quantidade de dinheiro "vagando" pelos mercados mundiais pouco regulados, e o ciclo recorde de crescimento sem crises vivido desde 2003, o mercado de capitais nacional (Bovespa e BM&F) viu o nascimento da bolha interna.

Empresas de diferentes setores começaram, uma a uma, à abrirem capital. As mega empresas (como Petrobras, Usiminas, Gerdau, Vale do Rio Doce, etc.) lucraram ainda mais, por já estarem devidamente inseridas no mercado, e especialmente por participarem das regras de governança corporativa.

Com a abundante procura por parte dos estrangeiros (maioria dos participantes da Bolsa brasileira) é quase um jogo sem erro. Lucra-se de qualquer maneira.

Fortemente capitalizadas as empresas encontram a situação cambial como a que se desenhou nos últimos anos. Forte valorização da moeda, tornando as divisas (dólares) cada vez mais baratos. Isto é, com a mesma quantidade de reais, se compra mais dólares hoje (cotado à R$ 1,77), que há três anos atrás (cotado à R$ 3,00).

As empresas - não só no Brasil, o processo é mundial - aproveitaram a onda de caixa recheado de dinheiro oriundo da Bolsa, e dólar barato para adquirirem concorrentes no exterior.

Segundo os empresários as aquisições trazem vantagens, como entrada imediata no mercado e uma base de clientes consolidada. A desvantagem é que o investimento necessário normalmente é mais expressivo do que construir uma nova fábrica.

O processo de fusões e aquisições é global. O Brasil está no olho do furacão, com o acirramento do capitalismo concorrencial no mercado interno, com empresas adquirindo ou se fundindo à companhias concorrentes.

Mas a internacionalização das grandes empresas ainda é fato novo. O exemplo da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD, ou como prefere à companhia, apenas "Vale"), citado por Raquel Landim, no Valor do final de semana é singular.

"Antes de iniciar o processo de compra de empresas no exterior, a Vale possuía 98% de seus ativos no Brasil e 80% da geração de caixa dependia de um único produto, o minério de ferro. Essas características, aliadas ao custo-Brasil, contribuíam para elevar as despesas e prejudicar o perfil da empresa. A pós a aquisição da canadense Inco, a Vale termina´ra 2007 com 54% dos ativos no Brasil. O restante está espalhado pelo globo: 25% na América do Norte, 10% na àsia, 10% na Austrália e 1% na Europa".

"O minério de ferro representa hoje 45% da geração de caixa, seguido pelo níquel com 32%, alumínio com 8%, cobre com 6% e logística com 4,6% (ainda apenas no Brasil)".

 

11/12/2007 10:26

Mantega e a CPMF

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, está se notabilizando pelo lobby pró-CPMF. Por mais que insista na política econômica adotada pelo governo Lula desde que ele assumiu a Fazenda (março de 2006) - nomeada por ele de "social-desenvolvimentista" - Mantega fica marcado por sua defesa do imposto.

Na segunda-feira 3 de dezembro esteve no Roda Viva, da TV Cultura, para falar do tal "social-desenvolvimentismo", qual seja, diminuir a rigidez palocci-tucana dos gastos públicos, elevando os gastos sociais.

O programa, no entanto, pegou fogo quando trataram da CPMF, especialmente das discussões políticas entre Paulo Skaf (presidente da FIESP) e o próprio Mantega. O Ministro ridicularizou o ativismo da FIESP, levando abaixo-assinados para o Congresso.

No dia seguinte a rádio CBN, colocou Mantega e Skaf ao vivo no ar, para tratar da CPMF.

No último final de semana foi o entrevistado das páginas amarelas da revista Veja. O título da entrevista foi certeiro, ao caracterizar o Ministro como ortodoxo de esquerda. Afinal, por maior liberação de verbas para áreas sociais, os principais eixos da política tucano-palocci, como metas de inflação, superávit primário e responsabilidade fiscal permanecem intrínsecos.

E houve, claro, defesa da Contribuição Provisório sobre Movimentação Financeira (CPMF).

No domingo último foi alvo da coluna de Mônica Bergamo, na Folha. Mônica passou um dia com o Ministro e relatou na coluna sua agenda. O foco principal de sua rotina? Defender a manutenção da CPMF.

A CPMF será votada amanhã, quarta-feira, no mesmo dia da escolha do novo presidente do Senado.

 

11/12/2007 14:30

A conta salgada

Quando o fator-Lula começou a ganhar peso para as eleições presidenciais de 2002, o Banco Central (então sob comando de Armínio Fraga) passou a oferecer contratos de swap cambial. Era abril de 2002, quando a fuga de dólares especulativos desvalorizava o real rapidamente.

O swap cambial surgiu como uma proteção oficial - porque vinda de órgão do governo - contra desvalorizações. A preocupação era evitar que a intraquilidade com as oscilações do câmbio fosse fator de queda ainda maior do real.

O BC pagava a diferença quando a subida do dólar superava a taxa das aplicações em reais. Por isso, a conta de juros do setor público, que já incluía esses contratos, inchava quando o dólar subia. Chegou a bater em R$ 3,99. Os gastos com o swap cambial foram enormes para as contas públicas. E como se não bastasse, os juros Selic eram então de 26% ao ano.

Com a reversão na situação, por razões que não cabe à este texto discutir, com a supervalorização do real a partir do segundo semestre de 2004, aumentou fortemente a entrada de moeda estrangeira no país, e o mercado passou a demandar o inverso, ou seja, proteção contra quedas do dólar.

Demanda do mercado é demanda aceita.

Vieram, assim, as operações de swap cambial reverso, nas quais o BC fica com posição ativa em câmbio e passiva em reais, perdendo quando o dólar cai. E o dólar ronda entre os R$ 1,70 e os R$ 1,80.

Mesmo com as quedas recentes nos juros Selic (hoje em 11,25% ao ano), a conta de juros do setor público continua enorme. Os maiores gastos do setor público são com juros, por mais de 15 anos.

 

13/12/2007 14:52

1 ano de Blog

Este Blog comemora um ano de funcionamento no próximo domingo, dia 16 de dezembro.

Estou preparando uma série de "atividades" para a data. Entre elas, a publicação de dois contos de minha autoria. Um escrito ontem (quarta-feira). O outro se trata de texto do primeiro semestre de 2004, feito em forma de redação para a escola.

Quem quiser sugerir textos e vídeos para a ocasião, está mais do que incentivado.

 

14/12/2007 07:00

Lula, Chávez e a mídia

Pela ofensiva e exposição midiática à votação pela prorrogação da CPMF no Senado, é possivel estabelecer relação com o recente pleito popular na Venezuela.

O presidente Hugo Chávez encaminhou uma série de medidas constitucionais que implantariam seu socialismo do século XXI (Já analisado por este Blog) para plesbicito popular. Votava-se "sim" para referendar as medidas do presidente, ou "não" para negá-las.

A mídia fez um alvoroço expositivo sobre a política, a democracia e as instituições venezuelanas.

Houve o plesbicito e por margem pequena (de 0,3% do total de votos) foi aprovado o "não", defendido pela oposição política e pelas classes média e alta. Ao todo 9 milhões de venezuelanos votaram; outros 7 milhões se abstiveram, o que garantiu o resultado.

Não é objetivo deste texto analisar as medidas constitucionais de Chávez. Mas sim observar que, com a vitória do "não", uma série de matérias e reportagens foram produzidas para finalmente "conceber" a Venezuela como democracia.

Vendeu-se a imagem de que uma vitória da oposição - após sucessivas vitórias de Chávez em eleições e plesbicitos desde 1998 - reforçaria os alicerces democráticos no país. Alguns inclusive deram o braço à torcer na retórica, ao retratar Chávez como democrata, quando este assumiu publicamente a derrota.

Com a votação da CPMF no Brasil, semelhante movimento na mídia (guardadas as devidas proporções) pode ser percebido. Após sucessivas vitórias do presidente Lula (no campo econômico e nas pesquisas de opinião), a vitória da oposição foi tida como passo importante para a democracia política brasileira.

E Lula já assumiu a derrota.

 

15/12/2007 00:00

Algo por que morrer

"Se eu soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda hoje plantaria uma árvore"

"Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver"

"A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio"

"O bom vizinho olha além das circunstâncias externas e distingue aquelas qualidades intrínsecas que fazem de todos os homens seres humanos e, portanto, irmãos"

"O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor"

Martin Luther King (15 de janeiro de 1929 - 4 de abril de 1968)

 

16/12/2007 03:04

A turma da bufunfa agradece

A edição deste domingo da Folha traz entrevista com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, soldado de defesa da CPMF - derrotado na madrugada da última quinta-feira.

Na entrevista, Mantega afirma que o "plano B" do governo será apresentado nesta semana. Os estudos dos técnicos da Fazenda e do Planejamento incluirá adequação do Orçamento de 2008 à nova perpespectiva fiscal - sem os R$ 40 bilhões previstos de CPMF.

Mantega diz que todos os gastos do governo serão "reexaminados". Desde os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) até despesas com Judiciário e Legislativo, passando pelos programas sociais, como o Bolsa Família.

Diz ainda que a Saúde foi a área/pasta mais afetada pela perda de arrecadação. O governo especula a criação de novo imposto, com arrecadação totalmente vinculada à Saúde mas que não será apresentado sob forma de medida provisória.

A única coisa que não muda é o superávit primário. E é isso que o mercado, que é o que de fato governa o país, queria ouvir. Dizer que os gastos com juros da dívida pública permanecerão nos níveis negociados com o FMI e com o mercado é o que fará essa perda de arrecadação passar desapercebida pelo mercado financeiro.

E dá-lhe fanfarra.

 

16/12/2007 10:00

O brasileiro e a religião

"Uma singularidade do brasileiro é ser um povo naturalmente ecumênico. O brasileiro, em caso de morte, apela ao espiritismo; para batizados, a Igreja Católica; em caso de amor, ao candomblé... Ele sabe que todos vão para Deus. Essa tolerância mística é um dos traços mais belos da civilização brasileira, e poderia ser uma grande contribuição à globalização".

Leonardo Boff, teólogo, ícone da corrente progressista católica Teologia da Libertação. Em 1984, foi punido pelo então cardeal (atual papa Bento XVI) Joseph Ratzinger em um processo da Congregação para a Doutrina da Fé, a sucessora do Santo Ofício, por causa das idéias libertárias.

Boff é critico tanto do conservadorismo da Igreja Católica quanto do individualismo ateísta de Richard Dawkins, adotado como "papa neoliberal".

 

16/12/2007 12:15

Não era meu número

Minha mulher havia pedido divórcio na noite anterior. Toda a minha ansiedade para comprar meus novos sapatos, encomendados com antecedência, havia se arruinado após aquelas palavras.
- Estou farta das brigas constantes por assuntos nada relevantes ou semelhantes, disse ela, sem derramar uma única lágrima.
A noite foi terrível. Andava pela rua até parar em frente à loja de sapatos, ainda fechada. – Seus sapatos não chegaram, mas estes aqui são melhores. Coloquei-os. Eles apertaram um pouco, mas graças a minha cólera, acabei por ignorar a dor dos sapatos.
A dor do divórcio machucava mais.
Foi então que peguei o bonde rumando minha casa. O divórcio não podia passar sem um choro.
- Já lhe disse. As brigas me esgotaram. Não há mais razão para isso continuar, homem!
- Olhe, veja bem. As brigas são necessárias. E eram apenas discussões, disse, ao mesmo tempo em que meus pés começavam a doer.
- Não vamos piorar a situação, homem! O que está feito está feito.

Os sapatos começaram a apertar ainda mais, e já não conseguia mais me concentrar.

-Cale a boca mulher! Não vai haver divórcio!
Os meus pés já latejavam.
- É bom se acostumar com a idéia. Nós não vamos nos separar.
Os sapatos me matavam pouco a pouco. De repente a dor cessou. E as lágrimas vieram.

Não sei. Isso é comigo. Não estava triste, embora o céu estivesse nublado, apático. Assumo toda a responsabilidade. Acabamos por nos separar de qualquer jeito. Minha mulher ali, deitada e esticada, dentro do caixão. E eu ali, aliviado, embora confuso, fora.
É regra que os mortos são enterrados descalços, minha mulher não. Inclusive arrisco dizer que estava ainda mais confortável assim. Não era seu número.

 

16/12/2007 15:00

A caixinha

Sofia guardava na caixinha seu maior presente. Maior por importância dizia o irmão Renato, porque a caixa não era grande. Já tinham passado por todas as fases possíveis. Renato já foi o mais curioso dos pentelhos que perguntavam o que viria a ter na caixinha. Sofia desvencilhava-se com respostas longas, sem pé nem cabeça, que deixavam o caçula conformado, mesmo sem entender. Houve a fase das brincadeirinhas, em que Renato e seus amigos se esforçavam por adivinhar o objeto ilustre. Sofia desconversava.

O mistério da caixinha nunca assustou seus pais. Sofia sempre agiu como quem gostava das provocações, feliz por ser o centro das atenções de seu irmão. E Renato sempre foi o hiper ativo, infernizando a família inteira.
- Deixe estar, diziam aos amigos, durante as festividades em casa.

A verdade é que Sofia não gostava muito das petulâncias. Só ela sabia do que havia dentro da caixinha. Ela e sua avó, Moira, que a presenteou com o embrulho, quando Sofia tinha onze, e ela 67, no leito do hospital.
Sofia nem gostava muito daquilo, mas entendia o gesto. Afinal, não houve intermediação materna, foi presente de “vovó para mim”, como dizia em voz alta quando sonhava.

Ela estava sonhando, durante uma soneca de terça à tarde. Renato chegou pulando e gritando no quarto, que dividia com Sofia, feliz que só ele por ter conquistado a paquera da escola.
- Fia! Fia! Você nem imagina como foi!
De sobressalto, Sofia acordou.
- Ela disse que não tinha chance. Mas eu não desisto nunca, você me conhece, não é? Eu esperei acabar a aula e fui com ela na lanchonete.
Sofia ouvia ainda embebida no sonho de segundos atrás. Tinha sido assaltada e estava perseguindo os ladrões quando acordou.
- Depois eu a levei em casa e, na porta, dei um selinho! Sabe? Quando os lábios se encostam...Eu estou namorando Fia!
Sofia conhecia a impulsividade. Mas não esperava o lance seguinte.
- Para provar meu amor, vou presentear minha donzela. Onde você guarda aquela caixinha, Fia?
Ela saltou da cama como se nunca tivesse dormido. O sonho estava quente na cabeça, por isso talvez a resposta rápida do corpo. A notícia de Renato colocou Sofia de frente para a porta do armário, como segurança.
- Não precisa fazer essa cara Sofia, é só de brincadeira. Quando ela colocar na bolsa eu pego de volta. Ela só vai perceber no outro dia, e aí pode ter sido qualquer coisa.
“Como poderia brincar com um negócio desse”? A mente de Sofia maquinava atrás de uma resposta sensata enquanto buscava a caixinha. Queria mostrar o presente para o irmão.
- Isso, pega rápido que eu já levo hoje mesmo!

Os pais não conseguiam entender a falta de sensibilidade de Sofia. Parecia que nada tivesse acontecido. A dor de perder um filho era enorme, queriam transportar para a menina uma parte da perda. Pai e mãe não entendiam como o caçulinha podia ter feito coisa do tipo. Era impulsivo, mas não era desleixado, muito menos covarde. Era menino ainda, não tinha como pensar em coisas daquelas.
Seu pai não conseguia entender porque o filho tinha a mesma cicatriz que sua sogra Moira.

 

16/12/2007 18:00

O brasileiro e o meio ambiente

"A legislação ambiental brasileira permite que uma série de barbaridades ocorra sem tomar conhecimento delas. Além disso, a aplicação da lei é muito precária. As estruturas encarregadas de aplicá-la são insuficientes, às vezes incompetentes, às vezes corruptas. Além disso, considero que o problema é maior do que aquilo que essas instituições podem lidar hoje. O modo de viver é inadequado."

"Por exemplo, um bebê usa em média 5 ou 6 fraldas descartáveis por dia. Ao longo de um ano deve usar umas 2 mil fraldas. E ao longo dos três anos em que ele estiver nas fraldas serão 6 mil fraldas. è um volume de lixo brutal. É necessário? Nossos avós acham que não. Eu mesmo sempre usei fralda de pano, que é reutilizável durante anos. E não existe nada que proíba o uso das fraldas descartáveis ou que indique o que deve ser feito com elas. A legislação não coloca em questão."

"A mesma coisa com os sacos plásticos. Existe um estudo de um órgão da ONU que diz que o descarte de sacos plásticos no mundo hoje é de 1 milhão por minuto. Isso significa que mais de 500 bilhões de sacos são jogados na natureza por ano. Eles irão entupir os aterros, a drenagem urbana. E não existe nenhuma lei ou medida que proíba o uso desses sacos plásticos."

"Temos de admitir que nossos modos de viver não são compatíveis com nosso planeta. Mas não temos nem regras nem instituições capazes de fazer isso em escala global."

"Outro problema grave é que continua se olhando para o meio ambiente como algo separado, que pode ser tratado isoladamente. todas as ações humanas têm impacto sobre o meio físico. Se for assim, isso deve estar implicado em tudo que você fizer. Por isso, quando me dizem que sou jornalista especializado em meio ambiente eu respondo que não, que não existe isso."

"Como é possível tratar de política sem pensar nas questões ambientais, que são as maiores questões políticas da atualidade? Como pode tratar de economia sem levar isso em conta? Como tratar das questões sociais, como por exemplo, essa aglomeração de 18 milhões de pessoas (estado de São Paulo), que é um problema social gigantesco, e deixar isso de fora? Até na denomição jornalismo ambiental percebo essa mesma visão antiquada. É preciso mudar essa idéia do meio ambiente como algo separado do restante."

Washington Novaes, jornalista, em entrevista ao jornal Contraponto - laboratorial do curso de Jornalismo da PUC-SP - de novembro.

 

16/12/2007 22:00

A importância das coisas

"A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes. O que é importante é ser tranqüilo e otimista".

Oscar Niemayer, arquiteto, que completou 100 anos ontem, em entrevista ao jornal britânico Times.

O Blog completou um ano de funcionamento hoje.

 

18/12/2007 09:38

A lógica do mercado

Dentre todas as discussões nos âmbitos político e econômico, pautadas pelo fim da CPMF a partir do ano que vem, uma não é inédita. Trata-se do Banco Central e o novo mote de aumentar os juros.

O fim da CPMF surge como novo bode expiatório para o BC subir a Selic (juros básicos) como forma de aumentar o ingresso de dólares, que manteriam o câmbio apreciado. Este por sua vez manteria a situação atual de importados baratos, sustentando uma inflação baixa.

Mas veja, caro leitor, como o pensamento é distorcido.

Digamos que o governo arrecada 100 e gaste 120. Para fechar as contas, ele precisa tomar 20 emprestado. Todo ano o governo fecha com um déficit de 20.

Desses 100 de receita, 40 são oriundos da CPMF, que acabou. Ou seja, a partir do próximo ano as receitas serão de 60. As despesas, no entanto, serão dos mesmos 120.

O que fazer?

Seja no orçamento familiar, seja um plano empresarial, ou na administração pública, se procurará diminuir as despesas. O chamado corte de gastos. Isso, claro, tem um limite óbvio, que é manter a máquina funcionando.

Isto é, não se pode cortar toda a comida da família apenas para poder pagar o aluguel. O que quero dizer é que, deve-se cortar gastos, mas definindo prioridades, não simplesmente um corte horizontal nas despesas. Seja em casa, na empresa, ou no Estado. É a mesma coisa.

Pois bem. Sabe-se que, dos 120 de despesas, 60 equivalem à gastos com juros da dívida pública. A outra metade referem-se à gastos com Saúde, Educação, Transportes, custeio da máquina, salários do funcionalismo e investimentos.

Na teoria, quem define os juros que incidirão sobre os títulos públicos é o governo, sob a forma do Banco Central. Sendo assim, o BC tem o poder de diminuir os juros até que estes gastos se adequem ao Orçamento federal. Certo?

Mais ou menos. Isso porque, na prática, quem decide os juros no Brasil é o mercado, isto é, o grande capital globalizado, sob a forma dos investidores (externos e internos). O BC é capturado pela lógica do mercado, que clama por juros altos, que melhor remunerem sua poupança.

E a lógica do mercado é que, quanto maior os juros, mais dinheiro (dólares) entrará no país. Esses dólares servirão para o governo suprir o rombo de 40 deixado pela CPMF e manter a situação "de volta ao normal", isto é, arrecada 100 e gasta 120.

O que ninguém percebe é que, desta maneira, o governo não só se endivida de 20 (para cobrir o déficit anual de 100 para 120) como também passa a se endividar de 40, que viriam da CPMF.

As contas que utilizei são puramente ilustrativas, é claro. Servem apenas para demonstrar que a lógica do mercado não está nem aí para as contas públicas, muito menos para o interesse nacional de independência financeira e equilíbrio orçamentário.

 

19/12/2007 12:16

O jogo de 2008

Os palpites do Blog para os assuntos e temas que pautarão as discussões do ano que chega.

- O ano de 2007 deve fechar com crescimento acima de 5%, o melhor desde o isolado ano de 2004 (quando o Brasil cresceu 5,7%, tendo crescido quase nada no ano anterior e no ano seguinte). O crescimento inercial da oferta produzirá crescimento de 3% à 3,5% em 2008. Se o BC não subir os juros, mesmo com uma piora no cenário dos EUA, o Brasil deve crescer 5% também no próximo ano.

- O real supervalorizado de 2007 se manterá em 2008, mesmo que o BC não eleve os juros (ou ainda se a Selic cair). O investment grade fará de 2008 outro grande ano de fanfarra dos rentistas e financistas. O mercado financeiro (Bovespa e BM&F) vai bombar.

- A balança comercial começou a decair a partir do segundo semestre deste ano, com as empresas redirecionando sua produção para o mercado interno, graças ao real apreciado, que inibe as exportações e faz as importações manufaturadas chegarem mais baratas. Haverá déficit em conta corrente novamente no país. E novamente os setores hegemônicos do pensamento econômico e da mídia dirão que isso é benéfico para o país, pois significa aumento dos recursos externos.

Setores para prestar atenção:

- Etanol. O mercado do etanol é pouco regulado pelo governo, sendo francamente aberto para a iniciativa privada, interna e externa. As grandes fazendas e usinas continuarão nas mãos do grande capital estrangeiro (especialmente norte-americano). Com as eleições presidenciais nos EUA, esse tema surgirá como pauta de tarifas comerciais entre EUA-Brasil.

- Mercado Imobiliário. O governo concedeu uma série de medidas a partir de meados de 2006, que incentivaram e impulsionaram o mercado, através de fortes incentivos fiscais e condições baratas de financiamento pelo BNDES para as construtoras. Estas se capitalizaram enormemente através de abertura de capital na Bovespa em 2006 e 2007, e já começaram a investir. Com o crédito imobiliário para as famílias está sendo usado como filão pelas financeiras, 2008 verá uma série de empreendimentos imobiliários pipocar.

- Resseguros. A partir de 1º de janeiro, o mercado está aberto a competidores estrangeiros. O IRB brasil Re, único ressegurador autorizado até agora a operar no país, perde o monopólio. O Brasil é um dos últimos países do mundo com mercado de resseguros fechado, ao lado de Cuba. A maior atenção estará nos trabalhos da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que vai cuidar da fiscalização e regulação do mercado. Trata-se de um mercado elitizado, com algumas mega-empresas mundiais. Se não houver regulação eficiente, o mercado nacional será dominado por poucos grupos internacionais, com dinheiro para operar.

- Commodities. Desde 2002 os preços internacionais de todas as commodities (produtos primários agrícolas, minerais, metais) subiram de maneira cavalar ano a ano, graças a crescente demanda chinesa, que compra os produtos primários para sua produção industrial, que depois é exportada para os países vendedores de commodities. O Brasil se manterá nessa posição de "celeiro do mundo" em 2008, com novas elevações nos preços das commodities. É a crescente remuneração desse setor que inibe qualquer outro, mais elaborado. A dependência externa se manterá no campo comercial, como no financeiro.

- China. O país asiático mudou a geografia global, transformando a sociedade mundializada menos dependente dos EUA. O processo de "sino-centrismo" (amplamente discutido e analisado por este Blog) começou em 2002, ao mesmo tempo que o poder hegemônico estadunidense começou a decair.
A aceleração inflacionária na China provocou uma série de medidas restritivas ortodoxas por parte do governo chinês em 2007. Os depósitos compulsórios aumentaram, assim como os juros básicos. A tendência é o movimento ganhar uma leve valorização cambial em 2008, mas o país ainda terá um ano de enorme crescimento - acima de 11% em 2007 e acima de 10% em 2008. As Olimpíadas de Pequim serão a atração da vez.

 

21/12/2007 11:46

Contribuições financiando despesas e juros

A pesquisadora Andréa Mascitto, da Fundação Getúlio Vargas apresentou levantamento sobre a destinação dos recursos da Cide entre 2002 (primeiro ano de vigência do imposto) e 2006. Concluiu que apenas metade dos recursos arrecadados seguem para investimentos.

A Cide (Contribução de Intervenção no Domínio Econômico) sobre Combustíveis foi criada em 2001 por Emenda Constitucional. Conforme a EC nº33 sua arrecadação é destinada à três finalidades: pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados do petróleo; financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e financiamento de programas de infra-estrutura de transportes.

Os contribuintes da Cide são os produtores, formuladores e importadores de combustíveis.

Desde 2002 foram efetivamente gastos entre 29,1% e 62,7% dos recursos da Cide que a União tinha à sua disposição, dependendo do ano. Foram levados em consideração os valores que a União tinha de fato em mãos, descontados os 20% da DRU - que são revertidos para pagamentos de juros da dívida pública - e os repasses de 29% à Estados e municípios (a partir de 2004).

O levantamento mostra que 2006 foi o ano em que a Cide mais foi aplicada no destino apropriado. Mas mesmo nesse ano, dos R$ 6,25 bilhões disponíveis para a União, apenas R$ 3,53 bilhões foram realmente gastos. E desses gastos, 54,2% foram usados para custear investimentos e 41,4% forma destinados a despesas correntes.

A pesquisa de Andréa faz parte dos trabalhos publicados pelo Núcleo de Tributação e Finanças Públicas da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, sob coordenação do professor Eurico Marcos Diniz de Santi.

Há cerca de dois meses, pesquisa semelhante sobre a destinação dos recurso da CPMF foi produzida pela pesquisadora Tathiane Piscitelli, professora e pesquisadora da FGV.

Segundo o levantamento de Tathiane, a maioria dos recursos arrecadados com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não são destinados à investimentos na Saúde, conforme prevê a Constituição. Os recursos são usados para despesas correntes, isto é, para custear o sistema de saúde, e não para melhorar sua infra-estrutura.

Dos valores trabalhados por Tathiane já estavam descontados os 20% referentes à DRU, que desvincula um quinto do arrecadado com tributos das aplicações constitucionais obrigatórias para que o governo gaste livremente. Como se sabe, realoca tudo para o pagamento de juros da dívida pública (o superávit primário).

A pesquisa mostrou também que só cerca de 55% do que é arrecadado com o tributo é de fato distribuído entre as áreas de saúde, Previdência e para a erradicação da pobreza, como é previsto em lei.

 

22/12/2007 07:00

A fórmula do sucesso dos bancos de investimentos

Matéria dessa semana no Valor mostrou que no Brasil, em 2007, os bancos de investimentos obtiveram lucros recordes em operações de abertura de capitais na Bovespa.

Foram considerados os ganhos com comissões nas emissões iniciais públicas de ações (IPOs), primárias ou secundárias, e nas emissões de lotes adicionais de ações, o que deve totalizar US$ 1,5 bilhão. Os ganhos dos bancos com opções de compra embutidas em empréstimos pré-IPO ("equity kickers") também foram incluídos e estimados em US$ 300 milhões a US$$ 500 milhões.

Ao todo, os valores pagos pelas empresas ou bancos emissores aos coordenadores das operações vão de US$ 1,8 bilhão a US$ 2 bilhões.

Os líderes do mercado continuaram sendo o Credit Suisse, o UBS Pactual e o Itaú BBA.

A fórmula encontrada por esses bancos de investimentos para manterem à dianteira mesmo após forte acirramento concorrencial em 2007 foram os investimentos em anos anteriores, especialmente nas áreas de gestão de grandes fortunas.

O relacionamento com altos executivos e empresários da área de gestão de fortunas ajuda o banco de investimento a conhecer empresas clientes para os IPOs e investidores para a compra de ações. O Itaú BBA e o UBS são líderes em gestão de fortunas. O Credit Suisse pagou US$ 294 milhões por 50% da Hedging-Griffo, forte na gestão de recursos e gestão de fortunas.

Outro caminho encontrado pelo Credit Suisse, o UBS (ambos com matriz na Suiça) e o Itaú foi a fusão ou compra de concorrentes brasileiros.

Em 1997 o Credit Suisse adquiriu um dos principais bancos de investimento brasileiros, o Garantia, por cerca de US$ 1 bilhão. Acabou herdando executivos de peso, como José Olympio Pereira, hoje responsável pelo banco de investimento do Credit Suisse.

Parte dos sócios de Jorge Paulo Lehman, que fundou o Garantia, deixaram a instituição quando da venda para o Credit Suisse. Os executivos se juntaram e fundaram o Pactual, que durante anos foi líder no mercado de bancos de investimento no Brasil.

Recentemente o Pactual foi adquirido pelo concorrente suiço do Credit Suisse, o UBS, que agora opera no Brasil com o nome de UBS Pactual.

O Itaú procedeu da mesma maneira. Adquiriu o BBA em 2002, e três anos depois contratou Jean Marc Etlin e sua equipe do UBS. Etlin é hoje o responsável pelo banco de investimento do Itaú BBA.

 

23/12/2007 13:42

Continuísmo e paloccismo

A edição deste domingo d'O Globo traz artigo de Antônio Palocci ("A mãe de todas as batalhas") em que o ex-Ministro da Fazenda defende o superávit primário e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O superávit primário, como se sabe, é o nome fictício para "dinheiro contingenciado de investimentos do Estado para pagamentos de juros da dívida pública". É uma técnica neoliberal que prega esvaziamento das funções estratégicas do Estado - que passam a ser terceirizadas para o mercado - para uma função apenas: pagamento de juros para rentistas que financiam o Estado.

Foi adotado pelo Brasil no primeiro ano da gestão Armínio Fraga no Banco Central (1999-2002), em acordado costurado com o FMI após a crise cambial do Plano Real, que explodiu as contas públicas. Ao adotar o superávit primário, o governo se comprometia pela primeira vez em pagar a conta de juros. Ou ao menos uma parte dela.

Isso porque devido à enorme carga de juros que incidem sobre nossa enorme dívida, o Brasil fecha todo ano com déficit nominal. Em 2007, por exemplo, a conta de juros será de algo como 6,3% do PIB. Como o superávit primário é de 3,8%, restam ainda 2,5% do PIB de juros que são pagos com empréstimos externos.

Em seu artigo Palocci escreve que "no governo Lula, o esforço fiscal foi ampliado, resultado em enormes benefícios para a política monetária e para os programas sociais".
Falso. De fato o esforço fiscal foi ampliado (o superávit primário subiu de 3,75% dos tempos de FHC para 4,25%), mas nenhum benefício foi gerado para a política monetária - que continuou praticando juros altíssimos - nem para os programas sociais - que poderiam ter mais caixa não tivesse seu dinheiro realocado para o "primário".

"Já se completam cinco anos de redução da dívida pública, uma conquista fundamental para a economia brasileira".
Outro equívoco. A dívida não recuou nem um centavo. Muito pelo contrário, continuou aumentando no governo Lula. O que ocorreu, isso sim, foi uma desaceleração no ritmo de crescimento do endividamento, que crescia mais rápido no governo FHC. E mesmo esse movimento só foi possível graças ao crescimento da economia mundial.

"A melhora da qualidade das políticas fiscal e monetária desenha, agora, o mais longo e consistente ciclo de crescimento da história recente".
Se se considerar crescimento como qualquer número percentual acima de 0 (zero), aí sim, estamos vivenciando o maior crescimento da história dos Estados Nacionais, afinal crescemos continuadamente desde 1981! Tivemos períodos inesquecíveis como o crescimento de 0,2% em 1982, ou o grandioso 0,5% de 1991, o esplendoroso 0,1% de 1998, ou ainda o 0,6% de 2003.

Sinceramente, não houve nenhum crescimento sustentável em 26 anos. Tivemos sim anos de crescimento expressivo (como 1986, 1995, 2004 e agora em 2007) mas que logo em seguida vinha o baixo crescimento, por diferentes motivos (respectivamente, o erro de estratégia do Cruzado em 86, o erro cambial de 95, o erro nos juros de 04).

Podemos agora, finalmente iniciar um crescimento longo e consistente com 2007 como origem. Mas desde que erros sejam consertados (câmbio, juros, infra-estrutura, gestão do Estado) e não exacerbados.

 

25/12/2007 08:30

Feliz Natal

Se há um período em que o Blog se torna mais pessoal e menos comunitário, esta época é o Natal. Lógico, sempre há o espaço dos comentários para que os 18 leitores deste espaço se manifestem.

Pessoal, curto e grosso. Como há de ser, para um Blog, no Natal.

Lista:

1. Paz pessoal. Está mais do que na hora de amainar as ansiedades pessoais. O ano de 2007 pode ser considerado excelente por motivos que este texto não pretende discutir. O presente número 1 é que 2008 seja ainda melhor. E há de ser.

Descobrir à si mesmo é a maior das torturas. E das alegrias. Porque no final, não tem erro. Conhecer à si próprio evita os erros e desvios.

Só me permito falar sem humildade quando o assunto é segurança pessoal. Ainda tenho muito à descobrir e a produzir, sem dúvida. Mas não dou o braço à torcer em
vulnerabilidades.
Sei o que é bom para mim. (aceito sugestões) E sei o que odeio. (novas adições em aguardo)

2. Felicidade comunitária. Coloco desta maneira para englobar não apenas o círculo familiar, mas também as amizades e os diferentes círculos de convívio. A felicidade deles é a minha.

3. São Paulo Tetra Campeão da Libertadores e do Mundo. O esporte é a alegria do povo, e deste que vos escreve. O quarto título continental e mundial do SPFC seria um presente menor apenas que os dois anteriores.

Feliz Natal aos leitores, seus familiares e amigos.

 

25/12/2007 13:57

Votos de igualdade social

O período de festas de fim de ano permite aos colunistas dos jornalões desfrutar de férias. O caso d'O Globo é o mais exemplar, por deixar todos seus colunistas (de todas as editorias, à exceção de Ancelmo Gois) em férias até meados de janeiro.

No caderno de Economia (que conta com boa matéria de Ronaldo D'Ercole sobre a crise nas receitas das companhias aéreas), a colunista Débora Thomé toma o espaço da titular, Miriam Leitão.

Débora é colaboradora da coluna, além de interina ocasional, suprindo as férias de Miriam há muitos anos. E seu trabalho é acima da média, por vezes superior à titular.

Sua coluna de hoje preza pela igualdade na distribuição da renda no Brasil, na busca incessante por maior justiça social. Separei alguns trechos, para se fazer refletir em mais um Natal.

"Este ano, fazendo uma entrevista, assustei-me quando o economista que estava do outro lado da linha me disse que, no Brasil, o que consideramos classe média são pessoas que estão entre os 85% e 95% de maior renda. Se a classe é média, era de se esperar que ela estivesse perto do meio, como acontece nos países desenvolvidos. Mas a concentração de renda aqui é tamanha que até os grupos que consideramos classe média, encontram-se, na verdade, bem mais perto do topo da pirâmide."

"Comentei com um amigo estrangeiro - que, como tal, sempre se impressiona muito com a pobreza brasileira - que São Paulo tinha um dos maiores tráfegos de helicópteros do mundo. E ele me disse: 'Talvez os donos dos helicópteros não estejam pagando tantos impostos quanto deveriam.'"

"Mas o Brasil é mais complexo, expliquei, porque aqui até o Estado é concentrador, não redistribui bem o que arrecada. Na Previdência por exemplo, os 2% mais ricos recebem o mesmo montante em aposentadorias e pensões que os 60% mais pobres."

"A desigualdade no Brasil é ainda desigualdade em tudo: na renda; no acesso à educação, à saúde, a oportunidades. (...)É preciso pensarmos em formas mais eficientes de distribuir melhor nossa riqueza. Talvez a generosidade do Natal nos ajude a refletir sobre as nossas opções até aqui e a encontrar soluções novas para o problema."

O Blog repete os votos de feliz Natal aos bravos leitores que se preocupam em acessá-lo no feriado festivo.

 

26/12/2007 20:54

Analistas inflamam o BC

Com o recente aumento nos índices inflacionários (que aliás, permanecessem abaixo da meta perseguida pelo BC)
começaram a pipocar no mercado e na imprensa opiniões de "analistas de peso" (ligados à fundos de investimentos, empresas de consultoria, e ao capital financeiro) de que o momento era de cautela com os juros Selic.

Estes analistas (os mesmos de sempre, ouvidos pelos repórteres e amigos dos jornalistas especializados, que repetem suas opiniões) consideram a taxa de juros brasileira "baixa demais" para a inflação que se prevê para 2008.

Por isso, não teimam em predizer: o Banco Central deverá aumentar os juros no ano que vem para evitar "a volta da inflação".

Neste ponto, surpreendeu a posição defendida pela Folha, em seu editorial de hoje.

"É verdade que parte das fortes altas recentes dos preços dos alimentos poderá reverter-se logo à frente. Mas isso não será suficiente para impedir que a inflação já observada aumente o componente inercial que influencia a formação dos preços (por exemplo, ao incorporar-se às reivindicações de aumento salarial)."

"Esses elementos sugerem que poderá levar vários meses até que o BC se sinta à vontade para voltar a reduzir a taxa de juros básica. Daí a sugerir que conviria que ele a aumentasse vai uma grande distância. Chega a espantar que alguns analistas estejam apontando a necessidade de um aumento substancial, de vários pontos percentuais, na Selic."

"A aceleração do investimento é um dos traços mais positivos da trajetória recente da economia, e a confiança de que o mercado interno terá crescimento sustentado é um dos pilares desse movimento. Frustrar essa expectativa seria deletério. A inflação exige cautela das autoridades; a preservação do ânimo empreendedor, também."

Embora não divida os mesmos interesses financeiros que seus pares, Delfim Netto foi outro "analista de peso" que tratou do assunto em sua coluna na edição mais recente de CartaCapital.

Delfim, no entanto, considera que um aumento na Selic não será deletério para o crescimento nacional como em outros tempos.

"No Brasil de hoje, entretanto, o consumo e o investimento dependem muito pouco da taxa Selic. O consumo depende da expansão institucional do crédito, uma vez que sua taxa de juro real é determinada por um spread enorme, muito maior do que ela. O investimento depende da existência de demanda futura e das finanças internas das empresas, do mercado de capitais e do BNDES. A Selic é importante mesmo só para as finanças públicas. É isso que nos dá a esperança de que a política monetária será incapaz de abortar o atual ciclo de crescimento".

 

28/12/2007 19:26

Razão x Emoção

A reflexão proposta pelo Natal invade os dias finais do ano. É hora de repensar o eu. Descobrir à si mesmo é trabalhoso e desgastante. Porém com final feliz, que recompensa o esforço.

Sempre é assim.

O Blog dará breve férias aos bravos leitores. Entrará em recesso para as festas de final de ano. Voltará tão logo 2008 comece. Ou 2007 termine.

 

31/12/2007 19:20

O dever de ser crítico

"O acriticismo militante foi nefasto para a esquerda. Sem ser crítico, não se pode ir a nenhum lado, se reproduz o pior. Para mim, ser de esquerda não significa estar contra a direita, mas contra o poder, seja quem for que o exerça".

Canek Sánchez Guevara, neto de Ernesto "Che" Guevara, em entrevista ao jornal espanhol El País.

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O dever auto imposto por este Blog é ser crítico quanto aos rumos do país. Isto é, discutir os planos de governo (seja da situação, da oposição, direita ou esquerda) e propor novas formas para melhor estabelecer o debate.

A crítica deve ser baseada nas idéias. No certo ou errado, no melhor ou pior, no possível ou impossível. Fugir do que é cômodo. Escapar do senso comum, qual seja, criticar por criticar.

Para criticar, discutir, debater, é preciso estudar. É preciso democracia. É preciso segurança e respeito. Fugir dos ideologismos e das idéias prontas. Argumentar e contra-argumentar.

O eixo principal das discussões propostas pelo Blog é um projeto ideal de país para o Brasil. Um que encare nossas maravilhas e nossos limites. Que pense o sucesso de todo o povo de homens cordiais. Que atente para nossas diferenças nacionais, nosso regionalismo, nosso caráter e nossa fraternidade.

Tendo isso em mente, o estudo de diferentes situações, de diferentes países (EUA, países da União Européia, China, Rússia, América Latina, etc.) permite balizar o que pode adequado ou insuficiente para nosso país. Não é transportar modelos de sucesso. É entender o porquê do sucesso para praticá-lo à nossa maneira.

Não há barreiras para o debate. Política, economia, direito, relações internacionais, movimentos sociais, sociedade civil, esportes, ciência. Não há limites para temas. Religião, igualdade de renda, justiça social, desenvolvimento, família.

O Blog completa 2007 e inicia 2008 com o mesmo gás que impulsionou sua criação em 2006. Discutirá o óbvio de maneira democrática, incentivando a participação e o engajamento. Porque o sucesso da Nação só se faz com a mobilização de todas as partes.

O leitor está mais do que convidado à continuar.