03/01/2008 12:31
O agronegócio em 2008
O programa Globo Rural de sábado (30 de dezembro) apresentou um apanhado compelto do agronegócio brasileiro em 2007. Pela primeira vez em anos o setor terminou o ano melhor do que começou, e ainda assim, prevê novas melhoras para 2008.
Após os recordes de 2003/04, houve um período negro para o setor, no biênio de 2005 e 2006. A grave crise de problemas de safra, endividamento e câmbio baixo, sofreu com embargos externos entre outros. O Ministro da Agricultura do primeiro governo Lula, Roberto Rodrigues, abandonou o barco em 2006 sem ver alternativas de melhora no curto prazo.
Mas 2007 surpreendeu, mesmo com a piora na situação do câmbio, pela melhora no clima, que favoreceu a produção, gerando safras maiores que as previsões. O aumento nos preços agrícolas deu um impulso estratégico para as vendas para o mercado externo, ao mesmo tempo em que o mercado interno ganhou força, terminando o ano em franca ascensão.
O programa trouxe entrevistas com produtores rurais, que diante dos lucros maiores passaram a honrar dívidas e melhorar a eficiência de sua produção. Pela primeira vez no Brasil houve negociação de safra futura (no caso, de milho) sem que a atual estivesse apta. Houve casos de a safrinha de milho (produzida entre safras de soja, por exemplo) darem lucros quase tão grandes quanto à safra grande.
O Globo Rural ouviu ainda Francisco Homem de Mello, economista da USP, que disse que o agronegócio está vivendo no Brasil seu auge histórico, e que 2008 promete ser o melhor ano da história.
03/01/2008 16:10
A compensação pelo fim da CPMF
O fim de 2007 anunciou também o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), instituída em 1996, após aprimorar o antigo IPMF de 1993. Com a não-aprovação da prorrogação por mais quatro anos da contribuição em votação no Senado Federal, o governo perdeu o equivalente à R$ 40 bilhões de arrecadação prevista com a CPMF para 2008.
Perdeu para todos os quatro anos que pretendia prorrogar, claro. Mas a derrota maior está no curto prazo, afinal o Orçamento de 2008 – que ainda não foi aprovado pelos parlamentares, bom que se diga – foi todo construído com a previsão de que a CPMF seria mantida.
Tão logo começou o ano e o governo baixou algumas medidas pontuais, que deverão compensar a perda de arrecadação da CPMF. A maior soma dos R$ 40 bilhões virão de cortes nos gastos. Serão cortados investimentos federais na ordem de R$ 20 bilhões, que atingirão especialmente os investimentos das “pastas gordas” dos Ministérios (Cidades, Transportes, Saúde, Educação, etc.) e os salários do funcionalismo, que não receberá ajuste, conforme anunciou o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
A conta feita pelo governo foi separar o que não poderia ser cortado ou diminuído do Orçamento 2008. Os investimentos federais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), os gastos do Bolsa-Família, e o superávit primário (o dinheiro que o governo guarda para pagar os juros de sua dívida, conforme acordo com o FMI).
Outra medida de compensação pela perda da CPMF foi o aumento em dois impostos financeiros: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras, que é cobrado da pessoa física em todas as operações de contratação de crédito) e o CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que terá aumento de alíquota cobrada).
O IOF aumentará de 1,5% para 3% da fatia de juros que o tomador de empréstimos terá de pagar. Já o aumento do CSLL só atingirá os operadores do sistema financeiro, isto é, majoritariamente os bancos. A idéia do governo, explicitada pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, é aumentar a tributação federal sobre os lucros dos bancos, que não param de crescer e que atingiram recordes históricos em 2007.
O aumento na alíquota da CSLL (dos atuais 9% para 15%) para os bancos só ocorrerá em três meses, cumprido o período de “noventena”, previsto pela Constituição Federal. Coincidirá com o ajustamento na cobrança de tarifas dos bancos, que o governo tratou de organizar.
Embora ambas medidas sejam boas por aumentar a regulação no sistema bancário (em relação à organização das tarifas escorchantes cobradas) e diminuir os lucros excessivos (com o aumento na tributação) a regulação do sistema por parte do governo ainda é pouco eficaz.
04/01/2008 07:00
Os entraves do programa de biodiesel
O início de 2008 trouxe também o início da mistura obrigatória de 2% de biodiesel ao diesel convencional vendido em postos de combustíveis no Brasil. A medida já começou a valer em 1º de janeiro, mas foi pouco discutida em bases práticas.
O preço final ao consumidor de diesel aumentará, em torno de um ou dois centavos de real, já que o combustível biológico ainda é mais caro de se produzir. Esse aumento de preços já sentido de imediato, embora seu impacto será pouco efetivo se comparado à diminuição na poluição decorrente do uso do diesel convencional.
A chave para incentivar e manter a utilização do diesel, ao invés da inversão para a gasolina pela economia de gastos, é bater na tecla da sustentabilidade do planeta e das condições humanas. Esse mecanismo já se mostrou eficaz em diferentes negócios, tem tudo para se tornar mestre nos combustíveis.
Os preços mais elevados, no entanto, tem feito as distribuidoras se movimentarem, oferecendo competição acirrada pelo consumidor. Essa competição atinge o produtor, que tem pouquíssima margem de manobra, e verá seus lucros caírem.
Pesquisadores do setor afirmam que a demanda será cumprida pelos primeiros dois ou três meses, quando os preços não mais serão alcançados pelos produtores. Haverá então, choque de oferta, que ocasionará aumento de preços ou suspensão da medida obrigatória de mistura.
Já Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regula o setor, afirma que tal choque não ocorrerá, tratando de dar ao mercado os poderes de correção necessários. Segundo a agência, o importante para toda a cadeia do biodiesel, e mais especialmente para os produtores, é conquistar mercados.
Isto é, sofrer com os preços baixos que impactam negativamente as taxas de lucros para conquistar e manter mercados nessa fase inicial para que mais à frente, possam ganhar espaço de manobra que cubra o começo declinante. É esse pensamento que deve permear as decisões dos produtores, acarretando em produção continuada com busca pela eficiência e diminuição de custos para lucros futuros. Com isso, o choque de oferta previsto pelos pesquisadores não ocorrerá, pois os produtores entenderão que é preciso perder no início para ganhar no final.
Enfim, a discussão está na mesa, com diferentes questões e visões.
04/01/2008 13:11
O jogo político das Minas e Energia
O presidente Lula deverá anunciar o novo titular da pasta de Minas e Energia na próxima semana. Será Edison Lobão, do PMDB de Maranhão. Para os leitores que nunca visitaram o Maranhão, ou não ouviram falar em Lobão, uma breve biografia.
Edison Lobão é dono do segundo sobrenome mais poderoso em seu Estado. Lá, apenas os Sarney desfrutam de maiores referências. Em nome de Lobão se encontra de tudo no Maranhão: pontes, ruas, praças, padarias, e até rádio e televisão.
Pois é, o maior detentor de direitos de outorga de transmissão por televisão e rádio do Maranhão é José Sarney. O outro é Edison Lobão. Todas as transmissoras estão no nome de seu filho, Edison Lobão Filho, conhecido por Edinho.
É Edinho quem ocupará a cadeira de suplente no Senado, quando o pai assumir o Ministério de Minas e Energia.
Agora, o jogo político.
O Ministério de Minas e Energia sofreu uma verdadeira revolução sob a batuta de Dilma Rousseauf, quando foi titular da pasta. Dilma alterou todo o quadro de funcionários, equalizando a folha de pagamentos, criando áreas de trabalho e focos específicos para projetos. Instituiu um modelo bem sucedido de gestão.
Quando abandonou o cargo para ocupar o de José Dirceu como Chefe da Casa Civil, Dilma alocou Silas Rondeau (PMDB) para seu posto. A operação foi costurada pelos maiores caciques do PMDB, José Sarney e Renan Calheiros (antes da derrocada).
Rondeau manteve o mesmo quadro institucional e operacional iniciado por Dilma, inclusive mantendo Nelson Hubner como secretário-executivo, peça chave na pasta.
Até que Silas Rondeau se enrolar em investigação da Polícia Federal sobre superfaturamento de obras públicas por parte de empreiteras. As discussões acerca de seu substituto aparentavam para nova indicação da dupla peemedebista, Sarney-Calheiros.
Mas acabou ficando com Nelson Hubner interinamente. Hubner passou a acumular a secretaria-executiva e a titularidade como Ministro. Desde o início uma situação provisória, até que Lula sentasse de novo com Sarney-Calheiros para decidir novo nome.
Hubner manteve o mesmo eixo do trabalho iniciado por Dilma e mantido por Rondeau. Especialmente, deu mais asas à figura de Maurício Tolmasquim, escolhido por Dilma como presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Tolmasquim é excelente técnico da área.
Tão logo começa 2008 e Sarney (agora sem Renan) emplaca o novo nome do PMDB. Novo em todos os sentidos, bom que se diga. Lobão foi filiado ao PFL (hoje sob o nome de Democratas), quando se elegeu senador em 2002. Trocou pelo PMDB do amigo Sarney apenas em outubro, há três meses portanto.
A idéia principal de Lula seria a recondução de Rondeau, retornando o interino Nelson Hubner para a Secretária-Executiva, Tolmasquim na EPE e ainda Ronaldo Schuck na Secretaria de Energia Elétrica. Mas as suspeitas sobre Rondeau não foram devidamente sanadas.
O nome de Lobão assusta Dilma. Ele pode desarticular todo o organograma estabelecido por ela, e mantido pelos sucessores.
04/01/2008 16:26
Eleições nos EUA: Iowa
As eleições presidenciais nos Estados Unidos são uma barafunda de idéias e regras distintas entre os estados da federação. A liberdade legal entre os estados é tamanha, que não há problema que as regras de escolhas entre os candidatos sejam distintas entre um e outro.
A primeira parte é dividida em decidir quais serão os candidatos dos democratas (atual partido da oposição, o ex-presidente Bill Clinton pertence ao partido) e dos republicanos (atual situação, é o partido do presidente George W. Bush).
Uma vez escolhido o candidato de cada partido, parte-se para a segunda parte de eleições indiretas, também com regras e datas diferentes entre os estados.
A primeira parte começou agora, com as primárias de Iowa, em que votam apenas os filiados aos partidos. Os democratas escolheram Barack Obama. Os republicanos, Mike Huckabee.
O que mais chama a atenção da eleição de Obama é o fato de sua escolha se dar no estado mais "branco" do país, com antecedentes históricos contra os negros. Barack Obama é negro. E mais, é o primeiro candidato negro à concorrer para a presidência dos EUA.
Obama bateu John Edwards (candidato mais à esquerda dos democratas) e Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, e com maior penetração internacional.
A escolha dos republicanos por Huckabee é mais natural, especialmente em Iowa. O candidato é ex-pastor, bastante conservador e puxador de votos da direita cristã.
Mas sua escolha não deixa de ser uma surpresa, especialmente por bater Mitt Romney (apontado pela mídia estadunidense como principal) e Rudolph Giuliani (prefeito de Nova York quando dos atentados de 11 de setembro de 2001).
O jogo está mais do que aberto. Claro que as escolhas de Iowa surpreendem, além de direcionarem as campanhas. Mas por estarmos em janeiro (ainda que a campanha tenha começado em março do ano passado) e até pelo complicado sistema eleitoral norte-americano, o jogo está aberto.
05/01/2008 13:53
Mídia na fronteira entre Brasil e Venezuela
A edição da revista Época que circulou na semana final de 2007 trouxe matéria sobre as fronteiras geográficas entre Brasil e Venezuela. Os jornalões Folha de S.Paulo e O Globo trouxeram reportagens semelhantes, enviando – como a Época – seus repórteres às cidades fronteiriças, Pacaraima (RR, Brasil) e Santa Elena de Uairén (Venezuela).
Priorizarei a reportagem de Época por seu teor simplificado de jornalismo de revista semanal. São dois os enfoques dos textos produzidos. Um é sobre a corrida armamentista produzida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que desde 2005 vêm aumentando sistematicamente os gastos governamentais com equipamentos importados de nova geração.
O outro tema é como o Brasil deve se comportar frente a isso. Desde as teorias criadas sobre o que pode ocorrer com o Brasil caso Chávez deflagre uma guerra que atinge nossas fronteiras (mesmo que de maneira indireta) até as relações sociais entre os brasileiros em Santa Elena de Uairén.
A revista lança mão da teoria de que Chávez está se preparando para tomar o território das Guianas para si. “Desde o século XIX, a Venezuela reivindica quase a metade do território da antiga Guiana Inglesa, hoje República Cooperativa da Guiana. A área aparece em todos os mapas políticos da Venezuela como ‘zona de reclamación’. De tempos para cá, têm crescido os rumores de que Chávez estaria planejando uma ofensiva militar para anexá-la de fato. Na leitura reservada de oficiais brasileiros, o enfraquecimento político de Chávez, exposto pela derrota que sofreu em dezembro no plebiscito lhe conferir mandatos sem limite, pode levá-lo a criar uma ‘causa’ que una o país. Uma ofensiva contra a Guiana poderia, hipoteticamente, ser essa causa. E seria relativamente fácil, pois o poder de fogo guianense é quase nulo. O país, que se tornou independente da Inglaterra em 1966, nem sequer tem força aérea contra os Sukhois venezuelanos”.
E o que o Brasil tem a ver com isso?
A área em litígio é contígua à fronteira com o Brasil. Segundo a reportagem de Época (assinada por Rodrigo Rangel), “no caso de um ataque da Venezuela à Guiana – situação que fatalmente colocaria o Brasil na obrigação de agir para, pelo menos, evitar que o conflito contamine nosso território”.
Sobre as relações sociais e comerciais de brasileiros que moram na fronteira com a Venezuela, alguns fatos interessantes, outros pitorescos:
- Por ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo, a gasolina produzida na Venezuela é baratíssima, comparada aos preços médios mundiais dos postos e distribuidoras. A gasolina comprada a R% 0,65 o litro na Venezuela é vendida A R$ 1,80 em Roraima. Forma-se uma cadeia de comércio paralelo, com pessoas físicas abastecendo seus carros na Venezuela e outros, que além de fazer uso próprio, revendem a gasolina em postos, como o de Boa Vista (RR).
- Os produtos venezuelanos saem também muito baratos para os brasileiros, graças ao câmbio. O real é supervalorizado frente aos bolívares, moeda fortemente depreciada da Venezuela. Daí que há uma verdadeira fronteira de compras ilegais, similares ao contrabando histórico na fronteira Brasil/Paraguai. A Receita brasileira estabelece cota de R$ 600 para compras na fronteira (o equivalente à 1 milhão e 470 mil bolívares), mas que é largamente ultrapassada, por ineficiência na fiscalização.
Quando em Santa Elena, o repórter de Época esbarrou com um senador da República: Augusto Botelho (PT-RR). Transcrevo o trecho da matéria: “Com a mulher, o filho e a nora, ele chegara a Santa Elena na véspera. Sua caminhonete Toyota Hilux já estava abarrotada. O senador comprou impressora, aparelho de DVD, liquidificador, árvore de Natal e mais um punhado de bugigangas. ‘Estou dentro da cota, viu?’, disse o senador, que ainda ensaiou um discurso: ‘Isso aqui acaba com a economia de Boa Vista. Só num dia como hoje, os brasileiros estão deixando aqui mais ou menos R$ 500 mil. É dinheiro que poderia ser gasto do nosso lado da fronteira”.
06/01/2008 07:00
A cadeia em crescimento do mercado de capitais
O boom do mercado de capitais brasileiro iniciado em 2004 fez de 2007 um ano de recordes máximos. O ano que se inicia tem tudo para manter o mercado em alta histórica, mas será um esforço para alcançar o crescimento de 2007.
Esse explosivo aumento no número de empresas que abriram seu capital em Bolsa gera toda uma cadeia de vencedores. As empresas em si conseguem dinheiro como nunca imaginaram, à um custo muito menor que o exigido pelos bancos através de suas taxas.
Com dinheiro em caixa partem para fusões e aquisições no mercado, além de ganhos de gestão. A companhia começa a dar lucro e quem embolsa, é o acionista investidor. Já são dois ganhadores.
O processo para abrir capital envolve uma série de participantes. Normalmente duas instituições financeiras são envolvidas no processo de estruturação societária e organização com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários, que regula o mercado nacional). Os principais são Citigroup, Credit Suisse, UBS Pactual, Itaú BBA, entre tantos outros. O filão de bancos de investimento ganhou muito nesses anos recentes.
Uma vez aberto o capital são contratadas empresas de auditoria, como manda a Lei das Sociedades Anônimas. Algumas empresas preferem terceirizar o serviço. Outras incorporam profissionais, criando setores autônomos dentro da holding.
Em 2007 as firmas de auditoria tiveram um crescimento médio no faturamento de impressionantes 21,6%, que atingiu R$ 1,9 bilhão. A previsão para 2008 é amplamente otimista, de crescimento de mais 20%. Agora há outra variável para sustentar o crescimento das empresas do setor. A partir de 1º de janeiro deste ano foi adotada, no Brasil, o padrão contábil internacional (IFRS, na sigla em inglês). Isso gera uma nova oferta de serviços, que devem ser levados em conta pelas companhias S.A.
Para completar o cenário positivo no segmento, a aprovação do projeto de lei 121/2007 deve aumentar ainda mais a demanda por serviços das empresas do setor, já que as companhias de grande porte que não têm capital aberto também precisarão ter seus balanços auditados. As principais empresas do setor são Terco Grant Thornton, a BDO Trevisan, a KPMG, a Deloitte, a Ernst & Young e a PricewaterhouseCoopers (PwC).
A cadeia de setores em crescimento explosivo se completa com os escritórios de advocacia e consultoria em direito e auditoria. Com a abertura de capital uma série de regras e normas passam à ter valor como cláusula pétrea de funcionamento empresarial. Especialmente se a empresa optar pelo Novo Mercado (NM) da Bovespa, que concentra as empresas com mais elevado nível de governança corporativa. É também aonde está o foco do acionista mais capitalizado.
Mais à frente, com o dinheiro obtido na Bolsa, as empresas partem para a concentração de mercado, adquirindo concorrentes e se fundindo às outras companhais. Esses processos acarretam profundos estudos e trabalhos que demandam os serviços dos escritórios de advocacia. O crescimento no faturamento das empresas do setor em 2007 foi também explosivo, devendo continuar crescendo enormemente em 2008.
Como se vê, a espiral de crescimento formada pela cadeia do mercado de capitais deverá se intensificar no ano que se inicia.
07/01/2008 22:48
Gangorra nas Bolsas
O mercado financeiro mundial vai permanecer nesse cassino louco até meados de janeiro. No 14 de janeiro serão lançados os primeiros resultados do último trimestre de 2007 dos bancos norte-americanos. Como a crise envolvendo os derivativos e o mercado imobiliário atingiu em cheio as instituições bancárias, esses balanços trimestrais servirão como base para o que virá em 2008.
Afinal, a crise explodiu em fins de julho do ano passado. Quando do último trimestre (iniciado em outubro) já era evidente que algumas perdas seriam irreversíveis, já que muito dinheiro foi colocado em ativos que não eram tão líquidos e seguros quanto pareciam.
Os balanços virão muito ruins, é claro. O que o mercado espera saber é o quão ruim está a situação. Saber dimensionar o rombo bancário será crucial para mapear os próximos passos dos Bancos Centrais, em especial do BC dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), que se reune no final de janeiro para decidir os juros.
Até o dia 14 o mercado ficará nessa gangorra - exemplificada pelo sobe-e-desce da Bovespa neste ano - acusando dados da economia americana. O movimento seguinte, pós-demonstrações financeiras só ficará claro depois dos juros que o Fed definir.
09/01/2008 07:00
Erro gerencial antecede racionamento energético
Com a sensível situação energética no Brasil, o governo anunciou ontem o acionamento das usinas termelétricas para manter a oferta de energia à crescente demanda e evitar assim o racionamento.
São duas as principais causas dessa situação: Erros de gestão, por apostas no imponderável e de risco, e questões geopolíticas.
Após o ridículo gerencial que provocou o racionamento de energia no Brasil em 2001, estudos para novas energias foram retomados, verbas foram realocadas, instituindo novas metas para o setor. O trabalho, embora não fosse rápido, tinha objetivo simples: fomentar diferentes formas de produção de energia elétrica (em especial de fatores não ou menos poluentes) para que não houvesse dependência de uma fonte exclusiva.
Para isso foram reestruturados órgãos de estudo e pesquisa no setor público, além da criação de novas secretarias e grupos de trabalho. O esquema já estava mais ou menos focado no governo FHC. O governo Lula implementou (através da gestão Dilma Rousseauf no ministério de Minas e Energia) e aprimorou a questão.
Mas o erro de gestão foi explicitado por apostas erradas. Estudos foram feitos em diferentes áreas, para diferentes matrizes, analisando-se questões geográficas, financeiras e ambientais. Percebeu-se que produção de energia eólica não é tão vantajosa assim, ao mesmo tempo em que provava-se que não há tantos entraves tecnológicos para produção interna de energia atômica.
Em todo o caso, mexeu-se pouco na prática. O sistema permaneceu viciado nas usinas hidrelétricas, apostando nos projetos das novas usinas do Santo Antônio e do Jirau. E a outra perna do sistema energético apoiada no gás natural importado à preço de banana pela Bolívia, e que começava à ser produzido pela Petrobrás.
Houve erro estratégico em apostar em duas frentes apenas. Mas houve também o imponderável, em todos os sentidos.
Utilizar a energia oriunda das hidrelétricas depende de licença ambiental. E o processo não é simples, visto que a instalação da usina (normalmente de grande porte) implica em destruição da ecologia presente no ambiente antes, qual seja, de rios e florestas naturais.
Apostou-se que conseguiriam lidar bem com as de Santo Antônio e Jirau. Não foi o que ocorreu. As licenças só foram obtidas depois do atropelamento do Ibama (diminuído à Instituto Chico Mendes) e da proza da ministra Marina Silva. Ambas só entrarão em funcionamento em 2012.
As usinas hidrelétricas também dependem dos níveis pluviométricos, isto é, da quantidade de água que as chuvas despenjam. Até o início do ano passado, isso não era problema. Mas agora é. Chove pouco, a oferta aperta.
Já a aposta no gás natural foi por água abaixo depois da subida dos preços importados da Bolívia, por decisão do presidente eleito Evo Morales. A produção interna (Petrobrás) não avançou, e o custo subiu.
Desde o fim do ano passado as usinas do Nordeste do país vêm operando com baixas perigosas nos reservatórios. Na segunda-feira, eles operavam com apenas 27,04% de seu volume - no mesmo período do ano passado, as represas nordestinas estavam com 65,4% da capacidade. Para equilibrar a situação na região, as usinas do Sudeste e do Centro-Oeste têm enviado energia para lá desde o final de 2007.
O problema é que mesmo as usinas de Sudeste e Centro-Oeste vivem situação de aperto. Os lagos dessas usinas operavam na segunda-feira passada com 44,73% da capacidade, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No dia 7 de janeiro de 2007, os reservatórios dessas mesmas regiões estavam com 60,2% da capacidade.
O acionamento das usinas termelétricas convencionais disponíveis, movidas a gás, carvão ou óleo (que produziam, na semana passada, 4.622 megawatts médios, o equivalente à 8,8% do total da produção nacional) vêm para contornar a situação no curto prazo, junto ás preces por chuvas.
Como em 2001, o apagão, antes de energético, é gerencial.
16/01/2008 14:22
Carta aos leitores
Tive a pior semana de minha vida. Aliás, o ano de 2008 não poderia começar da pior maneira. Para alguém com fé (embora não religioso) como eu, não poderia ser pior sinal. Sinto como se o ano começasse fadado à catarse. Estou nervoso, sozinho e cansado.
Pouco antes do reveillon fico sabendo que minha mãe teria de se submeter à delicada cirurgia no pâncreas, já com data marcada: 10 de janeiro no Sírio Libanês. Não posso submeter meu sentimento à limitação da frase escrita. Não há sentimentos definidos para uma coisa do tipo. Mãe é mãe. E a minha é tudo.
Voltamos de viagem no dia 02 de janeiro. Como o caro leitor deve ter notado, adotei expediente de despacho neste início de ano. Me entreguei ao trabalho como forma de esquecer o que viria pela frente. O Blog funcionou normalmente nesses dias.
No dia 08 o Estadão publicou furo de que Jerson Kelman, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), afirmava que havia possibilidade de um racionamento de energia este ano. Na noite daquele dia escrevi a coluna “Erro de gestão antecede racionamento energético”, para ser publicada no Blog na manhã do dia seguinte. Como o título da a entender, minha opinião é de que há sim erro de gestão por parte dos governos em apostar excessivamente no sistema hidroelétrico.
Por se tratar de opinião polêmica, decidi enviar o texto à diversos jornalistas, na noite do dia 08. Receberam minha coluna Luis Nassif, Clóvis Rossi e Eliane Catanhêde (Folha de S.Paulo, que não havia dado informações sobre o fato na edição daquele dia), Miriam Leitão (O Globo, que também não deu), José Paulo Kupfer e Maria Clara do Prado.
Nassif publicou o texto em seu blog. Lá a discussão alcançou um público muito maior, tendo o texto recebido 46 comentários, sendo três adicionados pelo próprio Nassif ao post original, e outros dois comentários meus, explicando melhor alguns pontos de minha tese. Nassif escreveu ainda 3 colunas sobre a questão, após o inicio do debate.
A coluna foi publicada na manhã do dia 09, e acabou sendo o último deste Blog, diante do vendaval de pessimismo que viria.
Minha mãe foi internada na manhã da quinta-feira, 10 de janeiro, com procedimento cirúrgico marcado para as 15 horas. Com atrasos, ela só foi à mesa de cirurgia às 16 horas, saindo de lá depois das oito da noite. Seguiram mais quatro horas de permanência na UTI, para retornar ao quarto de internação apenas à meia-noite e meia do dia 11.
O dia 10 foi provavelmente o mais longo de minha vida. Ao corre-corre no hospital (restrito apenas aos acompanhantes, claro) com ansiedade extrema foi adicionado uma discussão com a namorada deste que vos escreve. Não havia pior timing para aquilo. A junção dos fatores (as bobagens ditas + a total deselegância pela situação médica de minha mãe) determinou o afastamento.
O que se seguiu foi um pedido de desculpas. Aceitei. Mas a questão é maior do que simplesmente passar uma borracha no que aconteceu. As coisas não são simples assim. Sorte ou pena. A verdade é que o episódio todo (pelas palavras, pela teoria da conspiração, e pela circunstâncias) é impossível de se esquecer.
Em tempos péssimos o pessimista se torna realista
A partir do dia 11 se seguiu uma roda-gigante de nervosismo, espera e ansiedade. Sou uma pessoa ansiosa por natureza, parte honrada de meus pais, parte desenvolvida por mim mesmo. E a confluência negativa de fatores resultou na pior experiência de minha vida. De longe.
Perdi a noção do tempo. Esses dias valeram pelo ano todo. As horas não se incomodavam em passar, sendo empurradas vagarosamente pelos minutos. Tudo experimentado no limite suportável de minha mente. Desenvolvi gastrite, taquicardia, insônia e cansaço. Não fazia nada. E não acusei tédio. Era a ansiedade que me matava.
Nesses momentos a presença dos amigos foi incomparável. Não tenho palavras para agradecer a ajuda, a atenção e o carinho. Mello, Morgan, Fabinho (amigos do tempo de escola), Vitinho, Marina e Ítalo (amigos da faculdade) pela visita no hospital; Nikolas, Daniel, Bruninha e Henry pelos telefonemas; Renata, Diana, Júlia e Natália pelas mensagens.
Outros estimados amigos e amigas foram poupados de meus problemas, por opção minha. Quem conhece sabe, tenho profundas dificuldades de falar de mim mesmo. Me sinto muito mais a vontade falando de esportes, economia ou escutar os outros. Não lido bem falando de mim. Daí meu agradecimento aos amigos que se dispuseram a ajudar. Para se ter idéia, apenas os citados sabem do que aconteceu.
A recuperação de minha mãe foi lenta nos primeiros dias, mas deslanchou no final. Embora ainda sinta dores no corte e um dreno ainda repouse em seu abdome, minha mãe recebeu alta do hospital. Voltou para casa. Aos poucos o cotidiano familiar retorna ao normal.
Epílogo
Conversando por telefone com uma amiga, relatei tudo que tinha acontecido, nestes apenas 16 dias de 2008. Recebi um conselho, como que para levantar a auto-estima:
“As coisas ruins, negativas, costumam se concentrar todas de uma vez. Mas quando passa, a quantidade de coisas boas que ocorrem são recompensadoras. O melhor disso tudo foi justamente ter acontecido no início do ano”.
Seguindo a regra, e a julgar por este início de ano, 2008 será o melhor possível.
18/01/2008 07:00
O xadrez Colômbia e Venezuela
As relações de atrito e interesse entre Venezuela-Colômbia estão em evidência na América Latina graças ao processo de soltura de seqüestrados colombianos por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após envolvimento do presidente venezuelano Hugo Chávez. Mas não são de agora.
Em dezembro de 2004, o governo colombiano do presidente Álvaro Uribe (de direita, associado às idéias dos Estados Unidos) pagou US$ 350 mil à militares venezuelanos para que estes seqüestrassem no centro de Caracas (Venezuela) Rodrigo Granda, um dos chefões das Farc, e o levaram à fronteira para entregá-lo à polícia colombiana.
Imediatamente o presidente da Venezuela, Hugo Chávez (de esquerda praticante, crítico das idéias dos Estados Unidos), classificou a prisão de Granda em plena capital venezuelana como “violação de soberania”, mandou seu embaixador na Colômbia voltar para casa, suspendeu as relações comerciais com o país vizinho e ainda exigiu um pedido de desculpas do presidente Uribe.
Do lado colombiano (com lobby estadunidense) martelava a justificativa de que o governo de Chávez permitiu que Granda, líder de uma organização classificada internacionalmente como terrorista, vivesse dois anos em seu país, com direito à passaporte e documentos venezuelanos, tendo até votado nas eleições locais.
As intrigas amainaram desde então, mas as relações sempre estiveram suscetíveis à episódios de discussão pública. O poder de Chávez cresceu vertiginosamente, com vitórias nas eleições para presidência e no legislativo (que no país é unicameral). Passada a tese da Revolução Bolivariana veio à de implantação do socialismo do século XXI, através de nova Constituição, votada no final de 2007.
Na Colômbia, Uribe tratou de empacotar as medidas implantadas pelo governo federal e pelo município de Bogotá para esmagar a violência urbana à força, e exportar as idéias para fora. Partindo do “tolerância zero” de Rudolph Giuliani em Nova York, a Colômbia adotou (com assistência financeira e operacional dos americanos) um modelo próprio, também baseado na força de polícia (para-militares) para esmagar os “parias da sociedade”. Apenas do Brasil, quatro governadores já visitaram Bogotá para entenderem as idéias.
Chávez sofreu sua primeira derrota popular, após o plesbicito realizado em 2007 decidir pela não aprovação da nova Constituição. Uribe por sua vez, viu fracassar mais uma vez seus planos de resgate de reféns das Farc. Apelou para o vizinho Hugo.
Após um começo hesitante, em que a mídia internacional clamou nova derrota de Chávez, duas refugiadas colombianas foram soltas, levadas para Caracas e realocadas para suas famílias. A publicização da soltura, por parte do governo Chávez, serve como resgate de seu apelo popular de vitorioso (não apenas na Venezuela) como também uma estocada na oposição internacional. E nessa conta entra também o governo colombiano.
Administrar os egos, e os reais interesses nacionais, é a difícil missão de ambos governantes. Uribe tem de solucionar um grave problema interno, causado pelo próprio governo, que é como lidar com os parias colombianos. Cidadãos que sem oportunidades de emprego e moradia, não tem acesso à nenhuma ajuda, e foram expurgados das cidades (como Bogotá) pelas milícias do governo, que na desculpa de expulsar os traficantes, criou uma legião de “indesejáveis”, que nada mais são que cidadão colombianos sem oportunidades.
Chávez por sua vez têm as suas voltas um grave problema de inflação de preços. Com os crescentes superávits acumulados pela estatal de petróleo venezuelana, o presidente passou à utilizar esse dinheiro para assistencialismo e divisão de riqueza. Esse processo pioneiro no país, serviu para diminuir radicalmente a pobreza na Venezuela. Ao mesmo tempo, não houve atenção para industrialização do país. Com isso, enorme parte dos dólares que entram no país, oriundos do petróleo, são gastos na importação de toda a sorte de bens. Não se produz quase nada na Venezuela.
Políticas de controle de preços, e constantes desvalorizações da moeda nacional (os bolívares) causaram uma inflação anual de mais de 20%, de longe a maior da região. É areia jogada nas políticas de transferência de renda, ao aumentar o custo de vida da população.
Coluna escrita na tarde de terça, dia 15 de janeiro, gauradada para publicação apenas após o desabafo "Carta aos leitores"
21/01/2008 07:00
Lobão causa rebuliço jornalístico
O presidente Lula acaba de (finalmente) nomear Edison Lobão (senador do PMDB, embora eleito pelo PFL) para ministro de Minas e Energia. Não é preciso dizer o quanto esse cargo é estratégico, para gerir a questão energética do presente e planejar o bom funcionamento do sistema para o futuro.
Foi o total desleixo em deixar o cargo na mão de políticos (e não técnicos) que operacionalizaram o setor que causou o apagão de energia de 2001.
Mais recentemente, com verbas livres e gestão aprimorada houve melhora substancial na pasta e consequentemente no setor. Claro, com erros de opção ainda evidentes - como a possibilidade de novo apagão deixa claro - mas ainda assim anos luz à frente do passado.
A pasta volta para as mãos de um político não-técnico no assunto. Lobão já afirmou estar lendo sobre energia. Que começo, não?
Semana passada, no auge das denúncias e apurações que a imprensa lançou sobre o filho de Lobão, Edison Lobão Filho - o Edinho - a Folha publicou na sua edição de sábado, 12 de janeiro, coluna de Igor Gielow sobre o jogo político acerca da indicação do nome de Lobão para a pasta.
Gielow levantou uma tese interessante, já defendida por este Blog. Segundo o colunista, após a indicação do nome de Lobão pelos cardeais do PMDB (maior partido da base aliada do governo Lula), o presidente Lula resolve deixar o nome no molho por alguns dias (no caso, pouco mais de uma semana) para ver o que a imprensa levanta sobre ele.
O colunista da Folha inclusive lembra de episódio semelhante (também tratado por este Blog na época) da indicação de Odílio Balbinotti para o Ministério da Agricultura. Antes de assumir a imprensa fez uma geral no nome dele, acusando-o de usar funcionários como laranjas em operações junto ao Banco do Brasil.
Diante das acusações o governo recuou. Balbinotti saiu da lista e assumiu Luis Carlos Guedes (atual ministro).
Gielow então se pergunta sobre a utilidade da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Segundo Gielow, se a Abin "não consegue levantar a ficha de uma figura pública, como é há écadas Lobão, que tipo de 'inteligência' está a serviço da Presidência?".
Submeto as idéias de Gielow para análise porque concordo com muitos pontos levantados pelo colunista. Mas o que mais chamou a atenção deste Blog foi o fato de todos os pontos discutidos e as idéias levantadas por Gielow na Folha de sábado, foram reproduzidas por Dora Kramer em sua coluna no Estadão de domingo, 13 de janeiro de 2008.
Veja o leitor por si próprio.
Clicando aqui o artigo de Igor Gielow, publicado pela Folha de S.Paulo de 12 de janeiro.
Clicando aqui o artigo de Dora Kramer, publicado pelo Estado de S.Paulo de 13 de janeiro.
22/01/2008 07:00
A Web no futuro das comunicações e dos negócios
No final dos anos 90, o mercado globalizado apostava fortemente na hegemonia da internet, como futuro da comunicação humana. Era para lá que deveriam estar focados os negócios. O pote de ouro estava lá.
Seguiu-se um boom no mercado financeiro apostando em qualquer empresa com viés tecnológico, com a criação do índice Nasdaq na Bolsa de Valores de Nova York, que compilava as ações de empresas de tecnologia da informação (então chamada de informática).
Como na atual crise nos mercados financeiros mundiais, originada pela irracionalidade financeira no mercado imobiliário norte-americano, os mercados mundiais se tornaram irracionais com uma exuberância impressionante. A bolha "ponto.com" (como ficou conhecida) tomou o mundo. No Brasil foram criadas mega-empresas, com grandes investimentos e salários altos, "roubando" gente do mercado tradicional.
A bolha explodiu entre 2000 e 2001, pouco depois dos escândalos corporativos da Enron e pouco antes dos ataques terroristas de 11 de setembro. Para fugir da crise o banco central americano cortou os juros agressivamente (de 5% para 1% ao ano). A economia não regrediu e começou uma nova bolha, que explodiu agora (2007-2008).
Diminuída a afobação nos negócios de internet, as empresas de produção tecnológica continuaram inovando (Microsoft, Apple, software livres, etc.), as plataformas ganharam inovações e viram seus preços cairem por ganhos de escala, e o conteúdo tradicional do mercado da comunicação está cada vez mais informatizado.
Hoje se comercializa mais música de maneira online que pelo jeito tradicional; os jornais e revistas enxugam redações, aumentando seus expedientes ligados às edições pela internet; as lojas de departamento crescem mais pelos serviços online que pelo varejo físico.
O mercado publicitário vêm atrás, com fome cada vez maior. Segundo levantamentos do GroupM, da Inglaterra, os investimentos na internet devem superar o montante aplicado na TV por meio de anúncios já em 2009. Isso não é pouca coisa, especialmente por se tratar de um mercado como o inglês, com empresas televisivas tradicionais (quase centenárias), bem estruturadas e algumas servindo de modelo exportável, como o caso do canal público BBC.
A estimativa toma como base a expectativa de crescimento para este tipo de mercado. Enquanto a cifra investida na Web deve crescer 31% em 2007, a previsão é que a TV receba apenas 1% a mais em investimento. O fato não é exclusivo dos ingleses. Segundo o site Media Post, a Web deve se tornar dominante na Suiça e na Dinamarca ainda neste ano de 2008.
Essa mudança publicitária ainda não foi plenamente entendida pelos analistas e pelas empresas mais tradicionais. Ainda não há um claro modelo de negócios para a internet, e muitos setores, como a mídia, ainda não tem posição definida. A verdade é que, como base financiadora de muitas companhias e organizações no mercado, a publicidade tem poder decisório sobre o futuro de muitas empresas e setores.
As coisas estão acontecendo e quem ficar para trás nesse jogo desaparece.
25/01/2008 12:00
Amor de mãe
Caro leitor, permita à este Blog uma transcrição de uma música em inglês. Mas a exceção fica à cargo de obra do Queen, acima de qualquer nacionalismo.
A letra de Freddie Mercury (vocalista do Queen, falecido de AIDS em 1991) e de Brian May (guitarrista) é ainda mais especial para mim pelas circunstâncias que mudaram o rumo de minha vida, neste início de 2008.
Mother Love
I don't want to sleep with you
I don't need the passion too
I don't want a stormy affair
To make me feel my life is heading somewhere
All I want is the comfort and care
Just to know that my woman gives me sweet -
Mother love
I've walked too long in this lonely lane
I've had enough of this same old game
I'm a man of the world and they say I'm strong
But my heart is heavy and my hope is gone
Out in the city, in the cold world outside
I don't want pity, just safe place to hide
Mama please, let me back inside
I don't want to make no waves
But you can give me all the love that I crave
I can't take if you see me cry
I long for peace before I die
All I want to know that you're there
You're gonna give me all your sweet -
Mother love
My body's aching, but I can't sleep
My dreams are all the company I keep
Got such a feeling as the sun goes down
I'm coming home to my sweet -
Mother love
27/01/2008 09:45
Japão empaca de novo
A crise nos mercados financeiros é cada vez mais global. Originada pela fanfarra de vender títulos hipotecários de alto risco como papéis nos mercados financeiros norte-americanos, bancos e instituições financeiras do mundo todo negociaram os papéis.
Citigroup, JP Morgan Chase, Merril Lynch, Countyrwide, entre outros gigantes bancos e instituições imobiliárias estadunidenses já acusam enormes rombos em seus lucros de 2007. Partiram para a união com fundos de riqueza soberana de países petrolíferos do Oriente Médio e alguns, como o Northern Rock da Inglaterra pode ser estatizado.
A crise chega ao Japão, que levou 17 anos para sair de uma estagnação (1990-2007) e deve entrar em outra, após os descaminhos de suas principais instituições financeiras. A fanfarra é mundializada.
O maior banco japonês, Mitsubishi UFJ perdeu algo como US$ 470 milhões em investimentos em títulos subprime (títulos hipotecários de alto risco, negociado nos Estados Unidos).
O segundo maior banco do país, Mizuho Financial viu os preços de suas ações caírem 8,8% abaixo do nível de dezembro de 2004. O fundo do poço parece não chegar nunca. O Mizuho anunciou no início da semana que irá adquirir ações preferenciais conversíveis do Merril Lynch, como parte do plano de financiamento de US$ 6,6 bilhões do Merril. A idéia do norte-americano Merril Lynch (maior banco de investimento do mundo) é levantar até US$ 12,8 bilhões de investidores internacionais.
Mas investidores em Tokyo não receberam bem a notícia de que o Mizuho estaria adquirindo papéis do Merril Lynch. Segundo os analistas locais, o Mizuho já muitos problemas próprios para lidar com as perdas no mercado imobiliário americano e não deveria se envolver com uma instituição também bastante prejudicada pelos excessos financeiros.
29/01/2008 17:41
Confirmação de diagnóstico
Conforme antecipado por este Blog, o Japão acabou de ter sua economia considerada em recessão pelo Goldman Sachs. "A recessão não é produto da esperada recessão nos Estados Unidos, provocada pelos problemas no empréstimo 'subprime', mas pela queda brusca no consumo interno", afirmou Tetsufumi Yamakawa, economista-chefe do Goldman Sachs no Japão.
Embora sustente um crescimento sustentado de quase 70 meses, o Japão não cresce de maneira elevada (mais de 2,5%) desde o fim dos anos 1980, quando de uma vez só sua moeda (ien) se valorizou frente ao dólar - matando as exportações japonesas, que dominavam o mundo então - e o mercado financeiro sofreu forte crise.
E mesmo com esse crescimento "raso" por 17 anos já é colocado por água abaixo se o país entrar de fato em recessão.
31/01/2008 16:00
Gastos estagnados
Os jornalões de hoje trazem matérias parecidas sobre o superávit primário efetuado pelo setor público em 2007. O enfoque dado é basicamente o mesmo, por se basearem em fontes semelhantes do mercado.
O fato: Em 2007 o governo acertou que a meta de superávit primário seria de R$ 95,89 bilhões. Desse valor, poderia ser descontado o dinheiro investido pelo governo federal em projetos considerados prioritários incluídos no chamado PPI (Programa Piloto de Investimentos), previstos em R$ 11,3 bilhões. Desses, apenas R$ 5,1 bilhões foram efetivamente gastos.
Ou seja, o superávit primário estipulado em R$ 95,89 bilhões poderia ter sido de R$ 90,70 bilhões (os R$ 95,89 bilhões menos R$ 5,1 bilhões do PPI). Pois o governo produziu aperto ainda maior que o estimado, produzindo superávit primário de R$ 101,61 bilhões, equivalentes à 3,98% do PIB em 2007.
O que é superávit primário?
É o nome dado pelos técnicos do FMI e do Banco Central brasileiro para o dinheiro economizado pelo governo para pagar os juros de sua dívida pública. Para o mercado é a conta mais importante à ser cumprida. Deu-se o nome de superávit apenas como jogo de retórica, porque na realidade, esse dinheiro é obtido através de cortes nos investimentos do Estado para pagar os juros. E ainda assim fechamos todos os anos com déficit.
Mesmo com todo esse "superávit" de R$ 101,61 bilhões, não foi possível pagar toda a soma de juros que incidem sobre nossa dívida. Apenas de juros, a conta de 2007 foi de R$ 159,532 bilhões. Essa diferença de R$ 57,922 bilhões foi suprida com mais endividamento, pois os reais gastos nesses pagamentos são depois enxugados com emissão de títulos do Tesouro.
Outro ponto que cabe discussão é sobre essa conta total de juros. Esses juros são oriundos dos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional para se financiar. Quem define a taxa desses contratos é o Banco Central.
Em 2006 essa taxa Selic era de mais de 16% ao ano. O BC cortou gradualmente até outubro do ano passado, quando estagnou a Selic em 11,25% ao ano. Em 2006 a taxa variou de pouco mais de 16% até fechar o ano em 13,25%.
A conta de juros de 2006 foi de R$ 160,027 bilhões, igualzinha à conta paga em 2007 (os já citados R$ 159,532 bilhões). E em 2007 os juros abriram o ano já valendo 13,25%, fechando em 11,25%.
E como com juros mais baixos, os gastos do governo continuam no mesmo patamar?
Isso pela política adotada pelo Tesouro, desde a gestão de Joaquim Levy, de emitir títulos com taxas pré-fixadas. Ou seja, mesmo que a taxa caia, os títulos são lastreados pela taxa que vigia na época. Quem comprou títulos do governo quando os juros valiam 16% ao ano, continuará recebendo este valor mesmo que agora a taxa seja de 11,25%.
É por isso que a conta parece estagnada.