16/12/2006 18:28
Gênesis
Inicio hoje meu Blog. Inevitável pensa-lo como espaço pessoal virtual (ou vice-versa) ainda assim, tentarei ao máximo fazer deste espaço, um campo para debates para temas atuais.
Espero pageviews, comentários e participação neste endereço. Mas isto é óbvio, quem cria um blog espera ser lido. Agradeço desde já a atenção e a paciência dos primeiros 13 leitores. Espero cativá-los à permanecerem fiéis.
Gostaria claro de dedicar este espaço à Juca Kfouri, Luis Nassif entre outros, sem os quais não estaria aqui me fazendo por jornalista.
E vamos que vamos
16/12/2006 18:52
DVD do Tetra
O "DVD do Tetra" lançado ontem pelo São Paulo F.C. resultou acima das expectativas. Desde o trabalho gráfico (parceria do Clube com os profissionais do jornal Lance!) até o conteúdo por si só.
Embora o menu principal e os créditos - estes últimos lembrando aqueles créditos dos primórdios da fita VHS quando eram usadas para gravação de festas infantis - deixem a desejar, a escolha de imagens e a colagem com o som esta sensacional. Me refiro à edição claro.
Os extras foram muito bem escolhidos, embora uma música de fundo no extra "Nossas Fotos" seria agradável. Relevo em muito as críticas por se tratar de um trabalho inovador afinal, nunca algum clube lançou algo parecido. E tempo não faltou aos outros clubes, esta foi a 35ª edição do Campeonato Brasileiro.
Outro ponto que gostaria de ressaltar é justamente no tempo que separa a gravação das imagens do lançamento do material nas bancas. Um mês. Incrível o trabalho de alta qualidade que resultou de tão pouco tempo.
Absolutamente indicado aos são paulinos e um bom filme para ser assistido ao lado daqueles ainda não convertidos à Razão.
16/12/2006 19:12
Congresso
Concordo com o editorial de hoje na Folha. Não sou de glorificar o passado mas com certeza esses congressistas que encerram mandato este ano não sairiam impunes sem reclamações, tivessem vencido em pleitos anteriores.
A opinião pública em geral fica atônita com casos como esse aumento de 91% no salário dos deputados e senadores. Ainda assim é incapaz de ir protestar. Não defendo violência alá Bruno Maranhão e a ridícula depredação do congresso, mas sim reação física pacífica.
A afirmação tão em voga de que a capital em Brasília distancia o povo de seus governantes federais é apenas uma mea verdade. Não necessariamente uma Esplanada no Rio ou em São Paulo seria garantia de palco para manifestações.
Telefonar reclamando ou mandar e-mails cheios de palavrões para o fale-conosco do Congresso Nacional não muda nada.
16/12/2006 20:00
Mundial de Clubes
O Blog acompanhará a decisão do Mundial de Clubes com imparcialidade parcial. Dificil escolher para torcer. O Barcelona quando quer, joga bem e joga bonito. Deco e Ronaldinho quase fazem esquecer que o ataque perdeu Eto'o. Depois da péssima preparação da seleção brasileira para a Copa 2006, só agora Ronaldinho esta alcançando seu melhor preparo físico.
O Internacional (que teima em ser chamado de "Inter") por sua vez representa o Brasil. Tirando os gremistas e parte dos são paulinos que poderiam estar lá, dificilmente a presença pura e simplesmente de Ronaldinho gaúcho no time catalão provocaria torcida contra os colorados.
Gostaria de lembrar que estive nos dois jogos da decisão da Copa Libertadores deste ano. Fosse o Mundial em setembro, torceria muito pelo clube espanhol. O tempo passou, a torcida também.
Comentarei a partida ainda pela manhã do domingo. Deixo apenas o palpite: este blog aposta numa vitória do Barcelona por 3 à um.
17/12/2006 00:43
Hot Week
Semana quente para fechar o ano:
Domingo será realizada a final do Mundial de Clubes.
Até quarta feira será anunciado o pacote para "destravar" a economia do País que deve crescer 2,9% esse ano.
Muito provavelmente até o natal saberemos quais ministros ainda estarão no cargo no dia da (re)posse.
E saberemos como será a reação mais "pensada" da sociedade (leia-se mídia) sobre os aumentos salariais dos congressistas.
O Blog aposta em Barcelona campeão
Pacote nada fora do comum com incentivos para construção civil mas sem dar maior atenção aos cortes de gastos (que segundo o governo é a razão da economia estar "travada").
Entre os ministros a grande base permanecerá inalterada. Dilma na casa civil, Mantega na Fazenda, Meirelles na Fazenda com talvez Furlan no BNDES já que Fiocca deve sair. Marcio Thomaz Bastos deve sair.
Quanto ao aumento salarial...acredito que caia o aumento de 91%, mas um aumento menor deve ser negociado.
17/12/2006 00:46
Música da Noite
Noite agitada no Ibirapuera e na Paulista, ainda assim um calor gostoso pegou a cidade em clima pré natalino.
Joe Cocker - You can leave your head on
17/12/2006 11:46
Internacional
O Internacional conquistou hoje o título de Campeão Mundial de Clubes. E não foi qualquer conquista. Bem ao estilo gaúcho, o jogo foi amarrado com boas chances pros dois lados, embora os colorados tivessem mais volume, era o Barcelona quem assustava mais com as milhares de chances perdidas por seu horroso atacante Gudjohansen.
Um time campeão mundial tem que contar com grandes craques. Não é no entanto, o caso do melhor time de futebol de 2006. O Internacional conta com ótimos jogadores como Fernandão, Iarley, Fabiano Eller e jovens estrelas como Pato e Luis Adriano. Lá trás, o péssimo Clemer (que diga-se de passagem não falhou em momento algum na Final) contrabalanceia o time.
Pois foi apenas após a substituição de Fernandão e Alexandre Pato que os colorados - que jogaram de branco - chegaram ao gol, com Adriano, aos 36'. O Barcelona não chegou aos pés de seu próprio futebol. Ronaldinho gaúcho foi novamente um amargo reflexo do craque de outrora.
Azar deste Blog, que teimou em acreditar que contra o Internacional, o Barcelona repetiria a fantástica atuação do jogo contra o fraco América (MEX). Parabéns ao Internacional, que entra no seleto rol de clubes Campeões do Mundo. Se iguala ao rival Grêmio e ao Flamengo, os três com 1 título Mundial na bagagem.
Vale ressaltar a quebra de um estigma: pela primeira vez desde 1980, quando o melhor jogador do Mundial passou à ser ganhar a chave de um automóvel Toyota, o escolhido não pertence ao clube vencedor. Deco, meia armador do Barcelona (vice) levou o carro.
17/12/2006 15:00
Shumacher
A Folha hoje publica uma entrevista de duas páginas no seu caderno Esportes com Michael Shumacher. Traduzida do alemão - originalmente publicada numa revista daquele país - a entrevista mostra o mesmo Shumacher de sempre. Calmo, direto e objetivo mas um pouco mais emudecido pela distância que sua aposentadoria proporciona.
Sem mais responder por contratos milionários e exigentes, o alemão, 36, tende à se tornar um grande contador de histórias. Não é para menos, após início de carreira meteórico, desembargou na Formula 1 no longíguo GP da Bélgica em 1991 pela extinta Jordan, no ano de fundação da equipe. A Jordan nasceu, cresceu, desceu e acabou. Shumacher passaria também pela Benetton transferindo-se posteriormente à Ferrari no ano de 1996.
Shumacher pertenceu à pelo menos 3 gerações diferentes. Correu ao lado de Nelson Piquet na Benetton de 1991, ano em que Ayrton Senna se consagrou como Tri Campeão do Mundo pela Mclaren. No anos seguintes veria Nigel Mansell e Alain Prost vencerem os campeonatos pela Williams. Essa geração acabou com a morte de Senna em 1994.
E é justamente sobre Ayrton as melhores declarações do alemão na entrevista publicada pela Folha. Não pinçarei nenhuma frase em especial, convido os leitores deste Blog à lerem.
17/12/2006 17:00:00
Esta é a primeira contribuição do irmão do signatário deste blog à este espaço. Luis Felipe Villaverde, 16, escreverá semanalmente sobre tema diverso.
A coluna de hoje é uma resenha do filme "007 Casino Royale".
"Cassino Royale é a mais nova aventura do espião inglês James Bond e embora seja a 21ª produção cinematográfica do personagem, Cassino Royale é um “prequel”, que conta à primeira aventura de Bond com a licença para matar. Baseia-se no primeiro romance de Ian Fleming sobre o espião. E de longe, é o melhor filme da série desde Sean Connery.
Daniel Craig é o sexto ator a interpretar o personagem. Num primeiro momento, pode parecer uma escolha muito equivocada para o papel: loiro de olhos azuis, orelhas de abano e corpo atlético. Embora não apresente o físico de Bond, compensa em uma atuação surpreendente.
Ao invés de ser simplesmente uma aventura que retrata um James Bond mais jovem, o filme reinventa o personagem. Bond é violento, frio, impaciente, nada charmoso e com um ego gigantesco. Craig nos surpreende mostrando o lado humano do espião, que erra e aprende com seus erros e que por fim acaba se envolvendo demais com a estonteante bondgirl Vesper Lynd (papel de Eva Green, de Os Sonhadores).
Não é só Craig que entrega uma ótima atuação, mas Judi Dench representa uma fria e implacável M, além da já mencionada Eva Green, interpretando a espiã por qual Bond se apaixona. Destaque também para Mads Mikkelsen (de Rei Arthur) que está perfeito no papel do vilão Le Chiffre, que não é simplesmente mais um dos típicos vilões da série, que sempre almejam por conquistar o mundo.
A seqüência de abertura é filmada em um preto-e-branco fenomenal, que conta como o agente ganhou sua licença para matar. Os créditos iniciais com música de Chris Cornell são criativos, usando de pano de fundo, animações com cartas de baralho e roletas. O filme apresenta diversas cenas de ação, sendo a melhor a cena de perseguição do início. As seqüências de jogatina no cassino que dá nome ao filme são simplesmente de tirar o fôlego.
O filme é dirigido por Martin Campbell, que já havia dirigido o filme de estréia de Pierce Brosnan no papel do agente, Goldeneye. Campbell mostra uma incrível versatilidade ao reinventar toda a série de 007 com competência e criatividade. É o filme mais realista e visceral do espião.
Cassino Royale não só se prova o melhor filme da série, mas como também é o melhor filme de ação de 2006."
17/12/2006 21:11:33
Amorim
A entrevista do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim à revista Época desta semana levanta alguns pontos importantes:
A política externa não mudará radicalmente nos próximos quatro anos. Amorim se mostrou ligado na "Chavização" da América Latina.
Acredita que a união dos países da AL é importante para formar um bloco competitivo comercialmente. O Ministro vê no biocombustível uma chave para o crescimento brasileiro no comércio mas defende a formação de vários leques de especialização. Para ele, privilegiar uma área, como a Índia que escolheu a Tecnologia da Informação (TI) ou a Coréia do Sul com os microcomputadores, não são metas.
O ministro tocou num ponto importante quando citou que em muitas áreas a China tem "deslocado" os produtos brasileiros. Para Amorim, "o Brasil vai ter de se sofisticar na área de calçados e confecções". Agora pergunto: Como? Com essa taxa de câmbio nos valores atuais o que veremos é constante falência das indústrias do setor. As indústrias de calçados nacionais não tem como disputar com os chineses, vendidos as vezes à metade do preço.
Outro ponto que gostaria de destacar é a resposta do Ministro à pergunta sobre a politização da diplomacia. Amorim: "Há uma percepção de que o Itamaraty seria uma espécie de Banco Central independente da diplomacia (...) Política externa é política". Duas coisas: concordo com o Ministro sobre a diplomacia depender da política. Quando se escolhe o governante, principalmente em regime presidencialista como o nosso, se escolhe indiretamente como o País deverá agir na política externa e na economia.
Agora dizer que o Banco Central é independente é brincadeira. Ele não é, nem formalmente muito menos informalmente.
18/12/2006 07:00
Salários no Congresso
A Folha de ontem publicou excelente matéria sobre o histórico do salário dos Congressistas no período janeiro de 1985 à dezembro de 2006. Trabalho das jornalistas Letícia Sander e Fernanda Krakovics mostra que em valores atuais e corrigidos pelo IPCA o maior salário pago aos deputados e senadores foi em março de 1990: R$ 60,8 mil, 148% à mais que os R$ 24,5 mil aprovados esta semana.
O mês de março de 1990 foi dos mais movimentados. O presidente Fernando Collor tomou posse à 15 de março e sua Ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, criou o que passou à história como "Plano Collor", entre outros, confiscando a poupança da população. Foi o mês que a Constituição de 1988 foi aprovada gerando esses salarios exorbitantes. Como se não bastasse, meu irmão nasceu em seguida.
Por analogia e coincidência, a data de meu nascimento foi mês mais difícil para os deputados e senadores. Em setembro de 1987 o contracheque pago foi de R$ 3.2 mil (sempre em valores atualizados). Este artigo não analisará mais profundamente as razões deste período, de "Plano Cruzado II" do presidente José Sarney.
Um dado curioso remete novamente ao período Collor. Em abril de 1992 foi pago aos parlamentares o valor de R$ 25,4 mil. Comparativamente ao salário mínimo da época, esse valor equivalia à 169 mínimos. Conforme mostrado na matéria, o reajuste atual para R$ 24,5 mil equivalem a 70 mínimos - o maior valor pago aos congressistas desde a instituição do Plano Real de 1º de julho de 1994.
18/12/2006 19:49
Mais uma vez Internacional
Juca Kfouri no sábado: "Iuri Gagarin quando no espaço, disse olhando para a o planeta: 'A Terra é azul'. Anos depois o Grêmio provou. Che Guevara afirmava pintar a América do Sul de vermelho. O Internacional este ano, pintou. Será que no domingo, o mesmo Inter, provará o sonho de Lênin, de fazer do mundo vermelho?"
Pois o Internacional pintou o Mundo de vermelho.
19/12/2006 15:29
Curiosidade
Convido os 13 leitores deste Blog à escreverem "failure" na barra de busca do site Google.
Veja qual é o primeiro endereço que aparece.
19/12/2006 23:00
Música da Noite
Liberado do jornal, estou de folga para o natal a partir de hoje.
Inevitável que a Música da Noite de hoje fosse acompanhando meu espírito de liberdade. KIss - Crazy, Crazy Nights, de 1987.
http://www.youtube.com/watch?v=MGYtKZxlNKw
20/12/2006 07:00
Pacote para o desenvolvimento
Amanhã sai o tão esperado "pacote do desenvolvimento". O ministro Guido Mantega afirmou na segunda feira no Roda Viva, que devido à grande expectativa criada em torno das medidas fez com que o governo adiasse tanto seu lançamento.
Corrigo: A grande expectativa foi criada JUSTAMENTE devido à demora do governo em lançar as medidas. O crescimento pífio do PIB desse ano proporciona uma cobrança, não necessariamente consciente, por medidas drásticas de crescimento.
Como é possível o País alcançar repetidos recordes de exportação, saldos positivos na balança comercial e ainda assim não crescer? O pacote, em tese, virá para responder isso. Trará na certa medidas de desonerações tributárias e alguns incentivos fiscais em determinados setores. Pergunto: O governo falou o ano inteiro em cortar gastos para poder fechar as contas, e agora vai desonerar arrecadação? Vai cortar aonde para subsidiar essa perda?
Este Blog não é contra as medidas de desoneração e incentivo de tributos. De modo algum.
Nos próximos dias analisarei a primeira pergunta: Como é possível o País não crescer com esse saldo positivo da balança comercial?
20/12/2006 20:26
Tailândia
Peço aos 13 fiéis leitores deste Blog à me cobrarem uma análise sobre as medidas do Banco da Tailândia, controlando à entrada de capitais especulativos ontem, voltando à trás logo em seguida.
Não esqueçam, me cobrem.
20/12/2006 23:00
Música da Noite
Puro verão, Música da Noite acompanhando a estação.
Poison - Talk Dirty To Me
http://www.youtube.com/watch?v=dpyFXTaFUKU
25/12/2006 20:00
Natal
Graças à repentina folga da labuta para as comemorações de Natal, o titular deste espaço não pode contribuir. Isso lança luz sobre a viagem que farei à 2 de janeiro. Aviso os pacientes leitores que este Blog ficará parado no período de 3 à 11 de janeiro.
Até lá, volto à carga normal. Esta semana tratarei das medidas financeiras do governo tailandês de 19 de dezembro além de analisar o recorde da balança comercial mesmo na maré contra o crescimento.
Feliz Natal aos raros leitores,
25/12/2006 23:00
Música da Noite
De volta à cidade maravilhosa com desejos e pedidos natalinos.
Estou às voltas com a biografia autorizada do Kiss, traduzida para o português.
Para esta noite, Rise to it, de 1989, primeiro single do disco Hot In The Shade. Um dos melhores clipes da banda.
http://www.youtube.com/watch?v=x2D_BqnvuRM
26/12/2006 23:00
Música da Noite
Excepcionalmente esta noite, o vídeo a seguir não se trata de um clipe de uma canção e simplesmente de um stunt americano de provavelmente 1999 ou 2000 numa brincadeira entre um clone de Michael Jackson e os membros originais do Kiss.
Vale conferir o sorriso maroto de Gene Simmons e a seriedade de Peter Criss. Ótimas participações de Paul e Ace também.
http://www.youtube.com/watch?v=e83Rcu2exxg&NR
O Caos nos aeroportos e a TAM
O que acontece com a TAM? Esclarecido (com muito atraso) que os atrasos nos aeroportos eram (e são) devido à venda de mais bilhetes do que o número de espaços disponíveis, fica a pergunta: Porque a TAM colocou tudo a perder quando tinha tudo à favor?
Primeiro: com a crise da Varig o mercado ficou basicamente concentrado entre TAM e GOL. Existem outras, inclusive a própria Varig, com pequenas parcelas, mas nunca o mercado de companhias aéreas esteve tão concentrado. A companhia do antigo Comandante Rolim contava inclusive com algo que a GOL ainda não tem: tradição.
Ainda assim, privilegiou-se pura e simplesmente o lucro no curto prazo. Acontece sensacional discussão no Blog do Luis Nassif acerca do tema. As hipóteses levantandas tratam justamente desses "cabeças de planilha" transferidos para a companhia aérea de Rolim. Os "cabeças de MBA". Isso é, pensa-se como um estrategista as avessas. Ao invés de conseguir o máximo de lucro possível dentro dos limites orçamentários e morais, para assim, semear um futuro de crescimento vistoso e consistente, pensa-se no lucro máximo no agora.
Nos Estados Unidos por exemplo, é normal a venda de alguns bilhetes à mais, para o caso de desistências. Lá, o passageiro que não aparece é rigorosamente multado. Não é intensão desta coluna analisar a validade de tais medidas. Apenas quero dizer que a prática não é fora do comum. Fora do comum é vender um monte de bilhetes a mais, apenas para enriquecer os acionistas.
Justo na TAM. Quem diria.
28/12/2006 07:00
Feliz Ano Novo
Que venha 2007, novo ano que nasce velho para alguns, novíssimo para outros. Aliás, como todos os outros, 2007 não é exclusivo em nenhum aspecto, a não ser na mudança dos números. Em alguns ramos de atividade humana (que engloba 90% da atividade da Terra como um todo) as coisas mudarão muito pouco, salvo as surpresas, mas essas não podem ser previstas - não seriam surpresa.
A Formula 1 inicia período sem grandes ícones. O Futebol começa promissor para os torcedores de clubes na Libertadores - esse ano melhor que nunca - e para os clubes europeus nada de especial. A política viverá os excelentes primeiros meses que um novo governo sempre vive - sem oposição. A economia terá mais do mesmo em quase todos os sentidos. A mídia, e a vida em geral, torna-se mais virtual com internet, televisão digital e tudo o mais.
Uma coisa não muda. Este que vos fala (escreve na realidade). O signatário deste Blog avista um ano com mais do mesmo. Os raros leitores deste espaço conhecem melhor que outros. Sou extremamente caseiro, daqueles que passa 24 horas por dia em casa - e adora. Não tinha como ser adotado, sou a figura perfeita da união de meus pais. Meu pai severo e caseiro, minha mãe paciente e caseira.
Não garanto minha permanência no estágio no jornal. Em todo caso arranjarei algo para fazer nas tardes do dia-a-dia. O ano que se avista também será mais um na eterna batalha de meu eu. Não sou inseguro, muito pelo contrário, mas infelizmente prezo além da conta por meus amigos. Classifico essa característica como ruim e não é demagogia. Coloco todos meus amigos (os melhores e os piores) no mesmo nível e tento na medida do possível trata-los da melhor maneira, e isso é absolutamente impossível. Percebe-se aí o calvário que é para mim cumprir os compromissos sociais. Daí minha eterna fama de bobo - aquele de que tudo ri.
Meus pedidos de ano novo são em boa parte à mim mesmo. Os pedidos que se estendem aos 13 leitores deste espaço são ínfimos mas curiosos. Peço à vocês, melhores amigos, que reflitam: Qual é a similiaridade de vocês comigo?
Percebam que todos, sem exceção, guardam poucas semelhanças em jeitos e costumes com o titular deste site. De modo inconsciente acabo me cercando de pessoas que admiro, justamente por serem totalmente diferentes de mim.
Termino esse texto com um aviso: é o primeiro e único que este Blog publicará de auto-análise. Amanhã volto aos temas normais.
Feliz ano novo.
29/12/2006 07:00
Couro no Rio Grande do Sul
Conversei à algumas semanas atrás com o diretor comercial de uma fabricante gaúcha de bolsas de couro. Sofrendo com a desvalorização do dólar (e conseqüente valorização do real) que tornou a competição no comércio exterior mais cara, a Tricouro resolveu investir no mercado interno com a intenção de contrabalançar a diminuição das exportações em sua receita.
De acordo com o diretor comercial da Tricouro, Peterson Schulenburg, a queda do dólar fez com que as exportações caíssem de 60% do faturamento em 2005 para apenas 15% da receita de 2006. “Demos mais atenção ao nosso cliente brasileiro, afinal o importador acabou se retraindo”.
Fundada em 1986 a Tricouro começou a investir mais fortemente na produção a partir de 1994 e mesmo com os recentes problemas causados pelo câmbio, Schulenburg caracteriza a carga tributária como maior entrave para o crescimento da empresa. “Entre 40 e 70% do preço do produto são de tributos, é muito alto” afirma o diretor.
Graças a demanda interna, se investiu 70% do lucro em 2006 em aumento da produção e numa nova filial em Campo Bom (RS) onde a empresa espera produzir até 30% da atual produção total. Mesmo com o aumento das vendas, da ordem de 15% em 2006 sobre 2005, Schulemburg criticou o aumento da inadimplência, principalmente no segundo semestre.
Este é um ótimo exemplo de uma empresa que soube contornar os problemas causados por esse câmbio irresponsável, investindo no mercado interno. Ressalta-se que a competição chinesa se dá também aqui graças as importações (algumas ilegais) baratas. No curto prazo a competição aqui pode ser absorvida com medidas como pulverização dos pontos de vendas. No longo prazo fica complicado. Mas essa é uma discussão macroeconômica acerca do câmbio valorizado e os altos tributos como bem disse Schulemburg.
30/12/2006 07:00
Rap e Hip Hop ao vivo
Um dado curioso apontado na recente edição da revista Época é sobre o empobrecimento do show dentre os artistas de rap e hip hop. Estilo antigo (principalmente o rap), virou moda mais recentemente, tomando o lugar do "new metal". Evoluiu das boy (e girl) bands do final dos anos noventa, alcançando o auge no biênio 2005/2006.
Não sou nenhum profeta, mas adoro música. Sinto que a moda atual entrará naquela fase que se manterá como voga por falta de alternativa. Os fãs do Hard/Glam dos anos 80 entenderão a relação: vejo os próximos anos pro rap e hip hop como foram os anos de 1990 e 1991 para o Hard/Glam. O estilo estava saturado, a fórmula de sucesso batida, faltava surgir uma nova moda, totalmente diferente, para mudar o rumo. Surgiu o Grunge, na contramão do Glam, se tornando moda a partir de 1992.
Em 1970, o estilo paz e amor, hippie e tudo mais, estava saturado. Bandas surgiam, estouravam e terminavam sempre na mesma fórmula. O mundo apenas esperava o surgimento de um novo estilo. No biênio 1970/1971 nasceram Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin (anterior, mas enfim), que deram o tom nos anos posteriores.
A matéria da Época é sobre a falta de discos ao-vivo na moda musical atual. A música se tornou tão "fake" que sua reprodução ao vivo se revelou cabaré, para não dizer ridícula. "Fake" não é sinônimo de ruim, apenas constatação. Será que o estilo que surgirá, trará o show e consequentemente os discos (mp3?) de volta?
Feliz ano novo
01/01/2007 16:47
Saldo Comercial no Paraná até novembro
Notícia do site da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra dado espantoso: Devido em grande parte à inconsequente valorização do real frente ao dólar, as importações no Paraná aumentaram 31,5% de janeiro à novembro deste ano comparado ao mesmo período de 2005. As exportações por sua vez aumentaram apenas 1,4%.
Com US$ 9,07 bilhões exportados e US$ 5,49 bilhões importados o saldo da balança comercial no Paraná (até novembro) foi de US$ 3,57 bilhões. A tendência é fechar com um valor ainda menor que este.
Os principais produtos importados pelo Paraná são bens de capital e de consumo. "Isto é reflexo do dólar baixo. Em 2006, a cotação da moeda norte-americana em relação ao real ficou, em média, 29,2% abaixo da de 2003", informa Maurílio Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Fiep.
Ele destaca que os automóveis lideraram as importações do estado neste ano. "A importação de automóveis cresceu 856,24% de janeiro a novembro de 2006 em relação a igual período do ano passado. É o segundo item mais importado pelo estado, perdendo apenas para o petróleo, cujas importações totalizaram US$ 1,2 bilhão", observa Schmitt.
Conforme Vinícius Gasparetto, do Centro Internacional de Negócios da Fiep, a importação de bens intermediários cresceram 9,36%. A queda das exportações é decorrente principalmente do câmbio valorizado mas também devido à problemas climáticos e fitossanitários que prejudicaram a venda de produtos básicos.
Enquanto isso, Lula toma (re)posse para o segundo mandato, período 2007-2010.
Ótimo 2007 aos raros leitores
03/01/2007 07:00:00
Férias
O signatário deste Blog entra em férias a partir do dia 3 de janeiro. No entanto, incapaz de me desfazer deste espaço, preparei alguns textos e outros posts variados para serem publicados durante minha ausência.
Não demorarei. Agradeço mais uma vez a paciência dos 13 leitores e reforço meus votos de Feliz ano novo à todos, incluindo os não-leitores.
05/01/2007 23:00:00
Música da Noite
"We're an american band" do Grand Funk Railroad, inicío dos anos 1970. A musicalidade da banda era (é) impressionante com destaque para o baixo.
http://www.youtube.com/watch?v=Y21kkW5czIw
08/01/2007 07:00:00
Música da Manhã
Excepcionalmente hoje, "Música da Manhã" e da Noite. Abro o precedente justamente por se tratar de um cover da música anterior.
"We're an American Band", cover do Poison, gravado em 2006 para comemorar os 20 anos de carreira da banda. A música faz parte da coletânea recente, 20 Years of Rock que impulsionou uma turnê no ano passado. O clipe é interessante por se tratar de uma banda que não grava clipes desde 2000.
http://www.youtube.com/watch?v=kXQR3apwVls
11/01/2007 23:00:00
Música de Janeiro
Nada melhor do que fazer a música de um mês de férias como Janeiro do que "Psycho Killer" dos Talking Heads.
O clipe é caseiro, feito por algum fã (ou não!) com a música como tema. Divertido.
http://www.youtube.com/watch?v=92lmcRYy29Q
14/01/2007 01:04:42
Diamantes de sangue
Este Blog recomenda aos leitores que assistam ao filme "Diamantes de Sangue" (Blood Diamond, 2006). Ele está em cartaz atualmente no Brasil.
Filme sério que trata de tema atual, o contrabando de diamantes nos países africanos e se passa em 1999. O roteiro é brilhante e a atuação dos atores é magnífica.
Não cabe a este post revelar a trama do longa. Mais tarde será publicada resenha da obra por Luis Villaverde.
Por enquanto fica o convite, it's worth every penny.
18/01/2007 18:08:12
(des)governado
Reproduzo aqui comentário do ex-Ministro da Fazenda, Luis Carlos Bresser-Pereira de 12 de janeiro:
"Dilma se equivoca ao querer reduzir o superávit primário; o que ela deveria fazer é propor a troca do superávit primário pelo déficit público, e exigir um déficit menor do que o atual. Enquanto a redução dos juros não afeta o superávit primário, afeta o déficit público. E é o déficit público que determina se o país está se endividando ou não."
A seguir este Blog se pergunta: Em Brasilía, será que o corpo político esta realmente interessado em fazer do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) um "Plano de Metas" de Lula ou com a disputa Rebelo-Chinaglia-Fruet?
22/01/2007 11:59
PAC
O PAC (Program de Aceleração do Crescimento) foi lançado hoje. No momento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresenta as medidas do pacote, diante de mais de 20 governadores, lideres e presidentes de partidos da coalizão.
A idéia de criação de um Fórum para debater as diferentes propostas para uma nova Reforma da Previdência é muito interessante. Se bem gerido e amplo, proporcinando vários debates em várias regiões do Brasil poderemos discutir amplamente a questão. Até porque, o presidente Lula espera apenas definir a reforma em 2010 para que o próximo presidente institua.
Como outras propostas do PAC, à conferir.
23/01/2007 17:12
"Nós temos que atacar o básico!"
Em video-chat no site do Banco Real, encaminhei pergunta ao ex-Ministro da Fazenda (1988-1990) e recebi resposta. O serviço do Banco Real se encontra na janela Van Gogh.
16:19:22
João Villaverde diz: Mailson, nunca o mundo cresceu tanto quanto no período 2003-2006 e sem uma recessão americana à vista em curto prazo, o Brasil aproveitou/aproveita as condições em seu máximo?
16:29:43 - Resposta de Maílson:
João Villaverde, Dizer que o Brasil não aproveita seria uma injustiça com o governo. o Brasil se beneficiou da ampliação do comercio, nós não aproveitamos esse ambiente favorável para avançar no crescimento do país como por exemplo a reforma tributária, que significa mudar o ICMS, podemos falar disso para a reforma trabalhista e previdenciária também. O país ta gastando 13% do PIB em previdência isso é mais do que o dobro mundial, então nós perdemos esse ambiente favorável para começar atacar o básico, mas que não aproveitamos essa ampliação internacional seria exagero!
24/01/2007 07:00
O adversário
O economista Lauro Vieira de Faria no Globo de ontem afirmou que os incentivos fiscais poderão ser neutralizados por uma política monetária mais restritiva. O Banco Central (BC) poderá ver nos aumentos dos gastos públicos (investimentos, principalmente nos que se referem ao PPI pois se deduzem do superávit primário) uma pressão inflacionária.
Com esse argumento o BC diminuiria a atual redução de 0,5 (meio ponto) nos juros para 0,25 ou até estagnaria. A taxa se encontra atualmente em 13,25%, a primeira reunião do Copom (órgão do BC que decide a politica monetária) termina hoje e uma nova taxa será anunciada. Este Blog aposta em redução de 0,5% na Selic.
Segundo Vieria de Faria, "a questão é saber se o governo combinou com o adversário, será que o Banco Central mudou de idéia?".
25/01/2007 07:00
Ideologia
João Pedro Stédile foi entrevistado na edição de quarta-feira do jornal Valor Econômico. A entrevista pode ser encontrada no site do MST.
O líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) se mostra, como sempre, muito hábil. Pode-se discutir de sua ideologia mas é inevitável esbarrar em sua retórica.
Sobre a CUT (Central Única dos Trabalhadores) afirmou: "Como tem muito dinheiro, afastou-se rapidamente das idéias socialistas, deixou de fazer formação ideológica e preferiu permanecer apenas na luta reivindicatória, corporativa, que não ajuda a organizar a classe trabalhadora em períodos de crise. Na crise, o que sustenta a unidade do trabalho é a ideologia".
Sua explanação acerca da penetração da Igreja "clássica", ou Progressista, nos movimentos sociais é contundente: "Com essas camadas de pobres que vivem nas grandes cidades a igreja católica não sabe trabalhar (...) quando a família se desestrutura, ou trata-se de um imigrante ou um pobre diabo, a igreja não consegue chegar até ele, que fica à mercê de pentecostais".
Vejam esse trecho acerca das eleições deste ano: "Se vencesse Alckmin, iria retardar o processo de rearticulação de forças da classe trabalhadora. Na história nada se repete mas, no quadro da ditadura militar, é como se fosse o risco de reproduzir o AI-5. A vitória de Alckmin prolongaria o período de derrota da classe trabalhadora, com efeitos inclusive na América Latina".
30/01/2007 17:30
Aba de Música
Esta no ar a Aba de Música do Blog. O novo espaço foi criado para separar os textos e sugestões musicais do escopo do Blog. Não que este nobre espaço perderá o som, apenas ficará mais organizado.
A Aba de Música está localizada no link à esquerda do leitor na área chamada de "Bligs Amigos".
Convido os 13 leitores à participarem da festa de lançamento.
31/01/2007 10:56
De Legislativo e Previdência
Na coluna Brasília na Folha de hoje, o colunista Fernando Rodrigues se saiu com uma ótima sobre as perspectivas do governo Lula para governabilidade no Poder Legislativo, que começa amanhã.
"O petista nunca teve um sistema própria de interação com o Poder Legislativo. Alugou um de segunda mão em 2003. Funcionou dois anos. Na renovação do leasing, implodiu com o mensalão".
Aproveito o comentário sobre a edição de hoje da Folha para destacar matéria sobre a nova contabilidade - a certa - do "déficit" da Previdência. A matéria é de Humberto Medina e Leandra Peres e é o primeiro aceno (graças ao Ministro Nelson Machado) para uma discussão ampla e não monopolisada da Previdência. O déficit é de R$ 3,8 bilhões, nada de R$ 42 bilhões.
31/01/2007 20:27
RR
Da época da última reunião do BC que decidiu pelo corte de 0,25% da taxa Selic o sempre eloquente Luis Carlos Bresser-Pereira analisou comentário de Valdo Cruz, reporter de politica do jornal Folha de S.Paulo.
O jornalista, tido como competente tanto por Bresser quanto por este blogueiro que vos escreve, defendeu a liberdade técnica nas decisões do BC. Como Bresser-Pereira, acredito que esse pensamento é muito comum na opinião pública graças aos séculos (termo puramente ilustrativo) de altas inflações.
"Para manter a inflação sob controle não são necessários juros estratosféricos nem câmbio não competitivo; basta equilíbrio fiscal e política monetária sensata", escreveu o ex-Ministro. Essa atual política (que completa 13 anos) promove a captura de patrimônio público e a quase-estagnação da economia brasileira.
Aliás promovo aqui a substituição da sigla BC (Banco Central) por RR (Representantes Rentistas).
01/02/2007 07:00
Começa o segundo governo
Começa hoje de fato o segundo governo do presidente Lula. Claro, em linhas gerais, pois o lançamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) à 22 de janeiro também pode ser considerado lsançamento. Fato é que hoje começam os mandatos dos deputados (federais e estaduais) e senadores eleitos no pleito do ano passado.
Embora apenas um terço dos senadores entrou em disputa ano passado, hoje elege-se o presidente do Senado Federal. Renan Calheiros (PMDB) e José Agripino (PFL) assumirão com a missão de dar o traquejo político ao PAC e ao governo Lula que começa 2007 numa posição inédita de força política.
Na Câmara, são 46% deputados "novos", entre aqueles eleitos pela primeira vez - como Clodovil, e aqueles que voltam depois de alguns anos - como Maluf (para ficar nos piores exemplos). A disputa pela Presidência da Casa é mais visceral que no Senado. O atual presidente Aldo Rebelo (PC do B) é governista e conta com o apoio do presidente Lula mas não tem a maioria.
O petista Arlindo Chinaglia larga na frente na disputa e é outro governista na disputa. O deputado do PT apresenta algumas propostas (embora não oficiais) polêmicas de anistia à companheiros cassados.
Completando a disputa o oposicionista Gustavo Fruet (PSDB) tem a missão de levar a disputa para o segundo turno. Na pior das hipóteses, o cerne da oposição - que se completa com o PFL que apoia Rebelo - apoia Rebelo.
Outra decisão que não demorará a surgir é em relação aos Ministros de Lula2. Nesse caso as hipóteses são as mais variáveis tamanha a "parcimônia" com que o governo leva essas discussões. Nada é certo, o que tanto pode significar mais do mesmo, como mudanças radicais. Como diria Fernando Rodrigues, à conferir.
01/02/2007 19:18
De jornalistas e opiniões
Todos os brasileiros sabiam qual era o time em que o Tevez jogava. Muitos torcedores estrangeiros, pegos pela cobertura massificada esportiva também sabiam. A publicidade direta e indireta que a contratação e os quase 1 ano e meio em que a estrela argentina Carlito Tevez jogou no S.C. Corinthians foi algo nunca visto em tal clube.
O Corinthians conseguiu espaços na imprensa internacional (e até em certs regiões no Brasil) que só conseguiria com títulos como a Libertadores da América ou o Mundial de Clubes. Contratado em dezembro de 2004, Tevez saiu do clube em agosto de 2006 com o título do Campeonato Brasileiro atrás de si.
Seu periodo no Corinthians foi marcado por uma cobertura maciça de diferenciados escopos jornalisticos, não somente o esportivo. Em 2005 chegou a ser clamado pela torcida como o maior ídolo da história do clube, fundado em setembro de 1910.
Tevez saiu escurraçado. Não cabe à este texto analisar as razões de sua saída. Ainda assim, é incrível perceber o clima de revanchismo que tomou conta do Parque São Jorge. A situação girou 360°, o argentino hoje é mau visto pela grande maioria da segunda maior torcida do Brasil.
Cinco meses depois, o Corinthians tem um novo atacante: Christian, jogador que tem no currículo o título Mundial de Futebol como reserva do São Paulo em 2005 e 31 anos de idade. O jogador chegou em 2 de janeiro e exatos 30 dias depois saiu do clube. Assinou com o Internacional, atual campeão do Mundo e da América. Motivos: está em fim de carreira e o Inter além de ser o time que o revelou apresentou melhora salarial e contrato de dois anos. No Corinthians ficaria até julho, e talvez não recebesse.
Assistindo aos programas televisivos e lendo os colunistas variados pela internet, os poucos à tocar no assunto tratam de uma maneira: Christian foi corajoso em falar com a "fiel" e sair em alta, diferente de Tevez "aquele covarde". Desejam sorte ao jogador em sua ida ao Inter. Muitos desses colunistas, sabidos corinthianos.
Não é o caso deste blogueiro que vos escreve. Não sou corinthiano. Mas acho ser incompreensível essa postura. Minha mãe sabia que o Corinthians era o time do Tevez. Minha mãe não sonha saber quem é Christian. A lógica é óbvia. Maltratar aquele que colocou o clube em patamares nunca antes sonhados para glorificar um ídolo passageiro?
02/02/2007 07:00
Lula2
Com a vitória de Arlindo Chinaglia (PT) para presidência da Câmara em segundo turno das votações, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou domínio do Poder Legislativo. Isso porque o presidente reeleito do Senado, Renan Calheiros (PMDB) é antigo aliado do governo.
Com as mudanças ministeriais que acontecerão nas próximas semanas, somando-se à paralisação do carnaval - que ótimo início para os novos parlamentares eleitos, começam e já entram em férias - meu comentário de que o governo Lula2 começara à primeiro de fevereiro fica postergado: começa apenas em março.
Agora sim parece mais Brasil.
02/02/2007 11:24
Contas da Previdência
A comparação do déficit da Previdência com a conta-movimento do Banco do Brasil (BB) na década de 1980 é muito oportuna. O orçamento público naqueles tempos era pré histórico; além do orçamento (que tramita pelo Congresso) ele englobava as contas da Previdência e das estatais. Era impossível ditar o tamanho do déficit público.
A conta movimento do BB era algo básico e da mesma maneira pré histórica: Os programas criados pelo governo eram somados aos subsidios concedidos aos mais diferentes setorese jogados na conta movimento do BB. O Tesouro nacional então trataria de cobrir as contas. Conclusão: falta de transparência e ignorância (má fé?) descabida.
O que se faz com a Previdência é a mesma coisa. Da maneira como é contabilizada, o governo pode criar o programa que for, dar a isenção que quiser e depois lançar a conta à Previdência. E daí para o Tesouro cobrir com o patrimônio público.
Dar transparência ao processo, separando as contas e ordenando com o devedor justo é o primeiro e crucial (além de justo) caminho para se organizar as contas. De outra maneira as medidas para diminuir o falso déficit da Previdência recairiam sobre aqueles que não poderiam pagar.
A discussão está longe de se organizar mas de fato já começou a mudar.
04/02/2007 11:39
Resenha de filme
Esta no ar a resenha do filme "Diamantes de Sangue", escrita por Luis Villaverde. O texto esta no link aí ao lado esquerdo do leitor chamado Aba de Música.
08/02/2007 07:00
Previdência
Vamos separar e analisar as verdadeiras contas da Previdência Social. O déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é avaliado em R$ 42,1 bilhões.
Numa primeira peneira se separa o rombo em duas rúbricas. No que se refere aos trabalhadores da área urbana o déficit é de R$ 13,5 bilhões. Na zona rural é maior, R$ 28,6 bilhões. Esse déficit da zona rural não pode ser considerado apenas como Previdência. Na realidade, não deve totalmente. Isso porque o número de trabalhadores rurais que efetivamente contribuíram para a Previdência é ínfimo quando comparado aos que recebem as contribuições, atreladas ao salário mínimo.
Essa política tem nome: Política Social, como Bolsa Família por exemplo. A comparação é apenas ilustrativa afinal os beneficios dessa "Previdência Rural" são valores similares ao salário mínimo. Para se cobrir esse valor negativo de R$ 28,6 bilhões deve-se trabalhar uma política diferente. Não se deve partir para o clássico esquema de tributar mais de um lado para cobrir o outro. Deve-se separar uma ala do Orçamento dentro da rúbrica Política Social e através dela conter gastos.
Desatrelar os benefícios do mínimo é tudo menos Política Social. É má-fé. Muitos (para não generalisar) dos aposentados rurais são arrimo de família, quer dizer, são a única fonte de renda de sua respectiva familia. Cortar essa receita seria pura desonestidade.
O déficit dos trabalhadores urbanos também é mascarado. Dos R4 13,5 bilhões, nada menos que R$ 9,4 bilhões referem-se a renúncias de contribuições previdenciárias autorizadas pelo governo´para estimular alguns setores, como microempresas e entidades filantrópicas que são incluídas como receitas da Previdência que deveriam ser ressarcidas pelo Tesouro.
Fazem parte dessa conta também, R$ 285,9 milhões referentes à isenção do pagamento de CPMF (imposto do cheque) garantida para os aposentados e pensionistas que recebem até três salários mínimos.
Refazendo as contas o déficit real da Previdência Social brasileira é de R$ 3,8 bilhões. E assim como as outras rúbricas deve receber propostas justas e sérias de gestão para se exterminar o déficit. A separação e análise dos contas reais da Previdência não são outra coisa senão justiça com a população.
10/02/2007 07:00
Os E.U.A. são aqui
O PFL (Partido da Frente Liberal) não existe mais. Sua proposta não existe mais. A mudança, para PD (Partido Democrata) só será aprovado no Congresso do partido em julho, mas já esta acertado. Seu presidente, Jorge Bornhaussen, no cargo desde 1993 deve deixar o posto para um "hot-shot" - outra medida para atualizar a proposta do partido que desde 1994 não indica candidato próprio à presidência da República.
Formado em 1985 no auge da "abertura política", o partido deu nome ao movimento criado em 1983, a Frente Liberal. Como o nome já diz, pregava dentre outras medidas o Liberalismo com diminuição da intervenção estatal na economia. Na política não. Situa-se mais à direita no espectro político brasileiro, longe do PP (Partido Progressista) no entanto. O PFL era o verdadeiro partido do liberalismo - tudo contra o PL (Partido Liberal).
O PL aliás que no âmbito da cláusula de barreira dos partidos políticos, que propunha que os partidos que não alcançassem 5% dos votos nas eleições majoritárias não teriam acesso às benesses do Fundo Partidário. Como o inteligente leitor bem sabe, nossa Republiqueta já tratou de revogar a lei e o PL que alcançara 4,8% dos votos voltaria a se beneficiar do Fundo. Mas, não existe mais PL.
O extinto Partido Liberal, de nomes como Waldemar Costa Neto seu presidente, que renunciou ao cargo de deputado para não ser cassado pela CPI dos Correios em 2005, se uniu à outros dois partidos nanicos para alcançar os 5% de votos da cláusula de barreira e alterou o nome para PR (Partido Republicano).
Como se não bastassem as imposições diretas e indiretas de nossos vizinhos "donos do mundo" (refiro-me aos Estados Unidos) seja politica economica ou socialmente, seja pela globalização chegamos ao ponto de termos representados no Congresso Nacional (e no Ministério graças ao Ministro dos Transportes, filiado ao ex-PL) o Partido Republicano e o Partido Democrata.
O Republicano começa mal. O PL não é (foi) nem de longe um partido sério - todo respeito aqueles filiados que merecem mas foram generalizados na vala comum - e seu representante mor no Norte (já que é para copiar...) é George W. Bush. Já foi Clinton.
O Democrata começa na lama. O ex-PFL é um partido sem uma militância fiel típica dos partidos de esquerda e por estar na oposição desde 2003 não consegue mais a atenção de outróra. Nas eleições de 2006, novamente apoiaram o candidato tucano para a presidência - e perderam. Mais: só elegeram um governador, do Distrito Federal (DF) José Roberto Arruda. Seus representantes estadunidenses renasceram das cinzas com a conquista majoritária do Congresso americano e tem desde já 3 grandes pré candidatos para disputar a presidência em 2008.
Cabe à este Blog torcer para que a simples mudança de nome represente uma mudança séria nas bases dos respectivos partidos.
11/02/2007 12:18
Resenha de livro
Já esta no ar, a nova coluna de Luis Villaverde. Este domingo ele trata de resenhar o livro "hannibal Rising" que ainda não recebeu versão traduzida para o português.
O texto está na Aba de Música, aí a esquerda do leitor.
13/02/2007 17:18
Venezuela e os impostos em dólar
Para conter a inflação no país, a Venezuela acaba de anunciar a coleta de impostos em dólar. A cobrança de impostos e royalties em dólares recairá, num primeiro momento, apenas sob a indústria de petróleo do país. O governo também anunciou que eliminou a incidência de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) na venda de vários alimentos para combater a crise de desabastecimento na qual se encontra o país.
A inflação atingiu 17% ao ano em 2006. Apenas em janeiro último, a inflação foi de 2%, quase a inflação de um ano inteiro no Brasil (em 2006 nossa inflação foi de 3,14%). A meta de inflação do governo venezuelano esta entre 10% e 12%.
As medidas de pagamento em dólares dos tributos do petróleo são para reduzir a quantidade de bolívares (moeda local) em circulação, minimizando a pressão inflacionária.
O Tesouro Nacional só transformará a moeda norte americana em bolívares quando for necessário.
Em se tratando de crescimento, as previsões são de forte queda em 2007. Se no ano passado o país cresceu 10,3%, esse ano não deve ser muito maior que 7%. Ainda assim, estratosférico em se comparando com nossa previsão super otimista de 4,5%.
14/02/2007 21:25
Zona do Euro e a arbitragem
Para ilustrar a bonança na economia mundial recente, o ano passado registrou o maior crescimento dos países da Zona do Euro em 6 anos. Em 2001 o crescimento fora de 1,9%, 0,8% menos do que o crescimento registrado em 2006, de 2,7%.
Uma das principais razões para esse número foi o crescimento alemão uqe foi de 2,7% - ante um crescimento de 0,9% em 2005.
Por aqui o dia foi de recordes. Graças ao pronunciamento do presidente do FED (Banco Central americano) Ben Bernanke de que os juros nos Estados Unidos se manterão nos mesmos 5,25% no curto prazo foi recebida muito bem pelos investidores, nacionais e estrangeiros. Melhor que isso só se os juros americanos caíssem.
Com isso o volume de dólares a aportarem no Brasil foi recorde e nem as compras do Banco Central (BC ou RR - Representantes Rentistas) foram capazes de segurar o dólar que caiu 0,76% alcançando cotação de R$ 2,092.
A Bolsa de Valores de São Paulo chegou ao recorde histórico de pontos e de volume financeiro. Com quase 46 mil pontos e mais de R$ 14,300 bilhões negociados (o recorde anterior era de 13 de dezembro do ano passado, quando foi maior que R$ 11 bilhões) a tendência para os próximos dias é de intensificação do processo. Se o BC não se mobilizar a cotação do dólar pode fechar a semana em até R$ 2,05.
15/02/2007 13:38
Rocky Balboa
Coluna de Luis Villaverde, antecipada para hoje graças a combinação carnaval e timing. Carnaval porque domingo, dia em é publicada a coluna de Luis já será carnaval e este Blog não fugirá da Folia. E Timing poia a coluna trata de resenhar o filme Rocky Balboa, lançado semana passada nos cinemas.
A coluna esta na Aba de Música, aí a esquerda do leitor na seção denominada "Bligs Amigos".
17/02/2007 07:00
A questão da maioridade penal
A morte do garoto João Hélio Fernandes na semana passada no rio de Janeiro acarretou o retorno da eterna discussão sobre a diminuição da maioridade penal na Legislação brasileira. Bater nas mesmas teclas é afunilar o debate que de tão tragicamente recorrente se tornou tema cíclico na mídia nacional.
A Rádio CBN por exemplo entrevistou a professora da irmã do garoto assassinado que dizia basicamente o de sempre: "deve-se diminuir a maioridade penal". As revistas semanais, que graças ao feriado de Carnaval já chegaram nas bancas, vão na mesma veia.
Esse é o cerne da discussão da grande mídia. Entrevista-se sempre os mesmos analistas, intercalando com imagens e entrevistas com os familiares das vítimas da vez. Com isso cria-se novamente o movimento social para que alcance o objetivo. É sempre assim.
À uns 4 anos atrás, acerca do assassinato de jovem casal em Embu-Guaçu. A mulher fora estuprada antes de morrer e os criminosos tinham menos que 18 anos. O pai da moça fez campanha pública, com passagens inclusive no programa da Hebe, com direito a passeatas para a diminuição da maioridade penal. Em entrevista anos depois admitiu voltar atrás na idéia, levada pelo clamor social e pelos (justificados) sentimentos confusos.
Na quinta-feira o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, defendeu a manutenção do atual sistema de legislação. Para ele o que deveria mudar era a análise do crime. Se o crime ultrapassar limites não só morais mas também "técnicos" ignora-se o fator idade e pune-se com mesma mão de ferro o menor de 16.
Pode não ser o ideal. A difícil questão é se afastar do noticiário inflamado e incendiário para se discutir com mais reflexão e insenção e perceber quais são os reais fatores e causas do alto nivel de criminalidade brasileira. Usar a diminuição da maioridade penal é mais um bode espiatório (o mesmo de sempre aliás) para satisfazer o clamado de vingança da sociedade.
A discussão é tão profunda e ampla que este Blog e seu respectivo signatário propõe criação de Fóruns sociais para discussão do tema. quem sabe, mais a frente um plebiscito como o realizado em 2005 sobre o porte de armas. Este Blog não afirma que a diminuição da maioridade penal é ignorante. É apenas simplória perto ao real escopo do problema.
18/02/2007 07:00
Bulhões e as voltas do Mundo
Na espera para os escolhidos para os Ministérios de Lula2, que teima em não começar, o nome da vez e de sempre é do ex-deputado Antônio Delfim Netto. O ex Ministro da Fazenda do período 1967-1974 e também dos anos Figueiredo, ficou famoso por entre outros operar o "Milagre brasileiro" nos anos Médici (depois estendido no governo Geisel, dessa vez sob a batuta de outro brilhante economista, Mário Henrique Simonsen).
As altas taxas de crescimento do País foram claro mérito de Delfim, mas que nunca aconteceriam não fossem as medidas, as reformas e as criações da dupla Octávio Gouvêia de Bulhões e Roberto Campos no primeiro governo militar, de Humberto Castello Branco (1964-1967).
Bulhões como Ministro da Fazenda e Campos como responsável pelo Ministério do Planejamento arquitetaram e preparam o terreno para as medidas impostas por Delfim. Segundo Mário Henrique Simonsen, a dupla operou "a maior reforma econômica experimentada no Brasil neste século". O século a que se refere o já falecido economista é o passado, XX.
O Brasil sofria de um déficit orçamentário da ordem de 4% quando Bulhões e Campos assumiram seus cargos em abril de 1964. Quando deixaram suas posições em meados de 1967 o déficit caíra à 1% apenas. Suas medidas para conter a inflação, que alcançara 25% no primeiro trimestre de 64 (144% ao ano) foram eficazes, trazendo o índice à 24% anuais três anos depois.
Entre outras medidas de contenção da inflação, a mais notória (tragicamente como a prática provaria anos depois) foi a criação da correção monetária. Como o Brasil sofria de uma experiência inflacionária à anos, Bulhões instituiu a correção monetária como forma de estímulo à formação de poupança e à emissão de títulos de longo prazo. Depois de um dado momento a correção monetária propriamente passou a induzir inflação. Segundo Sérgio Quintella, vice-presidente da FGV, "como corrigia tudo, gerou-se um processo vicioso em que a correção monetária sozinha gerava inflação".
Outra reforma crucial para o "milagre" foi a tributária, de 1966, que além de extinguir impostos exóticos, como o do selo, substituiu o Imposto de Vendas e Consignações, incidente em cascata, pelo ICM, cobrado sobre valores adicionados. Além disso, substituiu o antigo regime trabalhista da estabilidade pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As tarifas aduaneiras foram reduzidas à medida que abria-se a economia para o exterior.
Talvez a mais importante criação de Octávio Gouvêa de Bulhões, monetarista cético, hoje classificado como ortodoxo convencional, foi o Banco Central, por meio da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Seu primeiro presidente foi Dênio Nogueira.
Um dos maiores antagonistas disso tudo foi Luiz Ignácio Lula da Silva, muitos anos mais tarde, criticando "tudo que estava ai". Décadas depois, "o que estava aí" Delfim Netto pode alcançar nomeação de Ministro.
22/02/2007 07:00
O Orçamento gaúcho
Entrevistada ontem pela rádio CBN, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Cruzios, comentou sobre matéria do jornal O Estado de S.Paulo que apontou o Estado gaúcho como o pior na situação financeira e o pior déficit orçamentário.
A governadora citou números que parecem eloquentes, no mínimo. "A situação é inaceitável e lamentável" disse. Segundo ela, o Estado tem uma das menores cargas tributárias do país quando se feita a relação tributo sobre produto. O Orçamento do Estado do Rio Grande do Sul é de R$ 20 bilhões. Para ela a culpa esta justamente nas desonerações tributárias, da ordem de R$ 6 bilhões. "Poderíamos contar com um Orçamento de R$ 26 bi, não rende graças as desonerações". Um dado que chama atenção para esses números é o fato de que o governo federal anunciou justamente algo como R$ 6 bilhões os impostos renunciados para 2007 como uma das medidas do PAC.
Para ela esse dinheiro faz falta e muita. Algo como R$ 1 bilhão poderia vir através da Lei Kandir, em que o governo federal restitui os Estados com os impostos que são renunciados à empresas exportadoras. A alíquota básica do ICMS é a menor do Brasil, 17%. O déficit se registra justamente porque o servidor público se aposentou. O equivalente à 54% da folha desse ano se referem às aposentadoria desses servidores, que no passado através de seus esforços em saúde e educação fizeram do Rio Grande do Sul uma vedete de bem estar social.
"É exatamente por termos uma qualidade de serviços públicos diferenciada, que hoje se paga mais do que outros estados pagam na sua folha". Para ela a soma desses fatores quebrou (quebra) o Estado.
Além disso Yeda Cruzios sugeriu a criação de um Fundo de Garantia dos Aposentados Novos, afinal com essa taxa de juros obscena qualquer Fundo consegue lucros enormes. E o Estado não tem dinheiro para contratar novos servidores, só quando equilibrar o problema dos servidores aposentados.
Afirmou também que não pretende privatizar nada, principalmente o Banco Banrisul, sua "jóia da coroa". O banco paga dividendos ao Estado, além de um projeto, enviado à CVM, para capitalizar mais o banco estadual. A idéia é colocar novas ações no mercado.
E finaliza: "Em três anos, vou zerar o déficit". Não sem antes pedir sorte ao entrevistador.
22/02/2007 17:57
Estagnação social participativa
Reproduzo aqui trecho de texto de Bresser-Pereira que consta como introdução à obra do sociólogo José Carlos Reis.
"Será que o fracasso da ortodoxia convencional e o êxito do desenvolvimentismo asiático ensinarão algo à nação brasileira?
Será que a nação que entrou em processo de desconstrução e de desorganização desde 1980 terá condições de se reconstituir?"
"Uma nação não existe independentemente da solidariedade, do sentimento de pertencimento e de destino comum que une seus membros. Ernest Renan disse que a nação é uma construção de todos os dias. Se a nação brasileira não é simplesmente uma nação dependente ou uma não-nação, mas uma nação nacional-dependente, e se ela sabe aprender com a experiência, o enfraquecimento da hegemonia ideológica do Norte que ocorre nos anos 2000 representa uma oportunidade a ser aproveitada como o enfraquecimento
daquela hegemonia nos anos 1930 representou uma oportunidade que o Brasil utilizou para se desenvolver".
Perfeita análise da sociedade brasileira atual. Desde o início do declínio do crescimento econômico em 1980 até agora, somam-se 27 anos de letargia. Claro, os primeiros seis anos da década de 80 foram de uma sociedade bastante representativa, que se fazia ouvir e era afeita à discussão pelo crescimento. O atual período de vida vegetativa de nossa nação só começou de fato em 1990 com a total absorção dos ditames da ortodoxia convencional, através principalmente das platitudes do Consenso de Washington.
23/02/2007 07:00
Desindustrialização
À luz da atual discussão sobre a desindustrialização brasileira, publico aqui artigo meu escrito à 17 de novembro de 2006, a mais de três meses atrás, tratando do tema. Segue a coluna "A desindustralização da cadeia têxtil".
A crise da “desindustrialização” brasileira é deflagrada pela indústria têxtil. Após recuperação pós crise cambial de 1999 quando o câmbio alcançou picos de R$ 4 por um US$ 1 em 2002 e navegou em recordes de exportação com o boom chinês no período 2003-2005 são esses mesmos fatores, invertidos, que hoje criam nuvens negras sobre o setor.
Trato do setor têxtil, apenas por ser o mais escancarado no front industrial. Poderiam ser os calçados, e os produtos de alto valor agregado. Excetuando-se, guardadas as devidas proporções, os bens primários e as commodities os níveis de exportação brasileira podem ter chegado ao seu máximo neste ano de 2006. Digo isso me baseando em números, por mais contra regra às minhas convicções seja. Como todos sabem, prefiro me ater ao social à planilha.
Com as altas taxas de juros praticadas principalmente a partir de 2005 para conter a inflação, o real valorizou-se. Como conseqüência disso, muitos produtores perderam competitividade no comércio exterior. Afinal, com todos os graves problemas estruturais e tributários que nossa “burrocracia” nos impõem, era o câmbio desvalorizado que equilibrava as coisas. Hoje, com o real estabilizado à R$ 2,10 isso não acontece mais.
Some-se a isso o boom chinês ao inverso. O mercado nacional é inflado das mais variadas importações chinesas em quantidade absurda e com preços irresistíveis. A cota das indústrias para mercado interno então se sensibiliza também. Há inclusive as importações ilegais da própria China que escapam dos tributos. Tributos esses aliás que corroem ainda mais o parco investimento das empresas do setor têxtil que também arcam com problemas infinitos de logística e falta de infra estrutura do parque industrial. Mesmo assim, 2005 ainda foi um ano bom. É nesse 2006 que as coisas se inverteram, e a tendência é um 2007 tenebroso.
Em 2005, no período janeiro a outubro, foram exportados US$ 1.753 bilhões ao passo de importação de US$ 1.243 bilhões. Números significantemente altos para a cadeia têxtil e de confecção. Isso proporcionou um saldo positivo de US$ 510 milhões na balança comercial. Comparando-se aos números do mesmo período janeiro-outubro de 2006 percebe-se a diferença. Nos primeiros dez meses do ano foram exportados US$ 1.698 bilhões (uma diminuição de US$ 55 milhões) e importados US$ 1.750 bilhões (um abissal crescimento de US$ 507 milhões em importados, quase o valor do saldo da balança comercial no período em 2005!). O saldo da balança comercial no período em 2006 foi negativo em US$ 52 milhões ainda se sustentando em números altos de exportação que com o processo de “desindustrialização” altamente desenvolvido não se sustentarão em 2007.
A principal crítica do setor é com câmbio. Segundo o economista Fernando Pimentel (nenhuma relação com o também economista prefeito de BH), superintendente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit) a comparação com a China é desigual. Lá, o governo tem US$ 1 trilhão de reservas e a relação do câmbio é de US$ 1 para oito yuans há dez anos. No Brasil essa proporção é quase de um para dois. Vou além dos números, o país asiático tem também uma mão de obra enorme e não conta com Leis Trabalhistas, ou seja, não há critérios para salários. Num país com números de trabalhadores acintosamente altos, trabalha-se por qualquer salário.
A reclamação acerca do câmbio - de longa data, desde que este começou a se valorizar em fins de 2004 – não surte o efeito desejado. O máximo que o governo tem feito até agora é manter o real estabilizado. Mas pode-se ao menos equilibrar novamente a disputa e trazer competitividade à indústria (de um modo geral mas no caso, a têxtil) com medidas como: criação e ampliação de acordos comerciais que favoreçam a entrada do Brasil nos grandes mercados que reduziria muito os impostos comerciais, claro, a redução dos impostos internos e o combate à ilegalidade das importações.
Medidas como essa atuam basicamente no campo político. Não é necessária nenhuma veia estritamente econômica para colocar essas medidas em prática. Mas até nisso estamos perdidos afinal, não se vê um mar de rosas na política de coalizão no segundo mandato Lula. A multiplicação da “desindustrialização” é um mal que avista-se duradouro.
26/02/2007 14:06
Taxa de câmbio
A queda do dólar é tão obscena no governo Lula, que a desindustrialização decorrente se acelera quase como processo irreversível. A barreira dos R$ 2,10 por dólar já foi quebrada e, se nada for feito, a grande barreira psicológica dos R$ 2,00 será quebrada também.
A melhor solução, a mais óbvia e benéfica em todas as circunstâncias é o corte nos juros. A única coisa mais obscena que esse câmbio é a taxa Selic em 13%. E a parcimônia do Banco Central em corta-los chegou ao Lula que de tanta demora em mexer nos diretores do BC já fez com que a reunião de janeiro, que seria o canto de cisne dessa diretoria se torna-se apenas mais uma reunião do Copom. Afinal, a próxima, no dia 6 de março será realizada com o mesmo pessoal.
Não se pode então contar com cortes substanciosos dos juros. Pelo menos não em curto prazo. Por extensão, medidas como imposto nas exportações de commodities para frear o saldo positivo da balança comercial e assim diminuir em parte a enxurrada de dólares na economia também é uma medida impossível de ser tomada.
Partindo-se do pressuposto que a única maneira de barrar a queda do dólar é essa política atualmente adotada pelo BC de adquirir dólares diretamente no mercado para formar reservas internacionais, seria de bom grado aumentar a compra desses dólares para não só barrar a queda mas até aumentar sua cotação.
Vejamos, o BC compra em média de US$ 400 milhões à US$ 500 milhões por dia. Se aumentar esse valor para algo como US$ 700 milhões diários até a quarta feira da próxima semana, dia 7 de março, é possível que a cotação do real suba até R$ 2,12. Nesse dia será anunciada a nova taxa Selic, após reunião final dessa diretoria do BC, que provavelmente voltará a cortar os juros em 0,5%. A partir de quinta feira retoma-se a politica de compras de reservas em valores menores do que os praticados hoje para equilibrar a taxa em R$ 2,12. As reservas alcançariam aproximadamente US$ 104 bilhões.
A política de aquisição de reservas não é defendida por este Blog. Para se comprar dólares o Banco Central emite títulos em reais pagando uma taxa de juros equivalente à Selic, ou seja, em torno de exorbitantes 13% a.a. E uma taxa de câmbio de R$ 2,12 continua sendo obscena, embora menos do que sua cotação atual de R$ 2,08. Repito: o melhor seria o simples, simples mesmo, corte nos juros.
28/02/2007 07:00
Efeito China
A queda da Bolsa da China ocorrida ontem demonstra a aplicação de um velho ditado: A China espirra e o mundo fica gripado. Espirra pois o que aconteceu ontem não foi nada além de um boato. Como qualquer boato, principalmente em se tratando de um país ainda muito fechado politicamente, pode ser infundado ou não.
O boato que surgiu era de o governo chinês estabeleceria limites aos enormes ganhos obtidos através de operações na Bolsa. Isso porque apenas no ano passado a Bolsa cresceu mais de 130%, alguns investidores obtiveram lucros de mais de mil porcento. Isso é muito, em qualquer lugar.
Pois bem, com o surgimento do boato, muitos investidores resolveram vender seus papéis para embolsar os lucros. Isso é absolutamente comum no mercado financeiro, como o efeito manada decorrente. Quer dizer, se uns vendem, eu vendo também. A queda da Bolsa chinesa foi um pouco maior que 8%. Parece muito, não é. Primeiro porque o mercado financeiro naquele país não é tão importante na economia como um todo e segundo, com os enormes lucros recentes essa queda não é gigante.
E o mundo fica doente. O efeito manada se estende nos investidores internacionais, que tiram seu dinheiro dos países "instáveis" e aplicam em pápéis mais seguros, como os do governo americano. Os investidores nacionais por sua vez vendem seus papéis para embolsar os fortes lucros recentes. Foi isso que aconteceu aqui na Bovespa, que fechou em queda de 6,63%, caindo à 43.300 pontos. O volume de negócios foi expressivo, mais de R$ 5 bilhões.
Uma outra notícia que chacoalhou um pouco os mercados mundiais (e como sempre, principalmente dos emergentes) foram para novos números da economia americana. O pessimismo foi alimentado pela queda de 7,8% nas encomendas de bens duráveis, quando o mercado esperava queda de 3,2%.
Ainda assim pouco antes do fechamento da Bovespa, alguns investidores passaram a comprar (ou recomprar) ações devido ao seu baixo preço. A tendência é essa, principalmente a partir de quinta feira as Bolsas voltem a se valorizar.
Dois pontos decorrentes do movimentos causados pela "terça-feira negra" foram a desvalorização do real e o aviso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que o momento é de se "elevar a prudência".
Quanto ao câmbio é curioso notar que depois das medidas, mesmo que à contragosto, propostas por este Blog de acumulação de reservas em quantidades grandes para elevar a cotação à R$ 2,12, em apenas um dia a cotação foi à quase esse valor, fechando à R$ 2,118. As reservas no entanto, ultrapassaram os US$ 100 bilhões.
Já sobre a maior preocupação do presidente do BC (ou Representantes Rentistas) é evidente que esta se usando o "efeito China" como bode expiatório para se manter o corte de 0,25% ou até deixar de cortar os juros na reunião da semana que vem.