Memória I - Meus Cadernos de desenho
Não sei porquê não me desfiz deles. Já se passou muito tempo e eles me acompanham, registrando um tempo feliz. Estava aprendendo, hoje vejo o que poderia fazer melhor, os traços não eram tão firmes e o material usado era do tempo. Nanquim, guache, recortes, tudo feito com carinho. Nenhuma manchinha nos desenhos, pois acarretaria perda de nota. Tínhamos desenhos também nas aulas de ciências, trazíamos folhas, flores, raízes para observar e desenhar, parecíamos os naturalistas da missão artística francesa trazida por D. João!
Memória II – Lápis de cor
Como gostava deles. Ao olha–los pensava como são feitos? Eles alegravam os meus desenhos, traziam vida e estimulavam a imaginação. Quando deitava no chão do quintal, próximo ao muro coberto com “unhas de gatos”, olhava os fios dos varais e entre eles as nuvens brancas formando gatos, monstros, ovelhas... Que se mexiam e pensava: poderiam ser coloridos! Meus lápis sempre estavam arredondados, por tamanho, na caixinha de papelão e apontados. Os tons de azul e amarelo eram os mais baixinhos, pois gostava das cores, depois vinha o “rosa pêssego” o mais emprestado, todos queriam. Os maiores mais imponentes, encostando com a ponta na aba da caixa, eram os mais encostados, coitados. Como o branco, o roxo, o verde escuro e outros. Hoje fico triste quando encontro os rejeitados, sem ponta, achando–se inúteis e com baixa auto–estima, eles sabem que se forem cuidados ainda podem colorir e alegrar muitos desenhos!