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Terceiro Mandato para Lula mostra fragilidade interna do PT

 

Novamente volta a se discutir a possibilidade de alterar a legislação para que o presidente Lula, prefeitos e governadores possam disputar uma segunda reeleição.

Isso é bom para o Brasil?

 Lógico que não.

A lei não pode ser alterada para satisfazer interesses políticos do partido A, B ou C.

Não adianta também, usar o argumento de que a responsabilidade recai sobre o Presidente Fernando Henrique, pois em seu governo que foi articulado e aprovado a emenda da reeleição, assim, a oposição que se posiciona contrária a PEC do 3º mandato é a mesma que votou a favor da alteração a carta magna para que FHC disputasse um segundo mandato e, portanto, não tem legitimidade para criticar.

Ora, se pensarmos desta forma, o PT foi contra a emenda da reeleição, portanto, além de vir contra suas posições políticas do passado, usufruindo da mesma em 2006, ainda quer inovar criando a segunda reeleição.

Percebam que se levarmos a discussão para esse lado, não chegaremos próximo do que queremos tratar aqui.

O que queremos chamar a sociedade a refletir é que essas alterações no texto constitucional não devem ser desconsideradas em virtude do risco à democracia que representam.

Não existe democracia no mundo que resista a está instabilidade política e jurídica que querem criar.

A sociedade precisa acompanhar de perto o que está por trás disso.

Na América Latina, hoje, temos vários exemplos de ditaduras disfarçadas. Populistas e tão nocivas quanto à ditadura militar e essa, o Brasil conheceu de perto.

O Governo tem todo direito de lançar uma candidatura de sua base para representar a sua continuidade, assim como em 2002, o então ministro José Serra, foi o candidato da situação, disputando democraticamente a eleição e perdendo para Lula, no segundo turno.

O presidente Lula já lançou a sua pré-candidata, a ministra chefe da casa civil, Dilma Rousseff, portanto, se este for mesmo o nome do PT à sucessão de Lula, que enfrentem as urnas de maneira democrática, sem tentativas de golpes à democracia e à Constituição Federal.

Todas essas articulações para que o presidente Lula dispute um terceiro mandato, para quem consegue ler na entrelinha, fica claro que Lula é maior que o PT e isso, para um partido político é grave, pois está refém de um único líder. E tem mais, fica nítido para a classe política, neste momento, que importantes setores do PT não acreditam no potencial eleitoral da ministra Dilma e articulam para que o seu eterno candidato, Lula, continue sendo candidato, pois, não há nomes no PT que possam enfrentar as urnas com chances de êxito.

O PT se quiser permanecer como um dos grandes partidos do Brasil, precisa começar a aprender a caminhar mais independente do nome do Lula, abrindo espaço para o surgimento de novos líderes no partido. Lula não será eterno e se o PT continuar com esse imediatismo, seu futuro será incerto e não sabido!   


Guilherme Fonseca Cardoso

Bacharel em Direito e Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo

Email: gfc.fc@globo.com Site: www.guilhermefonseca.wordpress.com